Basta ler um pouquinho do blog ou conhecer um pouquinho de mim pra saber o quanto eu gosto de poesia. E de Vinicius de Moraes, principalmente.
Sábado, enquanto fazia uma bela faxina na casa para esperar os amigos, assisti ao filme Vinicius, pela enésima vez. E sempre choro, sempre rio, sempre me emociono, não tem jeito.
Como estava limpando a casa, fiquei prestando atenção muito mais no áudio do filme. E percebi alguns detalhes interessantes, que foram mais que suficientes para eu entender o porquê de gostar tanto do Poetinha.
Vinicius era diplomata, extremamente culto, mas foi um poeta genuinamente popular. Ele era o queridinho dos modernistas, pois escrevia sobre o cotidiano, sobre o amor, sobre a alegria. Seus versos falavam de um Rio de Janeiro positivo, encantador, com mulheres belas. E falavam de forma simples, já que ele não era apegado à métrica, mas à rima.
Agregador, Vinicius valorizava muito os amigos. Sua casa, em Petrópolis, era uma “casa aberta”, como disse Edu Lobo, no filme. As pessoas simplesmente chegavam e entravam. Lá se ouvia muita música e se tomava muito uísque. Algumas das músicas mais geniais da Bossa Nova foram compostas nesses encontros entre amigos. Era a materialização do ócio criativo.
Vinicius teve ainda uma fase de extrema importância para a cultura no nosso país, quando escreveu e produziu a peça “Orfeu da Conceição”. Era a história de Orfeu encenada por atores negros, numa favela do Rio de Janeiro. Original, ousado. Ele se dizia o branco mais negro do Brasil e era mesmo.
Por esses detalhes e outros mais, eu vejo em Vinicius todas as características de um artista genial. O Chico, em um de seus DVDs, fala que o Vinicius tinha uma ingenuidade impressionante ao escrever sobre o amor, apesar de ser já idoso. E que ele sabia, como ninguém, acertar em cheio o coração de uma mulher. Isso foi dito pelo Chico, que é conhecido como entendedor da alma feminina (e é mesmo).
É claro que a vida dele não foi perfeita e até isso é muito bem retratado no filme. A bebida, os muitos casamentos e a solidão que ele sentia no fim da vida com certeza não foram assuntos fáceis para ele. Mas isso em nada tira o brilhantismo de sua obra e o legado da sua arte.
Talvez eu goste tanto de suas poesias justamente por causa da objetividade. Não há nada que me irrite mais do que textos filosóficos e confusos. Mil perdões de antemão, mas não consigo engolir Martha Medeiros, Danuza Leão e companhia. Acho a síntese da chatice, só isso.
Para vocês terem uma ideia, olha só o que ele escreveu num livro dado de presente: “Para Antonio Candido, com a mão estendida para a amizade”. Não é lindo, simples e conciso? Bingo pro Vinicius, sempre.