Último pitaco sobre o assunto

Padrão

Confesso que já estou de saco cheio dessa história da eleição do deputado Severino para presidência da Câmara. Agora, todos os colunistas se empenham em analisar as causas da “surpresa”, especular o passado do coitado (e, é claro, sempre encontram alguma bizarrice) e estigmatizá-lo como o bronco, nordestino, enfim… todos esses pré-conceitos que a imprensa adora.

 

Ontem mesmo comentei no blog da Tereza Cruvinel a hipocrisia desses colunistas de política (não a excluindo, educadamente), que se disseram surpresos com a vitória do Severino. Argumentei que, na minha humilde opinião, falta apuração por parte dos colunistas, falta profundidade nas análises. Afinal, eles praticamente moram no Congresso e nenhum (eu disse NENHUM) deles percebeu o movimento pró-Severino? Aliás, sobre o assunto, o melhor texto que li (fora a cobertura do Noblat, que já mencionei aqui), foi o do Clóvis Rossi, na Folha de ontem. O título é “A esbórnia assumida”:

 

Chocado com a eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência da Câmara?

 

Pense positivo. Na prática, os deputados apenas tiraram a fantasia de defensores do povo e da pátria e assumiram: querem o deles e ponto final. Ou pelo menos 300 deles o fizeram (quem foi mesmo que usou esse número de deputados para uma frase famosa à época?).

 

Cavalcanti foi o primeiro a despir a fantasia de “representante do povo”: sua principal promessa de campanha não era botar a Câmara para funcionar ou dar a ela a característica que jamais deveria deixar de ter, a de um poder, contraponto com o Executivo.

 

Era pura e simplesmente aumentar o salário dos colegas e dar-lhes melhores condições de vida, ops, de trabalho. Ponto.

 

Simples assim, cínico assim, honesto assim. Se o público está saturado dos privilégios de que gozam os pais da pátria, azar do público. Como diria Chico Anísio, na fantasia de deputado, “o povo que se exploda”.

 

Essa é a clara mensagem emitida pela eleição de ontem. Ou, se se quiser dizer com todas as letras: o Brasil ou ao menos o seu Parlamento se assume de uma boa vez como república bananeira.

 

É melhor assim do que ficar disfarçando, andando por aí de terno e gravata, em vez da fantasia de Chiquita Bacana. Não melhora o desempenho parlamentar de ninguém, mas, pelo menos, é transparente. O nosso é nosso, ninguém tasca.

 

Deve-se sem dúvida ao PT, por ação, omissão e/ou incompetência, esse despudor assumido. Se alguém conseguir enxergar uma maldita diferença entre os dois candidatos do partido ao cargo agora de Severino Cavalcanti, é porque leva no bolso um daqueles telescópios de altíssima potência ou, mais provavelmente, porque mente.

 

Na era PT, que se dizia o único dono da moral e dos bons costumes políticos, a esculhambação é, afinal, assumida de público, a esbórnia é oficializada e o país deve virar o faz-me-rir do planeta. Parabéns.

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s