Enquanto o amanhã não chega

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Às vezes penso que, daqui a alguns anos, quando for ler este blog, terei várias surpresas com o que escrevi e as coisas que postei. Por isso, faço dele quase que uma agenda de recortes, daquelas que a gente vai colando papéis de bala, cartinhas do namorado, fotos da família… até ficar bem grossa e com cara de diário.

 

Tudo isso para dizer que não posso deixar de postar aqui o texto da coluna do Veríssimo de domingo. Simplesmente maravilhoso, como só ele sabe escrever. Ele é mestre. E tenho certeza de que, daqui a alguns anos, continuarei pensando o mesmo dele. Leiam e vejam se não estou certa:

 

“Leitores têm estranhado minha reticência em relação ao escândalo que domina o noticiário e as conversas e ameaça fazer o Brasil cair no caos, ou nas mãos do Severino. Estranho a estranheza. A reticência não é tanta assim, tenho dado meus palpites. Mas alguém esperava que eu fosse participar de um massacre só para parecer imparcial? Critico o governo Lula desde que ficou claro que sua política econômica seria a do PSDB e que iria de Malan a pior e não tenho nenhuma ligação com o PT fora a simpatia declarada e alguns amigos. Mas não devo nenhum tipo de contrição pelo que acreditava e não vou contribuir nem com silêncio constrangido para a tese propagada com furiosa euforia pela direita, de que a ruína do PT é a ruína definitiva da esquerda no Brasil e a prova de que um governo de origem popular não tem competência nem para esconder sua sujeira sob o tapete como gente mais preparada — sem falar nos seus erros de português — o que dirá administrar um país. O PT que saia, se puder, do lodaçal em que se meteu e — para repetir o mantra do momento, nem sempre dito com muita sinceridade — que tudo seja investigado e todos os culpados sejam punidos, mas que se chame o fervor ideológico que move certos políticos e certa imprensa pelo seu nome verdadeiro: massacre.Não sou imparcial. Sou parcial a tudo que prometa nos tirar desta triste rotina de oligarquias eternizadas e privilégios intocáveis, ou miséria eternizada e submissão intocável, e a esta outra triste rotina de governos de esquerda abatidos no nascedouro — quando não se autodestroem. E, claro, ao Internacional e ao Botafogo, mesmo quando não merecem.

No Brasil, ser objetivo é quase uma forma de cumplicidade.”

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