Arquivo mensal: setembro 2005

Um pouco de nostalgia

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Coincidência ou não… Sentei pra escrever, já com a idéia na cabeça, e coloco uma música. Adivinha qual começa a tocar? O tempo não pára, de Cazuza.

Pensava justamente sobre o tempo. Como é difícil lidar com ele. Como ele é relativo, já disse Einstein. Como ele passa e não pára mesmo.

Ontem vi no fotolog de uma grande amiga de infância uma foto dos meus amigos de escola, Guimarães Rosa. Como era boa aquela época, como nós nos divertíamos e nem nos dávamos conta disso. Era tão bom vestir aquele uniforme verde e rosa, ir a pé pra escola (pra mim esse era o clímax da liberdade!), ficar perturbando a Tia Dina (a inspetora), jogar queimada na entrada do Guima, ir ao shopping no recreio. Além dos professores, é claro, cada um com sua característica, frases inesquecíveis. Havia os engraçados, os malas, os companheiros…

Na foto estávamos na frente da escola, tínhamos acabado de acordar, mas parecíamos felizes. Eu, Lorena, Roberta, Egly, Ju, Gastãozinho, Bruno, Felipe, Marcela e Renatinha. Meu coração ficou apertado quando lembrei daquela época. Que, uma pena, não volta mais.

E o tempo… acordo hoje com uma saudade inexplicável dos meus pais, das minhas irmãs e do meu sobrinho. Dei-me conta de que há seis anos não convivo mais com eles. Não vi a adolescência da minha irmã Lara, não estou vendo meus pais envelhecerem, não vejo minha irmã casada, não a vejo como mãe, não vejo o Guilherme, com pouco mais de um aninho. Não estou por perto para acompanhar a faculdade da minha irmã, para ver os bolos e docinhos que minha mãe faz, pra assistir jogo com meu pai na sala, pra dar susto na minha irmã Aline, pra brincar com o Gui. Há seis anos minha vida é uma correria só.

Construir meu futuro, essa é a hora. Definir prioridades, encontrar o amor pra vida toda. Todo mundo passa por isso, todos os filhos batem as asas. Mas precisa ser dolorido, às vezes? Por que não posso chegar em casa e deitar no colo da minha mãe, assistir TV e pensar, pelo menos por um segundo, que não preciso acordar cedo no outro dia, que não preciso olhar minha planilha de gastos do mês, que não preciso pagar o aluguel, a luz, o jornal, etc?

Por que eu cresci tão rápido?

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Fita meus olhos

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Do mestre Cartola:

Fita os meus olhos
Vê como eles falam
Vê como reparam o seu proceder
Não é preciso dizer deve compreender
Até mesmo notar só no meu olhar
Não abuses por eu te convessar
Que nascestes só para eu te amar
Gosto tanto tanto de você
Que os meus olhos falam o que não vê
Ainda há de chegar o dia
Que eu hei de ter tanta alegria
Quando você souber compreender
Num olhar o que eu quero dizer.

Dois Filhos de Francisco

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Deixei o preconceito em casa e fui assistir ontem a “2 Filhos de Francisco”. Não me arrependi. O saldo foi muito positivo, até chorei no final (o que, no meu caso, não quer dizer muita coisa). Foi bem mais do que eu esperava, mas bem menos do que o estardalhaço feito pela imprensa. Definitivamente, não é o melhor lançamento nacional do ano. “Bendito fruto” é muito melhor, só pra citar um filme.

 

A história da dupla Zezé di Camargo e Luciano, sob a ótica do pai, Francisco, é muito bem contada por Breno Silveira, Patrícia Andrade e Carolina Kotscho, que fizeram um roteiro coerente do início ao fim. Mas o filme se arrasta além do necessário e se perde um pouco da metade em diante. Nada imperdoável, já que o final é marcante. Destaque para as atuações de Ângelo Antônio, Dira Paes e Lima Duarte.

 

Outro ponto alto do filme é a versão de “É o amor”, cantada por Maria Bethânia. Genial e emocionante. Afinal, quem não sabe de cor a letra dessa música, que atire a primeira pedra. Certamente eles não venderam 1 milhão de cópias à toa. O Brasil é muito parecido com a dupla e está cheio de histórias assim. Talvez seja esse o grande trunfo do filme.