Mais um capítulo da novela Dunga x Rede Globo

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dunga1“Dunga está chateado com o pessoal da Globo”, disse José Carlos Araújo, o “verdadeiro Garotinho”. O estopim do descontentamento teve como pivô o experiente repórter Renato Maurício Prado, que disse, no programa “Bem, amigos!” que o jogo contra Portugal seria o último do técnico pela Seleção Brasileira.

 

Coincidentemente, o convidado especial do programa naquele dia foi Muricy Ramalho, técnico do São Paulo, que pode ser tricampeão pelo clube. Não faltaram elogios de Galvão Bueno e companhia ao comandante tricolor. Qualquer pessoa, por mais desatenta que estivesse, perceberia o deslumbramento dos anfitriões pelo discurso de Muricy.

 

Ao chegar na Seleção, Dunga tomou medidas inéditas com a Rede Globo. Uma delas foi acabar com as regalias da emissora: nada de tendas montadas na concentração, muito menos entrevistas com os jogadores às três da madrugada. Seria esta a razão para tal comentário, devidamente blindado pelo sigilo da fonte?

 

As previsões do experiente repórter não se confirmaram – pelo menos por enquanto – e o Brasil ganhou de goleada dos portugueses. Teria acabado o complô contra Dunga? Ele receberia, enfim, alguma menção de competência? Parece que não.

 

A matéria d’O Globo, com título “Apesar da vitória sobre Portugal, Dunga começa 2009 ainda com o fantasma da demissão”, mostra que essa guerra não-declarada está longe do fim. O texto impressiona por diversos motivos: do início ao fim, carrega nas tintas ao sustentar que, apesar dos números a favor de Dunga, o “fantasma da demissão” ainda ronda o técnico. Isso tudo sem ouvir uma fonte sequer. É a opinião do jornal, por si só. Vejam o parágrafo:

 

“Na frieza dos números, a seleção brasileira termina 2008 no lucro, com a segunda colocação nas Eliminatórias e meio caminho andado para a Copa do Mundo da África do Sul. Mas isso não significa tranqüilidade para o técnico Dunga. Apesar de goleada de 6 a 2 no amistoso desta quarta-feira contra Portugal, o técnico sabe que a reta final na briga pela vaga no Mundial 2010 será decisiva para sua permanência no cargo”.

 

O jornalista (a versão online não tem assinatura) começa a matéria informando que o Brasil está em 2º lugar e praticamente classificado. Mas chama essa conquista de “frieza dos números”, emitindo, claramente, um conceito pessoal. Afinal, não há ninguém na reportagem que corrobore essa afirmação.

 

O texto prossegue contando sobre o placar do jogo, mas logo em seguida afirma que Dunga “sabe” que as próximas partidas serão decisivas para que ele continue no cargo. Você está esperando uma aspas do técnico para validar a afirmação do repórter, certo? Errado. Não há uma fala sequer do personagem principal.

 

A matéria termina com uma coleção de achismos, misturada com informações pinceladas, justamente para confundir o leitor. Não posso aferir que existe um complô da Globo contra Dunga, afinal, não cometeria o mesmo erro do repórter. Mas que parece, ah, isso parece.

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