O preço de um furo

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“O bom repórter é aquele que sabe encontrar quem sabe”. Ouvi essa frase do dono do jornal onde trabalhei e nunca a esqueci. É simples, mas sintetiza bem a arte da apuração precisa, um dos maiores desafios de um jornalista.

A credibilidade da fonte é tão importante quanto o próprio fato. Explico: uma notícia bombástica, com todos os “ingredientes” para a capa de um jornal só pode ser considerada se a fonte que forneceu a pauta é de confiança. Existem várias formas de checar isso e uma das mais simples é a investigação: saber quem é, coletar dados, tirar a prova, questionar, perguntar, perguntar e perguntar. Se a informação não for verdadeira, é batata: a fonte cai em contradição.

A boa apuração, grande prazer dessa profissão tantas vezes injusta, parece estar sendo deixada de lado. Afinal, o Google resolve metade dos problemas de um repórter com deadline estourado e o maravilhoso mundo da internet está aí pra ser explorado . Mas o problema é exatamente esse: a outra metade, que pode comprometer toda a matéria.

Exemplos? Tenho dois. Ivete Sangalo anuncia que está grávida. Imediatamente, o site Ego publica uma matéria cuja fonte é a página no orkut do namorado da cantora (veja foto abaixo da matéria). Eles reproduzem frases inteiras do tal perfil e as consideram como verdade. Resultado: o perfil do rapaz era falso.

O outro exemplo teve conseqüências bem piores. As ações da Apple caíram assim que foi divulgada pela CNN a notícia de que Steve Jobs havia sofrido um ataque cardíaco. Após o desmentido, descobriu-se que um jovem de 18 anos foi o autor do boato. Ele postou a notícia na área colaborativa do site da CNN.

As redes sociais e a web 2.0 trouxeram enormes benefícios à comunicação e promotem ainda mais. O erro não está nas ferramentas, mas sim na falta de apuração por parte dos veículos de imprensa. Uma notícia dada por uma fonte por telefone, pela internet ou pelo orkut deve ser checada com a mesma responsabilidade. Alguns jornalistas só não fazem isso porque preferem apostar no furo a qualquer custo. A velocidade em detrimento da verdade.

Atualização: Este texto está também no Observatório da Imprensa. Tô ficando chique!

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  1. Lívia,

    Também tomei nota da frase do seu chefe – “O bom repórter é aquele que sabe encontrar quem sabe” -, mas gostei muito mais de um raciocínio seu: “Se a informação não for verdadeira, é batata: a fonte cai em contradição”.

    Ótima observação, que só quem entende do riscado é capaz de fazer!

    Bruno Rodrigues
    : Especialista em Informação para a Mídia Digital ::
    : Autor de ‘Webwriting – Redação & Informação para a Web’ ::
    : Coordenador da Pós-Graduação ‘Gestão em Marketing Digital’ (DIG 1) das Faculdades Integradas Hélio Alonso (RJ) ::
    [ bruno-rodrigues.blog.uol.com.br ]
    [ http://www.twitter.com/brunorodrigues ]

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