Eu poderia escrever um livro sobre o ano de 2011. Alegrias, descobertas, presentes, dores, tristezas, paz. Muitos sentimentos que me fizeram mais forte, mais madura. Os 30 anos chegaram e talvez a coisa mais importante que tenha aprendido foi: “a vida não acaba aos 30, Lívia”. Então, eu me permiti sonhar.
E sonhos são perigosos porque abrem teus olhos e te permitem ver adiante. E (re) fazer escolhas que pareciam imutáveis. No entanto, adianto que não é fácil sonhar. Dói profundamente, tira o sono, emagrece. Mas não pra sempre.
Escolher sonhar faz cair vendas no olho que já havia esquecido de enxergar. E te faz retornar ao começo da viagem. Aprendi que ninguém chega a Ítaca sem percorrer o caminho, que é feito de obstáculos nunca invencíveis. O maior empecilho é sempre você mesmo.
Percebi que a representação de uma felicidade ilusória, no fim das contas, só dói em mim. Não nos outros. Foi então que parei de pensar neles e voltei os olhos para a balzaquiana que carecia tanto de atenção.
E qual foi a surpresa, quando vi o horizonte à minha frente? A realização de um sonho em curso, o aprendizado diário com pessoas à beira da morte, que simplesmente a ignoram e decidem viver.
E eu, presa no meu mundo de Alice, senti vergonha de ter medo. Não teria conseguido sozinha, mas consegui. E hoje, dia 29 de dezembro, quando olho pra trás, vejo o quanto estou mais Lívia, mais feliz. O quanto estou e sou eu.
E, embora pareça uma visão egoísta, afirmo que não o é. Não teria conseguido sozinha. E aí entram os presentes, que não caberiam em um post de blog. Contra todas as previsões mais pessimistas, eu pude contar com pessoas sem as quais não sei mais viver. Amor.
2012 chega com toda a imprevisibilidade possível e com algumas certezas escolhidas. Chega com cara e jeito de novo, esse lindo ano. E eu não preciso mais prender a respiração.