Arquivo mensal: agosto 2005

Algumas loucuras da crise

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– Severino, o pizzaiolo, defende uma pena mais branda para os deputados que “apenas” cometeram crime eleitoral;

 

– Delúbio Soares até hoje não foi expulso do PT;

 

– Dirceu reafirma que não sai da chapa que disputa a presidência do partido, mesmo estando em vias de ser cassado;

 

– Tarso Genro prometeu limpar o PT e, em troca, foi obrigado a desistir da candidatura por causa do enorme poder de… Dirceu!;

 

– Lula dá esporro na elite (?), pede paciência ao povo, culpa a imprensa e está cada vez mais obcecado por JK;

 

– Onde está Silvinho Pereira e sua Land Rover?

 

– Cesar Maia não pára de criticar o governo (não o dele, o do Lula) em seu blog. Mas esquece de cuidar do Rio, à beira do caos;

 

– A crise pega fogo e a economia dá sinais positivos (até quando?);

 

– Sarney, Severino e Renan Calheiros são os novos conselheiros de Lula;

 

– Marcos Valério disse ao Noblat que vai criar um blog, porque fica indignado quando lê tanta notícia absurda a seu respeito (essa é muito boa, confessem!);

 

Quem quiser, pode enriquecer esta lista com mais bizarrices da crise. Garanto que esqueci de muitas outras…

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Vontade de escrever

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Não sei se com você é assim, mas eu sinto que, quanto mais faço o que ainda não tinha feito, mais tenho vontade de fazer o que está por fazer e, quando fizer, vou querer fazer ainda mais. Só para nada perder. E tudo fazer.

Não sei se com você é assim, mas sinto saudade de pessoas queridas e essa saudade que bate quando a gente nem pensa em saudade é tão forte que arde o coração de quem sabe que a saudade, ainda que tarde, move a vida. Mas é certo que a saudade é a perda de momentos com quem a gente ama e por isso dói tanto sentir saudade de mãe.

 

Não sei se com você é assim, mas gostar de alguém gostanto muito é difícil de explicar, porque se a gente gosta pouco só gosta e pronto; mas se a gente gosta bastante é um gostar muito grande, que não cabe num papel ou dentro de um computador. Gostar de alguém que merece o nosso gostar é muito gostoso.

 

Não sei se com você é assim, mas a vida passa tão rápido, tão louca, que a gente vive cada dia da vida sem pensar no quanto ela é pequenina, essa louca vida. E que se a gente não aproveita a vida não vive direito, vive sem jeito, com defeito, sem respeito. Mas quem olha a vida com olho vivo percebe o sentido que conta, o da vida.

  

Vai dizer que com você não é assim?

Enquanto o amanhã não chega

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Às vezes penso que, daqui a alguns anos, quando for ler este blog, terei várias surpresas com o que escrevi e as coisas que postei. Por isso, faço dele quase que uma agenda de recortes, daquelas que a gente vai colando papéis de bala, cartinhas do namorado, fotos da família… até ficar bem grossa e com cara de diário.

 

Tudo isso para dizer que não posso deixar de postar aqui o texto da coluna do Veríssimo de domingo. Simplesmente maravilhoso, como só ele sabe escrever. Ele é mestre. E tenho certeza de que, daqui a alguns anos, continuarei pensando o mesmo dele. Leiam e vejam se não estou certa:

 

“Leitores têm estranhado minha reticência em relação ao escândalo que domina o noticiário e as conversas e ameaça fazer o Brasil cair no caos, ou nas mãos do Severino. Estranho a estranheza. A reticência não é tanta assim, tenho dado meus palpites. Mas alguém esperava que eu fosse participar de um massacre só para parecer imparcial? Critico o governo Lula desde que ficou claro que sua política econômica seria a do PSDB e que iria de Malan a pior e não tenho nenhuma ligação com o PT fora a simpatia declarada e alguns amigos. Mas não devo nenhum tipo de contrição pelo que acreditava e não vou contribuir nem com silêncio constrangido para a tese propagada com furiosa euforia pela direita, de que a ruína do PT é a ruína definitiva da esquerda no Brasil e a prova de que um governo de origem popular não tem competência nem para esconder sua sujeira sob o tapete como gente mais preparada — sem falar nos seus erros de português — o que dirá administrar um país. O PT que saia, se puder, do lodaçal em que se meteu e — para repetir o mantra do momento, nem sempre dito com muita sinceridade — que tudo seja investigado e todos os culpados sejam punidos, mas que se chame o fervor ideológico que move certos políticos e certa imprensa pelo seu nome verdadeiro: massacre.Não sou imparcial. Sou parcial a tudo que prometa nos tirar desta triste rotina de oligarquias eternizadas e privilégios intocáveis, ou miséria eternizada e submissão intocável, e a esta outra triste rotina de governos de esquerda abatidos no nascedouro — quando não se autodestroem. E, claro, ao Internacional e ao Botafogo, mesmo quando não merecem.

No Brasil, ser objetivo é quase uma forma de cumplicidade.”

Amor bastante

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De Paulo Leminsk:

Quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instantebasta um instante
e você tem amor bastante

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto.

 

Sobre mães heroínas

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Hoje de manhã lembrei de uma história de família muito boa, que merece registro aqui no blog. Afinal, trata-se de uma ótima lembrança.

 

Diz o senso comum que homens servem para matar baratas e outros bichos e para abrir latas de palmito, certo? Lá em casa esse ditado nunca funcionou. Meu pai, apesar de ser machista de carteirinha, jamais cumpriu essas funções, digamos, masculinas. Resultado: minha mãe se encarregava de matar todos os seres indesejáveis que apareciam lá em casa, desde baratas, lagartixas a … Morcegos!!!!

 

Pois é, em frente ao apartamento lá de Cachoeiro há uma pracinha cheia de árvores e perfeita para o habitat desses mamíferos que voam (olha a aula de Biologia aí!). Embora soubéssemos que eles poderiam entrar na sala se as janelas estivessem abertas, o calor era tanto que, num belo dia, descuidamos e esquecemos dos bichos.

 

Estavam na sala eu, mamãe, papai, Lara e Nininha quando um morcego deu um vôo rasante pela sala. Eu e minhas irmãs não pensamos duas vezes e fomos para o quarto, aos berros, subimos em cima da cama, trancamos a porta e começamos a gritar.

 

Nesta hora, quando papai deveria pedir calma e ir atrás do bicho, o que ele fez? Agachou-se na sala e foi se arrastando até o quarto, gritando: “Filho da $%@!*!”, porque o morcego quase atingiu sua cabeça.

 

Sobrou quem? Minha corajosa mãe, que foi pegar uma vassoura para espantar o bicho e matá-lo. Meu pai só saiu do quarto depois da missão cumprida, afirmando que não tinha medo do morcego, mas nojo! Ahã, claro…

 

O episódio se repetiu algumas vezes. Uma delas foi quando eu estava no meu quarto, à tarde, estudando para o vestibular, e resolvi dar uma volta pela casa para espairecer. Chegando perto da mesa da sala, me deparo com uma coisa preta no chão e como estava um pouco escuro, não consegui ver o que era. Quando percebi que se tratava de um morcego, quase morri do coração e saí gritando por minha mãe. Ela, mais uma vez em ato heróico, matou o bicho sozinha.

 

Viva as mães donas-de-casa e corajosas!!! Quero ser como ela quando crescer!

Desabafo

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Estava aqui, buscando inspiração para escrever, quando me deparo com o texto da coluna do João Ubaldo, no O Globo de ontem. Já disse várias vezes que meu sentimento, nessa história toda, é de pura frustração com um governo no qual votei e acreditei piamente. Semana passada achei, no fundo da gaveta, a camisa que comprei na última eleição. Nela está escrito: “Eu quero um Brasil diferente. Lula presidente”.

 

Triste, não? Triste ver que, se existe diferença, é para muito pior. É claro que sempre houve caixa dois em toda eleição, que havia compra de votos de parlamentares no governo FHC, que nenhuma licitação é totalmente lícita, paradoxalmente. O presidente tem razão quando fala que isso é feito sistematicamente no Brasil.

 

Mas Lula se esquece do que todo mundo já cansou de dizer: que ninguém votou nele para isso, para que a política econômica não mudasse (e por isso os bancos continuam lucrando tanto), para que o superávit primário abafasse todo investimento, para que a picaretagem dos 300 picaretas continuasse.

 

O que estamos vendo na TV, com audiência de final de Copa do Mundo, é um lamaçal sem fim, uma podridão só. O PT não tinha o direito de fazer isso com o país. E hoje, apesar de tudo isso, eu sei que o PT não se resume a Delúbios, Silvinhos, Dirceus e Genoínos. Há gente muito boa, sim. Cristovam Buarque, Suplicy, Frei Beto, Tarso Genro, Mercadante (esse, com ressalvas), Chico Alencar. Mas essas pessoas, infelizmente, nunca serão capazes de apagar a decepção da sociedade com o partido. Isso não tem volta.

 

O que me indigna é ter que engolir os discursos de palanque do ACM Neto, Eduardo Paes, Rodrigo Maia e de toda essa corja que nunca valeu o chão que pisa. E que agora esbravejam ética. Lamentável ter que assistir calada aos discursos do Artur Virgílio e do FHC.

 

Sexta-feira tive uma discussão acalorada no aniversário de um amigo. Sim, a política é assunto até na pizzaria. Fiquei possessa ao ver pessoas defendendo o FHC e seus comparsas, com argumentos até sólidos. Isso é inaceitável para alguém como eu, que já cheguei a me emocionar vendo o Lula, de perto, discursar no Fórum Social Mundial. Não esqueço da música que cantamos durante oito dias: “Aqui um outro mundo é possível se a gente quiser”.  

 

Enquanto isso, Lula não cansa de fazer o que mais sabe: bravatas. Resolveu parar de viajar e comparecer a todos os eventos de sindicatos e afins. Só que há um detalhe importante: além de ser tarde demais, soa tão falso que ninguém mais agüenta. Fora o dom que ele tem de falar bobagens. O que era engraçado no começo do seu governo, agora está insustentável.

 

Ainda não vislumbro uma solução para isso tudo. Sei que estamos vivendo um momento decisivo, onde ou tudo vai dar em pizza, ou alguma transformação profunda vai acontecer. Fico com a segunda opção. A conferir.

Alguns rabiscos meus

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Essa mania de procurar palavras

De explicar o instante

Torna-me irritantemente certeira

Ou prolixa.

 

Pouco adianta o que penso

Se está fora de mim o entender

Se, passiva, te vejo a me olhar

E, calada, falo tudo a você.

 

Involuntariamente sua…

 

Custo a crer no que sempre quis

Parece tão exatamente mais do que pedi

Por isso as palavras que teimam surgir

Ainda são nada, sonhos estão por vir.

 

Esperando palavras que me ensinas a proferir.