Lembranças de um nascimento

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Primeiramente, quero pedir desculpas aos meus leitores (mais especificamente Alé, Lara e Nininha, que reclamaram com razão), por não ter escrito ontem. É que passei o dia todo às voltas com a tal contribuição sindical que temos que pagar, além da declaração de imposto de renda… enfim, essas coisas chatas e burocráticas que não estava acostumada a lidar. Fiquei até surpresa com as cobranças, que bom que vocês gostam do que escrevo. Mas prometo me esforçar mais!

 

Depois desse adendo, vamos ao que interessa: lembranças. A de hoje é bem recente.

 

 

Era uma quinta-feira, 22 de abril de 2004. Eu estava em casa, tinha acabado de lanchar e já me preparava para dormir, quando toca o telefone. Era minha mãe:

 

– Minha filha, seu sobrinho vai nascer agora! Fabrício acabou de ligar e disse que eles já estão no hospital -, falava ela, aos prantos.

 

A surpresa e apreensão foram imediatas. Afinal, ainda faltava uma semana para minha irmã completar oito meses de gravidez. Mas nem tive tempo de pensar nisso, porque mamãe foi logo me dando uma difícil tarefa:

 

– Lívia, preciso pegar o avião amanhã de manhã para Recife. Veja se tem passagem, porque vou pegar o ônibus para o Rio hoje ainda.

 

A princípio não parecia tão complicado. Mas o problema é que eu não tinha cartão de crédito na época e, por telefone, a Varig só vende passagens dessa forma. Liguei para o Marcos.

 

– Ele saiu com o André, Lívia. Quer o celular dele?, dizia a mãe do Marcos, com toda a calma do mundo.

 

Antes de ficar furiosa porque ele tinha saído sem me avisar, respirei fundo, liguei para o André e pedi pra falar com o Marcos.

 

– Amor, Guilherme vai nascer. Preciso que você venha pra cá agora, porque temos que ir ao Santos Dummond comprar as passagens da minha mãe.

 

Quando ele chegou na minha casa, descobrimos que o Santos Dummond já estava fechado para venda de passagens e que teríamos que ir ao Galeão (que é muito mais longe). Só que também não tínhamos certeza se iríamos conseguir, já que era quase onze da noite.

 

– Vamos passar na casa do Gibão e levá-lo conosco, já que ele trabalha na Varig.

 

A grande idéia do Marcos funcionou. Acordamos o Gibão e fomos rumo ao Galeão. Chegando lá, compramos as passagens sem dificuldade e ainda com desconto.

 

– Você deu sorte – dizia o homem do guichê. Não costumamos ter passagens nos vôos com desconto sem muita antecedência.

 

A essa altura, já tinha recebido a notícia de que Guilherme tinha nascido e estava tudo bem com ele e com minha irmã. Apesar de prematuro, nasceu saudável e muito lindo!

 

Voltei pra casa e acordei ainda de madrugada para buscar minha mãe na rodoviária e levá-la ao aeroporto. Marcos foi comigo, claro (ele diz que essa foi a maior prova de amor que ele me deu). No café do Galeão, ainda tive tempo para escrever um bilhete para o Gui, que era exatamente assim (pedi para minha irmã ler no telefone): 

 

“Querido Guilherme, você já chegou mobilizando sua tia no Rio! Já era madrugada quando estava no aeroporto comprando a passagem da sua avó. Você foi um bebê muito esperado e festejado, aliás, hoje estamos todos em festa. Nasceu o pernambucano-capixaba mais querido!”   

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