Não leio jornais

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Mais do mesmo. É o que vejo todos os dias, ao abrir os jornais. Mais do mesmo sensacionalismo, do mesmo medo de menos anunciantes, da mesma decadência. Por isso, radicalizei: não leio mais jornais. 

Até aí, tudo bem, conheço tantas pessoas que fazem isso e vivem tranqüilas, alheias às falcatruas do Congresso, ao vai-e-vém das Bolsas, ao surgimento de novas celebridades instantâneas. Mas o problema é que eu sou jornalista. Jornalista por vocação, apaixonada pela escrita, pelos livros, pelas palavras e, mais recentemente, pelo mundo virtual.  

É claro que não posso – e não quero – me isolar do que acontece e, por isso, acompanho os jornais online durante todo o dia, leio a Piauí e ainda compro jornais aos domingos (por causa do Verissimo e do João Ubaldo)! E percebi que isso é suficiente para me manter atualizada e “abastecida” de informações que são realmente importantes e que, paradoxalmente, nunca estão nos jornais.  

Não sou daquelas que acha que a internet veio para acabar com os jornais impressos, mas estou comprovando, na prática, que eles estão cada vez mais descartáveis. Se eu já me informo sobre a notícia no momento em que ela acontece, não preciso lê-la de novo no jornal do dia seguinte. 

O que se discute é que os jornais devem conter informações factuais, mas com profundidade, para que o leitor tenha aquele algo a mais que não lhe foi dito na internet. Esse era o papel dado às revistas semanais, que, por sinal, estão nas últimas. Se não fossem os dossiês ultra-secretos…  

Não se pode mais dizer que o jornalismo online é muito recente, que ainda não deu tempo para os jornais impressos se realinharem. O que vejo é que eles já escolheram um caminho, só que o pior possível. Investem cada vez mais nos bastidores da política (e as pessoas querem saber o mínimo possível sobre essa podridão), nos encândalos da classe média e nas notícias que “escorrem sangue”. Cultura do medo, sociedade do espetáculo ou qualquer coisa parecida.  

E isso, definitivamente, não é o que eu quero ler. Falta bom-humor nos jornais (e não estou falando de charges), falta leveza, bom senso e feeling. Um exemplo: com certeza a maioria dos jornalistas que fizeram plantões e plantões insanos em frente à casa dos Nardoni sequer pararam para pensar no porquê daquilo tudo. A ordem era: sugar, sugar, sugar.  

Por isso tudo, repito: não leio jornais, não leio jornais!!!!

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  1. Pingback: Feira da Ana Lúcia :: “Eu hoje dou a tudo de ombros, pouco me importam paz ou guerra e não leio jornais”, Alberto de Oliveira. :: April :: 2009

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