Arquivo mensal: maio 2008

Partida

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Quando alguém especial se vai, deixa uma lacuna que não pode ser preenchida. Nesse momento, é possível entender a essência do significado da palavra saudade.

Não a verei mais aos domingos, não terei mais aquele abraço tão gostoso, não poderei rir mais de suas frases e tiradas inesquecíveis. A vida fica um pouco mais dolorida.

“Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”

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Linda música de Jorge Drexler, em versão de Paulinho Moska. As canções de Drexler fazem parte da minha vida desde “Al outro lado del río”, trilha do inesquecível “Diários de Motocicleta”. 

Não somos mais que uma gota de luz
Uma estrela que cai, uma fagulha tão só
Na idade do céu.

Não somos o que queríamos ser
Somos um breve pulsar em um silêncio antigo
Com a idade do céu.

Calma
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure, deixe que o tempo cure
Deixe que a alma tenha a mesma idade
Que a idade do céu.

Quero uma dessas!

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Não são de apaixonar essas latas da Imaginarium? Adorei as Matrioskas e procurei saber mais sobre elas. Achei uma história muito fofa e engraçada sobre o surgimento dessas lindas bonequinhas russas:

“Um senhor que esculpia e vendia bonecas uma vez fez uma boneca tão bonita que não quis vendê-la, levou para a sua casa e colocou no seu criado mudo e deu o nome a ela de Matrioshka. Todas as noites antes de dormir, perguntava a Matrioshka se estava feliz. Até que em certa noite Matrioshka pediu um bebê.

Então o senhor esculpiu uma boneca menor chamada Trioshka, serrou a Matrioshka e colocou o bebê dentro dela. Mas logo na noite seguinte, a Trioshka também pediu um bebê. E lá se foi o senhor e fez uma boneca e colocou dentro da Trioshka, desta vez a bebê se chamava Oshka.

 

Assim seguindo o caminho das outras, na noites seguinte Oshka pediu um bebê e lá se foi novamente o senhor fazer mais um bebê. Só que desta vez pensando que isso não iria acabar mais, o senhor fez o bebê e desenhou rapidamente um bigode nele e o chamou de Ka, garantindo que seria homem e não iria pedir um bebê novamente”.

Rio, eu gosto de você

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Sempre que chego ao Rio, de avião, lembro da música do Tom, que para mim é a mais bonita e a que melhor define a cidade maravilhosa: “Minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro, estou morrendo de saudades…”.

Sou carioca de coração e amo essa cidade. Adoro poder ir de casa para o trabalho e sempre me deparar com uma paisagem linda, com algo que me chama a atenção por sua beleza natural. Passei seis anos atravessando a Baía de Guanabara, todos os dias. Não preciso dizer mais nada, né? Lindo demais.

De tão maravilhosa, essa cidade virou um paradoxo. A violência enclausura e inibe o direito de ir e vir. Por isso, apesar de admirar tanto as belezas do Rio, não vejo a hora de sair daqui. Preciso viver.

Mas a violência não era o assunto desse post. Falava da minha chegada de avião. Aconteceu domingo à noite. Ainda com a música do Tom na cabeça, sinto o avião pousar no aeroporto do Galeão (que também é do Tom). Maravilha, estava louca pra chegar em casa. Mas, no momento em que o avião estava usando toda a sua potência para frear, senti o odor terrível vindo da Ilha do Fundão. Que fique bem claro que eu ainda estava no avião, com todas as portas fechadas.

Sim, essas são as boas-vindas que os moradores e turistas recebem ao chegar ao Rio. Aquele cheiro de esgoto insuportável e uma sensação de “abre logo essa porta!”. Imediatamente pensei que, desde que vim para o Rio, há nove anos, a situação daquele lago, canal – sei lá como aquilo se chama – não muda. E se muda, com certeza é para pior.

Fiz uma pesquisa rápida no Google para ver o que se fala sobre o tal esgoto da Ilha do Fundão. Encontrei uma notícia de agosto de 2007, dizendo que o então secretário de Meio Ambiente e agora ministro Carlos Minc iniciaria obras no canal em novembro. Segundo a matéria, serão construídas duas estações de tratamento de esgoto no local. Com o dinheiro da Petrobras, claro.

Estamos em maio de 2008 e o cheiro em nada mudou. Confesso que não costumo passar por lá durante o dia e, por isso, não vi se já existe alguma obra. É pagar pra ver se esse factóide vira fato. Tomara que sim!

Nos tempos do Tom, acho que a situação era um pouco melhor: “Aperte o cinto, vamos chegar. Água brilhando, olha a pista chegando e vamos nós pousar…”.

Bandeira branca

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Marina se foi. E com ela o último suspiro do que restava de esperança. Marina destoava há tempos, mas penso que era mantida justamente por isso: ela representava a pontinha de consciência militante que ainda perdurava em algumas mentes do Planalto.

Militante vem de militar, de lutar por aquilo que se lutou sempre. Simplesmente não abandonar o que começou no princípio, quando os holofotes estavam desligados. Marina foi a mais jovem senadora eleita no país, com 38 anos. Ela sabe o que é viver na Amazônia e conviver com Chico Mendes. Perguntada sobre qual é o maior crime que se comete hoje, ela responde: “O desmatamento da floresta”.

De aparência frágil, talvez por causa das tantas doenças que pegou na mata, Marina resistiu muito. Eu mesma não entendia as discussões em torno da transposição do rio São Francisco e pensava: “O que ela tá fazendo lá?”. Acredito que ela imaginava ter voz ainda, ter força pra ir contra tudo aquilo. Mas não havia quem a acompanhasse. E por isso ela o abandonou.

Marina sai, mas volta ao Senado. Estou curiosa para ver o que ela vai fazer por lá.

O silêncio do trocador

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Sexta-feira, 18h. Fim de uma semana agitada no trabalho, cansaço só em pensar no trânsito até a volta pra casa. Vou para o ponto e, como sempre, tenho que esperar, no mínimo, 20 minutos até conseguir sentar (ninguém agüenta duas horas em pé no ônibus).

É bem verdade que houve dias em que a espera já chegou a 40 minutos, isso sem contar o tempo que levo até chegar em casa. O fato em si já é injustificável, ainda mais em horário de rush. Como se não bastasse, ainda vejo, do outro lado da rua, uma fila enorme de “frescões” – aqueles que custam mais que o dobro do ônibus normal – saindo vazios rumo à Zona Oeste.

Alguns cedem e fazem justamente o que os milionários donos de empresas de ônibus querem: saem da fila gigantesca e pegam o frescão. Eu, além de não poder aumentar meu gasto com transporte, ainda resisto à pressão por convicção mesmo. E continuo esperando…

Enquanto estou na fila, branco total: esqueço quanto custa a passagem. Do nada, sem motivo, fico na dúvida cruel se o preço é R$ 2,55, R$ 2,65 ou R$ 2,85. Puxo pela memória, mas não vem nada. Enfim, tenho a ligeira impressão de que é R$ 2,85. Separo o dinheiro.

Quando entro no ônibus, tento localizar alguma placa com o preço da passagem, mas não há nenhuma. Dou o dinheiro ao trocador, ele conta as moedas e libera a roleta. Sento nos bancos da frente e penso que estava certa, a passagem era mesmo R$ 2,85.

No meio da viagem, entre um cochilo e outro, ouço o trocador dizer a um passageiro, que parecia ser seu amigo: “Pois é, cara, a passagem tá R$ 2,55 há um tempão. Daqui a pouco aumenta”.

Acordo na mesma hora e levo um susto. Sim, eu dei R$ 0,30 a mais e o trocador nada falou ou fez. Penso se ele contou mesmo as moedas, se não percebeu o engano ou se teve consciência de que lhe dei dinheiro a mais e, mesmo assim, calou-se.

Fico imaginando como seria a vida desse homem, jovem ainda, uns 30 anos no máximo. Se era a primeira vez que ele fazia isso ou se já havia se calado outras vezes diante de um troco errado. Será que ele agiria da mesma forma se eu tivesse dado dinheiro a menos? Será que não perceberia, deixaria passar?

Pode parecer bobagem, mas fiquei pensando a noite toda no episódio. Talvez porque sou tão correta com dinheiro, odeio ficar devendo aos outros e, por diversas vezes, já devolvi troco que recebi a mais. Os centavos que perdi são irrisórios, jamais me fariam falta, mas o rosto indiferente e distante do trocador não me saía da cabeça.

É muito fácil reclamar dos escândalos envolvendo falcatruas milionárias. É mais fácil ainda condenar políticos e empresários que nelas se envolvem. Mas este país nunca será decente se não há honestidade no dia-a-dia, no tratamento com o próximo. Enquanto gente comum continuar perdendo R$ 0,30, não mudará muita coisa por aqui.

Não leio jornais

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Mais do mesmo. É o que vejo todos os dias, ao abrir os jornais. Mais do mesmo sensacionalismo, do mesmo medo de menos anunciantes, da mesma decadência. Por isso, radicalizei: não leio mais jornais. 

Até aí, tudo bem, conheço tantas pessoas que fazem isso e vivem tranqüilas, alheias às falcatruas do Congresso, ao vai-e-vém das Bolsas, ao surgimento de novas celebridades instantâneas. Mas o problema é que eu sou jornalista. Jornalista por vocação, apaixonada pela escrita, pelos livros, pelas palavras e, mais recentemente, pelo mundo virtual.  

É claro que não posso – e não quero – me isolar do que acontece e, por isso, acompanho os jornais online durante todo o dia, leio a Piauí e ainda compro jornais aos domingos (por causa do Verissimo e do João Ubaldo)! E percebi que isso é suficiente para me manter atualizada e “abastecida” de informações que são realmente importantes e que, paradoxalmente, nunca estão nos jornais.  

Não sou daquelas que acha que a internet veio para acabar com os jornais impressos, mas estou comprovando, na prática, que eles estão cada vez mais descartáveis. Se eu já me informo sobre a notícia no momento em que ela acontece, não preciso lê-la de novo no jornal do dia seguinte. 

O que se discute é que os jornais devem conter informações factuais, mas com profundidade, para que o leitor tenha aquele algo a mais que não lhe foi dito na internet. Esse era o papel dado às revistas semanais, que, por sinal, estão nas últimas. Se não fossem os dossiês ultra-secretos…  

Não se pode mais dizer que o jornalismo online é muito recente, que ainda não deu tempo para os jornais impressos se realinharem. O que vejo é que eles já escolheram um caminho, só que o pior possível. Investem cada vez mais nos bastidores da política (e as pessoas querem saber o mínimo possível sobre essa podridão), nos encândalos da classe média e nas notícias que “escorrem sangue”. Cultura do medo, sociedade do espetáculo ou qualquer coisa parecida.  

E isso, definitivamente, não é o que eu quero ler. Falta bom-humor nos jornais (e não estou falando de charges), falta leveza, bom senso e feeling. Um exemplo: com certeza a maioria dos jornalistas que fizeram plantões e plantões insanos em frente à casa dos Nardoni sequer pararam para pensar no porquê daquilo tudo. A ordem era: sugar, sugar, sugar.  

Por isso tudo, repito: não leio jornais, não leio jornais!!!!