Justiça

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Ontem assisti com minhas amigas Paula e Flora ao documentário “Justiça”. A primeira cena é a mais chocante do filme, a de um jovem paralítico que está sendo julgado, diz que é inocente, e pede para ser transferido para um hospital. O motivo? Argumenta ele que dividia a cela com mais 79 presos e que não havia estrutura para um deficiente como ele. O juiz responde que não pode fazer nada, porque quem tem que dar o laudo é um médico e não ele. Resultado: o rapaz volta para a prisão superlotada, já que seu processo ainda demoraria muito até o julgamento final.

 

Depois o filme peca em alguns momentos, porque tenta convencer o espectador de que a câmera é invisível e neutra. E não é. Todas aquelas situações filmadas sofreram algum tipo de interferência por conta da câmera, certamente. Tem até uma cena onde pode-se ver claramente que a defensora pública (principal personagem) está sendo “dirigida” por alguém, ao dar um beijo de boa noite na filha.

 

As imagens das celas lotadas de presos também chocam. As condições são subumanas, é inacreditável ver centenas de homens amontoados, apertados, sem espaço nem para abrir os braços. Que tipo de recuperação eles podem ter?

 

É bem verdade o que a defensora pública diz a certa altura do filme. Ela comenta que os processos que se arrastam na Justiça, em sua maioria, são de pequenos furtos, os chamados “ladrões de galinha”. Ela conta que um preso foi condenado por ter roubado três vidros de óleo para pele de uma loja, que juntos custavam R$20. Isso num país onde as prisões não suportam mais o número de presos e onde os verdadeiros criminosos estão soltos.

 

“Justiça” mostra toda a injustiça que cerca o mundo da criminalidade, dos julgamentos e também a prepotência e arrogância dos juízes, que se sentem infinitamente superiores à “ralé” que mandam para a prisão todos os dias. Vale a pena, é uma grande reflexão.

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