Arquivo mensal: abril 2005

Devaneios de fim de tarde

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Sei que ando abandonando o blog e que já perdi a promessa de atualizá-lo todos os dias. Não por falta de tempo, mas de assunto, de brilho, de chama. Apesar do feriado em casa, a volta ao trabalho e à rotina voraz tiram-me as forças. Forças que faltam para encarar as coisas simples da vida e simplesmente arriscar. Não sei bem o que quero, como quero, quando quero.

 

Nessa fase de TPM, muitos pensamentos borbulham em minha mente, mas não me levam a lugar pragmático algum. Sem decisões tomadas, sem respostas obtidas, sigo meu caminho, cambaleando. Queria mesmo é uma rede bem gostosa e um edredon nesse fim de tarde de outono. Queria voltar ao tempo das lembranças que tantas vezes escrevi aqui. Mas esses tempos não voltam, embora ainda vivos em mim.

 

De repente…

Para passar o tempo

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Sexta-feira, 19h09, cá estou eu esperando o Marcos e compensando horário. O andar já está vazio e eu, morrendo de fome. Para distrair vocês, blogueiros, e a mim também, publico abaixo uma poesia que fiz no dia 27 de fevereiro de 2004, em que estava numa situação idêntica à essa. Bom fim de semana para todos!

Para passar o tempo

Para não perder tempo

Para pensar em tempo

E despistar o tempo.

 Para calar a ansiedade

E disfarçar a saudade

Para falar a verdade

Isso já é crueldade.

 

E assim, sem sentir

Passam os segundos, por aí

Passa a vontade, dormir

Já está na hora, de partir.

Big Ben

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Dizem que brasileiro adora quizzes e jogos de pergunta e resposta. É verdade. Eu, por exemplo, não posso ver um “teste seus conhecimentos” ou “veja quantas perguntas acerta”. Essa paixão nos levou – eu e um grupo de amigos – a experimentar o quiz do Big Ben, barzinho em Botafogo.

 

Isso foi há mais de um ano, quando eu, Miriam, João, Marcos, Jorge, Vivi, Nando, Anderson e Liliane, resolvemos pagar para ver. Chegando lá, o clima era bem legal e vimos que as pessoas realmente levaram a brincadeira a sério. E fizemos o mesmo.

 

Concentrados, cheios de estratégias, ganhamos o jogo. Derrotamos as temidas Gordinhas, a quem homenageamos com o nome do nosso grupo, o lendário “Magri Diet”!

 

Também pudera, tínhamos três grandes “cabeças” no nosso grupo. Marcos e João sabem tudo de História e Geografia e Jorge, muito de tudo. Exemplo clássico foi  quando perguntaram em qual estado dos EUA ficava localizado a maior parte de um parque qualquer, que agora esqueci o nome. Pergunta para ninguém saber, certo? Errado: Marcos sabia. A resposta era Wioming. Nunca mais vou esquecer este nome. Nós ríamos horrores, porque ninguém mais acertou, só nós, é claro.

 

Empolgados, voltamos na terça-feira seguinte, já que o grupo que ganhasse três vezes seguida levaria o sonhado troféu pra casa. E ganhamos de novo. Nem sei quantas rodadas de chope tomamos, quantas vezes gritamos o nome do grupo, nos sentindo os donos do Big Ben.

 

Certos de que ganharíamos o troféu, fomos pela terceira vez. Só que tivemos uma desagradável surpresa quando soubemos que as Gordinhas tinham se juntado com outro grupo fortíssimo só para nos derrotar. Jogo sujo. Acabamos perdendo por muito pouco (ficamos em segundo lugar) e só ganhamos alguns brindes.

 

Este ano resolvemos voltar ao Big Ben, com o grupo um pouco reformulado. Não deu certo, perdemos de primeira. Agora a Rosane, aqui do trabalho, está planejando formar um outro grupo, desta vez bem eclético. Será que finalmente vou conseguir levar esse maldito troféu?

O amor

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Fernando Pessoa:

O amor, quando se revela, 
Não se sabe revelar. 
Sabe bem olhar p’ra ela, 
Mas não lhe sabe falar. 

 

Quem quer dizer o que sente 
Não sabe o que há de dizer. 
Fala: parece que mente 
Cala: parece esquecer.

 

Ah, mas se ela adivinhasse, 
Se pudesse ouvir o olhar, 
E se um olhar lhe bastasse 
Pr’a saber que a estão a amar! 

 

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente 
Fica sem alma nem fala, 
Fica só, inteiramente! 

 

Mas se isto puder contar-lhe 
O que não lhe ouso contar, 
Já não terei que falar-lhe 
Porque lhe estou a falar…

Final tensa?

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Já repararam que, sempre antes de uma final de campeonato, aparece uma súbita briga entre os técnicos de cada um dos times finalistas? Impressionante como uma declaração fora do contexto vira desculpa para troca de farpas. E a imprensa é muito culpada, já que instiga e nessa hora faz absoluta questão de ouvir os dois lados.

 

Exemplo? Abel e Dário Lourenço, do Fluminense e Volta Redonda, respectivamente. Concordo com o Calazans, que disse não ter visto nada demais na primeira declaração do Abel, que afirmara que o vencedor do Fla-Flu ganharia o Campeonato Carioca. Mas aí resolveram ouvir o Dário Lourenço e cobrar uma “resposta”. Pronto, estava armada a confusão. Depois essa mesma imprensa vai reclamar do jogo nervoso, muitas faltas, jogadores descontrolados… Com a maior cara-de-pau.

Primos-amigos-irmãos

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Como o tempo passa… e voa… Esta semana recebi o honroso convite para ser madrinha de casamento da minha prima-amiga-irmã Carol. Não sei se alguém reparou, mas essa expressão que acabei de escrever já foi usada aqui no blog, só que no masculino, para descrever o meu “primo-amigo-irmão” Juninho. Pois é. Eles são as duas únicas pessoas que merecem esses três substantivos antes do nome.

 

Ainda ontem éramos três crianças, fomos criados juntos e sempre tivemos muitas afinidades. Em parte por causa da idade (Juninho tem 23, eu 24 e Carol, 25), mas muito devido às nossas personalidades. Somos muito parecidos, valorizamos a família e acima de tudo, somos eternamente cúmplices e companheiros, haja o que houver. Pode parecer meio piegas, mas é a pura verdade. Eu faço qualquer coisa por eles e os defendo de olhos fechados. E tenho certeza de que a recíproca é verdadeira.

 

Eu e Carol fomos madrinhas de casamento de Juninho; eu e Juninho seremos padrinhos de casamento de Carol e, certamente acontecerá o mesmo quando o casório for meu. E não será por mera retribuição, mas com imensa alegria. Padrinhos são pessoas que sempre torceram pela sua felicidade, que acompanharam sua história e trajetória de vida. Os dois se encaixam perfeitamente nessas condições.

 

Há alguns anos eu e Carol resolvemos ir para Juiz de Fora na Festa Country da cidade. Ficamos hospedadas na casa de Juninho e passamos um fim de semana divertidíssimo. Aproveitamos muito todos os shows, pulamos que nem doidos e rimos de tudo.

 

Juninho, que já estava um pouco “altinho”, resolveu discutir com o cobrador do ônibus, teimando que ele tinha dado o troco errado. Ele olhava a moeda e achava que era de outro valor. Eu dizia a ele que o troco estava certo, mas era em vão. Isso tudo num ônibus lotado e a gente se espremendo que nem sardinha em lata. Eu não conseguia parar de rir, mas enfim o convenci a encerrar a discussão.

 

Mais adiante, Carol inventou de arrebentar a sandália e quase se estabacou no chão. É claro que pra nós aquilo tudo era muito engraçado (outra pessoa, em condições normais, certamente não acharia o mesmo) e a gente chorava de rir vendo Carol andar descalça pelas ruas de Juiz de Fora. Sem falar na hora de subir as escadas do prédio de Juninho. Acho que a gente deve ter demorado uma meia hora no percurso…

 

Foi um fim de semana maravilhoso e inesquecível, assim como todos os que passamos juntos, os três.

Filhos!

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O paradoxo de ser mãe. Um dia saberei o que é isso. Vinicius descreve bem:

 

Filhos . . . Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?


Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete . . .


Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.


E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.


Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!


Filhos são o demo
Melhor não tê-los . . .
Mas se não os temos
Como sabê-los?


Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!


Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão


Porém que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!