Arquivo mensal: maio 2005

Amor de fixação

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Volto, aos poucos, ao blog abandonado. Deixo vocês com uma poesia de Manuel Alegre, “Amor de fixação”:

 

 

A experiência é madre das coisas e por ela soubemos radicalmente a verdade.

                                        Duarte Pacheco Pereira

 

 

Há um caminho marítimo no meu gostar de ti.

Há um porto por achar no verbo amar

há um demandar um longe que é aqui.

E o meu gostar de ti é este mar.

 

Há um Duarte Pacheco em eu gostar

de ti. Há um saber pela experiência

o que em muitos é só um efabular.

Que de naugrágios é feita esta ciência

 

que é eu gostar de ti como um buscar

as índias que afinal eram aqui.

Ai terras de Aquém-Mar (a-quem-amar)

 

naus a voltar no meu gostar de ti:

levai-me ao velho pinho do meu lar

eu o vi longe e nele me perdi.

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Cântico IV

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De Cecília Meireles: lindo!

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.

Pensamentos de uma sexta-feira

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Sempre fui uma pessoa muito decidida, daquelas que toma atitudes sem pestanejar. Mas confesso que ultimamente ando meio medrosa. Penso, penso, penso e não chego a conclusão alguma. Pelo contrário, fico cada vez mais confusa.

 

Justamente por ser muito impaciente, estou tentando conter minha ansiedade (com muuuito sacrifício) e ponderar as coisas boas e ruins. Até que tenho conseguido, mas às vezes penso em jogar tudo pro alto e dar meu grito de independência.

 

Sei que não sou mais uma adolescente inconseqüente (bem verdade que nunca fui, era até certinha demais), que preciso controlar meus impulsos. Até porque eles quase nunca nos levam a um lugar seguro. Na grande maioria das vezes só trazem problemas e sofrimento.

 

O pior é que eu sou movida a desafios. Quanto mais difícil, tanto melhor pra mim.

Top 10

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10 coisas que eu mais queria na vida (não necessariamente nessa ordem):

 

 

– Viajar pelo mundo sem rumo

– Ter tempo para ler todos os livros que tenho

– Ir ao Maracanã ver o Flamengo ganhar

– Comprar um apartamento e decorá-lo do meu jeitinho

– Casar com o homem da minha vida e ter muitos filhos

– Uma casa na Serra

– Ficar mais tempo com minha família

– Ter dinheiro para bancar minhas vaidades

– Um Outback inteirinho pra mim

– E saúde para fazer tudo isso.

Lembranças de repórter

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Sexta-feira foi dia do primeiro happy hour da imprensa da Petrobras. Ok, o grupo estava bem reduzido, mas foi ótimo poder conhecer um pouco mais de pessoas que passam a maior parte do tempo ao nosso lado, mas de quem sabemos quase nada.

 

O papo foi bem variado, mas não podíamos deixar de falar da profissão, é claro. Foi aí que, ouvindo as histórias de Ricardinho, comecei a pensar no que já tinha feito como repórter.

 

Apesar de ter trabalhado em um jornal especializado e bissemanal, passei por algumas experiências que me fizeram crescer bastante como jornalista. Vou contar uma delas:

 

Estava eu, às seis da manhã, no posto do INSS em Irajá, fazendo mais uma entrevista com pessoas na fila de atendimento (perdi a conta de quantas vezes fiz essa mesma matéria). Saindo de lá, lembrei que tinha visto no site do Ministério da Previdência que a diretora de Recursos Humanos do INSS estaria na superintendência do Rio naquele dia.

 

Como já estava na rua, resolvi passar lá e falar com a assessora de imprensa que, naquela época, já tinha virado minha amiga. Sei que essa “iniciativa” não é muito comum, mas é que meu chefe de reportagem não tinha a menor noção de nada e eu sempre me pautava sozinha.

 

Chegando na superintendência do INSS, a Patrícia me disse que o vôo do pessoal de Brasília tinha atrasado e que eles se reuniriam à tarde. Ela disse ainda que me ligaria assim que eles estivessem liberados.

 

Voltei para a redação sem acreditar mais na pauta, já que achava difícil a assessora me ligar, por mais boa vontade que tivesse. E não é que ela ligou? Estava quase indo embora quando recebi seu telefonema e fui direto para a tal reunião.

 

Chegando lá, não só entrevistei a diretora de RH como também o presidente do INSS e o superintendente no Rio. Além disso, consegui, em primeira mão, o ofício que tinha sido enviado naquele dia para o Ministério do Planejamento, com as 10.500 vagas solicitadas (nunca vou esquecer esse número!).

 

Na redação, dei a notícia para o chefe, que ficou felicíssimo, é claro. Afinal, ele nem contava com essa manchete. Ainda escrevi uma contra-capa de 150 linhas e fui pra casa feliz da vida. Furamos O Dia e o Extra, que só foram dar a matéria dois dias depois.

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Faço aqui um parêntesis, aproveitando o gancho. É impressionante como tanto O Dia como o Extra não se preocupam em dar a informação precisa, quando o assunto é concurso (também não posso afirmar quanto ao resto, mas é que só acompanhava essa parte). Na Folha Dirigida, essa era uma das nossas maiores preocupações, porque 10 mil vagas é bem diferente de 9.800, por exemplo. E os dois jornais cansavam de arredondar o número de vagas, sem compromisso com o leitor.

 

Durante os três anos em que trabalhei lá, sempre procurei colocar em prática uma frase que ouvi do meu amigo e grande jornalista Jorge Eduardo Machado, hoje na Radiobrás, que dizia que ser jornalista é ser preciso na informação.

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Cumpri a promessa que fiz aqui, de comer muito brigadeiro no fim de semana. E, pra não dizer que só fiquei no ócio, finalmente engrenei no “Código Da Vinci”.

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Agora, mais do que nunca, tenho que levar meus textos a sério, pois recebi um elogio de peso. Meu professor da UFF, Dênis de Moraes, do qual já falei aqui, entrou no blog e gostou dos meus textos. Felicidade sem tamanho!