Desabafo

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Estava aqui, buscando inspiração para escrever, quando me deparo com o texto da coluna do João Ubaldo, no O Globo de ontem. Já disse várias vezes que meu sentimento, nessa história toda, é de pura frustração com um governo no qual votei e acreditei piamente. Semana passada achei, no fundo da gaveta, a camisa que comprei na última eleição. Nela está escrito: “Eu quero um Brasil diferente. Lula presidente”.

 

Triste, não? Triste ver que, se existe diferença, é para muito pior. É claro que sempre houve caixa dois em toda eleição, que havia compra de votos de parlamentares no governo FHC, que nenhuma licitação é totalmente lícita, paradoxalmente. O presidente tem razão quando fala que isso é feito sistematicamente no Brasil.

 

Mas Lula se esquece do que todo mundo já cansou de dizer: que ninguém votou nele para isso, para que a política econômica não mudasse (e por isso os bancos continuam lucrando tanto), para que o superávit primário abafasse todo investimento, para que a picaretagem dos 300 picaretas continuasse.

 

O que estamos vendo na TV, com audiência de final de Copa do Mundo, é um lamaçal sem fim, uma podridão só. O PT não tinha o direito de fazer isso com o país. E hoje, apesar de tudo isso, eu sei que o PT não se resume a Delúbios, Silvinhos, Dirceus e Genoínos. Há gente muito boa, sim. Cristovam Buarque, Suplicy, Frei Beto, Tarso Genro, Mercadante (esse, com ressalvas), Chico Alencar. Mas essas pessoas, infelizmente, nunca serão capazes de apagar a decepção da sociedade com o partido. Isso não tem volta.

 

O que me indigna é ter que engolir os discursos de palanque do ACM Neto, Eduardo Paes, Rodrigo Maia e de toda essa corja que nunca valeu o chão que pisa. E que agora esbravejam ética. Lamentável ter que assistir calada aos discursos do Artur Virgílio e do FHC.

 

Sexta-feira tive uma discussão acalorada no aniversário de um amigo. Sim, a política é assunto até na pizzaria. Fiquei possessa ao ver pessoas defendendo o FHC e seus comparsas, com argumentos até sólidos. Isso é inaceitável para alguém como eu, que já cheguei a me emocionar vendo o Lula, de perto, discursar no Fórum Social Mundial. Não esqueço da música que cantamos durante oito dias: “Aqui um outro mundo é possível se a gente quiser”.  

 

Enquanto isso, Lula não cansa de fazer o que mais sabe: bravatas. Resolveu parar de viajar e comparecer a todos os eventos de sindicatos e afins. Só que há um detalhe importante: além de ser tarde demais, soa tão falso que ninguém mais agüenta. Fora o dom que ele tem de falar bobagens. O que era engraçado no começo do seu governo, agora está insustentável.

 

Ainda não vislumbro uma solução para isso tudo. Sei que estamos vivendo um momento decisivo, onde ou tudo vai dar em pizza, ou alguma transformação profunda vai acontecer. Fico com a segunda opção. A conferir.

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