Boas lembranças

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O dia-a-dia corrido às vezes me impede de lembrar de coisas tão boas da minha infância. Os domingos na casa de meus avós, por exemplo, no interior do Espírito Santo. Depois de irmos à igreja, eu, minhas irmãs e minha mãe (meu pai preferia ficar em casa vendo filmes de ação na TV) íamos ao encontro de meus primos e tios. Minha tia Déia, que parece ser feita à pilha (das alcalinas, as mais potentes), era a primeira a chamar o povo para o almoço.

 

O cardápio merece uma descrição à parte. Como toda boa família italiana, não podiam faltar o macarrão e o angu. Além disso, minha avó, que tem o dom de preparar comidas com “gosto de vó”, fazia um frango ensopado com batatas simplesmente maravilhoso. Ficávamos todos com a boca suja de coloral, mas muito felizes por estarmos cumprindo aquele ritual tão prazeroso. E nem nos dávamos conta disso.

 

O descanso do almoço era na rua, que por ser sem saída e muito tranqüila, era perfeita para os jogos de Queimada, Pique-Pega e Bandeirinha. É, apesar de ter nascido na recente década de 80, eu brinquei muito de Amarelinha, Elástico e todas essas outras diversões há muito esquecidas.

 

Eu e minhas irmãs vivíamos a semana toda trancadas num apartamento e por isso, tivemos muitos braços quebrados e joelhos ralados (minha irmã Aline que o diga), por conta dessas peripécias. Minha avó também sofreu as conseqüências: tapete queimado, enceradeira pifada (sim, nossa diversão era correr em cima da enceradeira dela!)…

  

Mesmo assim, ela nos presenteava com sacolés e laranjas descascadas pelo meu querido avô. Aliás, ele sempre comprava mais tomates nos fins de semana, porque sabia que eu adorava comê-los com bastante sal.

 

No meio da tarde, muitas vezes meu avô convidava todos os netos para, em seu fusca amarelo, irmos à casa de seu irmão, Tio Chico. Esse era certamente um de meus passeios preferidos.

 

A casa era na roça, por isso tinha tudo o que criança mais gosta: árvores, bichos e muita natureza. Nossa diversão principal era subir o morro que tinha ao lado da casa. Para nós, era um desafio empolgante, repleto de perigos e trilhas arriscadas. Na volta, descíamos em cima das folhas de bananeiras, completamente imundos e felizes.

 

Eram domingos sem luxo, nem grandes apetrechos. Mas eram domingos em família e por isso mesmo, inesquecíveis.

 

 

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