Arquivo mensal: junho 2005

Cética

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Não adianta escrever carta para os jornais; não adianta revoltar-se e chorar; não adianta dizer que não vai mais votar; não adianta admitir que foi traído e enganado; não adianta pensar que mais nada de pior pode acontecer (sempre há algo pior); não adianta ter esperança; não adianta ter medo; de nada adianta:

 

O PT morreu e Lula está convalescendo…

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Eu tenho as respostas!

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Sabe quando a sua felicidade está totalmente dissociada de uma pessoa ou de um fato isolado?

 

Sabe quando você se sente leve pelo simples fato de poder fazer o que quiser, com quem quiser e quando quiser?

 

Sabe quando, mesmo assim, tudo o que você faz é sair com pessoas que te fazem bem e te divertem como você nunca experimentou?

 

Sabe quando você não precisa se preocupar com o que fazer no fim de semana, porque sempre há algo muito especial para fazer (nem que seja ir ao Mistura Fina numa quarta à noite assistir a um show de blues)?

 

Sabe quando você chega a pensar em atravessar a ponte de vez para ficar mais perto dessas pessoas e não ter que incomodar sua amiga?

 

Sabe quando você pensa no futuro e tem a certeza de que vai dar tudo certo?

 

E, finalmente, alguém sabe por que isso não aconteceu antes?

O futuro e sua incerteza

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Fiz esta poesia ontem, em raro dia de inspiração:

 

Se a vida da gente é eterna busca

Se os olhos da gente nunca se enganam

Se quem cuida da gente é a gente mesmo

Então estou no caminho certo.

 

Não acredito em duendes, fadas ou afins

Não aposto na Sena, bingo ou coisa assim

Mas anoto na memória tudo o que vejo

E o mais importante cravo no peito.

 

Converso com meu coração e razão

Ambos me levam a destino seguro

Não ouso consultar somente um

Só há equilíbrio se tenho os dois na mão.

 

Cuidados excessivos de nada adiantam

Relutar pelo inevitável é coisa vã

Prefiro seguir o rio e a correnteza

Escolho o futuro e sua incerteza.

Muito mal na fita

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Confesso que minha frustração com esse assunto é maior que a minha vontade de escrever. Mesmo assim, vou tentar passar um pouco do que assisti do depoimento do deputado Roberto Jeferson, na Câmara dos Deputados.

 

– Em performance de ator global, Bob Jeff expôs toda a podridão da classe política e toda a relação indecente dos partidos. Não que não soubéssemos disso, mas até ontem ninguém havia admitido, em tom de confissão e com riqueza de detalhes, que o Congresso é sim um mar de lama.

 

– São tantas as situações criminosas, que o esquema do “mensalão” nem choca tanto mais. Bob Jeff confessou que não disse nada em seu primeiro depoimento (logo após a divulgação da fita dos Correios) porque ainda acreditava em um acordo. Traduzindo: ainda acreditava que poderia haver uma troca de favores com o governo ou até uma troca de $, por que não? E o pior é que ele disse isso como se fosse a coisa mais normal do mundo.

 

– Agora, é fato: para a “raposa velha” Roberto Jeferson revelar que recebeu R$ 4 milhões do PT como cidadão (isentando até seu partido), é porque ele sabe que chegou ao fundo do poço e que tem culpa do cartório sim. Porque se ele acreditasse na sua permanência no PTB e na Casa, não atiraria contra si próprio.

 

– Ontem troquei de canal quando vi a cara do Genoíno repetindo pela enésima vez que essa história toda é pura fantasia. Com certeza a história política dele, de José Dirceu, Delúbio e Sílvio Pereira não será mais a mesma. E nem pode ser.

 

– Não tenho a menor idéia do que pode surgir ainda com as investigações da CPI. Só sei que os deputados farão de tudo para se pouparem. Afinal, muitos ali têm alguma culpa no cartório, por menor que seja.

 

– Como já disse aqui no blog, eu lamento muito admitir que o partido no qual votei nunca foi diferente dos demais. Que o medo venceu a esperança sim, que o PT está decepcionando mais a cada escândalo e que o Lula de 1989 em nada se parece com o Lula de hoje. O meu sentimento é de temor pelo futuro, porque se eles não mudaram, quem mais vai mudar? Em quem vou votar? Dou um “mensalão” para quem tiver a resposta.

Palpites

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Esta semana os pitacos estão tomando o espaço das lembranças no blog (pra mim isso é ótimo). Mas, para minhas amigas que preferem ler minhas histórias, prometo que semana que vem tudo volta ao normal:

 

É muita cara-de-pau começar a reclamar da Seleção Brasileira depois da derrota para a Argentina. Até ontem, às 20h45, o Brasil era franco favorito, tinha o “quarteto dos sonhos”, blábláblá… O coitado do Galvão Bueno (argh!) começou o jogo tão animado, falando que Brasil e Argentina tinham mais semelhanças que diferenças… até ver o Adriano partir pra cima do Ayala e o Ronaldinho Gaúcho dar na cara do Sorín.

 

O Brasil tem mais time que a Argentina sim, só que eles entraram para ganhar e nós, de salto alto. Eles marcaram o tempo todo e aproveitaram os contra-ataques; mas nós não tínhamos jogadores de marcação no meio de campo. O Emerson ficou praticamente sozinho, já que Ronaldinho Gaúcho, Zé Roberto, Roberto Carlos, Cafu e Kaká raramente voltavam para marcar. Resultado: sobrou tudo para Juan e Roque Junior.

 

Não que o Parreira esteja certo em escalar sempre Edimílson, Gilberto Silva e companhia; mas contra a Argentina deveria ter sido este o time sim. Talvez ele não tenha mudado no intervalo porque era praticamente impossível virar o jogo àquela altura. Preferiu confiar no talento do quarteto, que até foi pra cima no segundo tempo (segundo me falaram, porque não vi), mas sem sorte e sucesso.

 

Outra coisa inaceitável: falar mal do Robinho. Hoje cheguei a ler um comentário no blog do Lédio Carmona, do Globo Online, que dizia que o Robinho é o novo Denílson na seleção. Aí já é sandice demais. Ninguém joga maravilhosamente bem o tempo todo e ontem realmente a Argentina não deixou o Brasil criar nada. Robinho é excelente e não é mais promessa; é real. Preciso enumerar quantas vezes ele provou isso no Santos? Até admito que ele possa ter sentido a pressão do jogo e da torcida, que não parou de cantar um minuto sequer. Mas ele é craque. E ponto final.

 

OBS: Não resisti e publiquei uma foto do Kaká, o colírio da Seleção…

 

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Só pra não dizerem que não falei mais no “mensalão”: Veríssimo, como sempre, matou a pau em sua coluna no O Globo. Vejam:

 

“Não fosse por um detalhe, o que estaria em curso hoje no Brasil seria um clássico golpe conservador, como todo o seu arsenal de moralismo seletivo e denuncismo dirigido, contra um inadmissível governo de esquerda. O detalhe que falta, claro, é o governo de esquerda.
No fim, a explicação que tem de ser dada não é a dos suspeitos para os jornais e as CPIs, é a do PT para os seus militantes e eleitores, para aquele cara acenando sua bandeira vermelha na esquina, sozinho, de graça, porque acreditava e confiava. E o que precisam lhe explicar é por que mágica seu voto no PT deu num Roberto Jefferson com tantos poderes no governo, inclusive o de derrubá-lo.”