Eu quero ser, não quero ter

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Aprendi desde muito cedo que dinheiro não pode comprar o que há de mais importante na vida. Uma família bem estruturada, a cultura, a saúde, a memória. Nada disso está à venda, mas são valores fundamentais.

Meu pai nos pagava mesada toda sexta-feira. Não lembro quanto era, mas ele fazia uma média pela minha idade e a das minhas irmãs. Com esse dinheiro, comprava besteirinhas e ficava super feliz por me sentir um pouco independente.

Aos 18 fui estudar fora de casa. Morar em outra cidade, administrar o próprio dinheiro, pagar contas. Lidei com isso desde então, e hoje vejo que não me saí tão mal. Aos 20 ganhei meu primeiro salário. Ainda com as regalias do pai, pude comprar extravagâncias que jamais havia imaginado, como minha primeira bolsa da Victor Hugo (nada como o tempo, hoje jamais faria isso, acho essa marca o ápice da cafonice).

Confesso que tenho ímpetos consumistas, principalmente em dias de TPM. Receber a newsletter da nova coleção da Maria Filó é quase uma facada no peito. Mas as contas aumentaram e, junto com o casamento, cresceu minha responsabilidade. Agora não tem mais papai e mamãe. A bola está comigo.

Aos 26 comprei meu primeiro apartamento, junto com o marido, é claro. Foi uma aquisição sonhada e, graças a uma herança de família, hoje já praticamente quitada. Sempre que entro em casa e sinto aquele cheirinho tão gostoso, lembro Daquele que sempre me dá muito mais do que peço ou penso. Como é bom!

Por conta das contas do casamento, trocamos o carro já usado do marido por um mais velho ainda. A Parati 90, que em um ano nos deixou na mão inúmeras vezes, também nos deu alegrias e muita economia. E ela aguentou bastante. Subir e descer a serra todos os dias não é para qualquer carro.

Ontem pegamos o carro novo. É lindo, tem aquele cheirinho característico. É o carro que sonhamos. Pesquisamos muito, planejamos. Mas ainda assim não consigo parar de pensar que é muito mais do que eu mereço. E, de novo, lembro Daquele que me dá sempre mais do que penso ou peço.

No entanto, esses bens não teriam o menor sentido se com eles não viesse a felicidade. O amor. A alegria. A saúde. A cultura. A memória. O intangível, que não se pode comprar. Essa é a diferença.

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  1. Livinha, tenha certeza de que você merece cada pequena coisa (e as grandes também).

    Construindo o caminho e a fortaleza da felicidade.

    Muito bom conhecer e conviver com alguém como você!

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