“É melhor ser alegre que ser triste”

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maysaMaysa, Tom e Vinicius. Esses três personagens tão marcantes da nossa música me ensinaram muito semana passada. E, conscientemente ou não, escrevo sob o impacto da minissérie (olha a nova ortografia aí de novo!) “Maysa – quando fala o coração” e do musical “Tom & Vinicius”.

 

Confesso que sabia quase nada sobre a “rainha da fossa”. Comecei a assistir a minissérie despretensiosamente, mas logo me encantei com a atriz Larissa Maciel e com a trama em si.

 

Maysa foi uma mulher de radicalismos. Apaixonou-se ainda criança por André Matarazzo, homem que tinha idade para ser seu pai. Tanto que o primeiro presente que ela ganhou de seu pretendente foi uma boneca. Com ele, Maysa casou-se ainda menina e conheceu o mundo. Teve um filho – Jayme Monjardim, diretor da minissérie -, mas ainda não estava feliz.

 

E foi essa busca incessante pela felicidade que fez de Maysa uma mulher tão avançada para sua época, mas ao mesmo tempo tão depressiva. Ela via no álcool e nos remédios uma saída para a alegria que nunca encontrava, e colhia como frutos muitos escândalos nas páginas dos jornais.

 

O que mais me impressionou foi a relação dela com o filho. Ela o maltratou muito, o esqueceu num internato na Espanha por 10 anos e era incapaz de demonstrar carinho. Jayme Monjardim disse que perdeu as contas de quantas férias passou sozinho no internato, vendo todas as crianças saírem em viagem com seus pais.

 

Maysa se tornou uma cantora de sucesso, ganhou muito dinheiro, mas continuava perdida. No final da vida, mesmo sem saber que morreria, ela tinha a certeza de que sempre amara seu marido. Ela ainda teve tempo para receber o perdão do filho, mas não teve o privilégio de ser uma mãe presente.

 

O auge da carreira de Maysa foi quando ela gravou as músicas da bossa nova. No domingo, ainda com a minissérie muito acesa na minha cabeça, o personagem do Vinicius cita a Maysa no musical. Foi uma viagem à poesia, ao que mais gosto de ouvir e de cantar.

 

tom-e-viniciusA história de dois grandes amigos, dois gênios da música e da palavra, é contada e cantada de forma majestosa no musical. Impossível não se emocionar com os cantores afinadíssimos, que entram em cena no meio das muitas histórias dos dois boêmios.

 

A certa altura, Tom e Vinicius têm uma longa discussão num bar (O uísque é o cachorro engarrafado!) e defendem a todo custo: bossa nova é samba. Eles não aceitam o rótulo de “música feita por granfinos de Ipanema”, “jazz abrasileirado”. E, quem conhece um pouquinho as poesias de Vinicius sabe que eles têm razão.

 

Diplomata, muito culto e letrado, o poetinha era apaixonado pelo samba. Mas ele viu na batida de João Gilberto o encaixe perfeito para suas poesias. E, como todo gênio, não perdeu a oportunidade.

 

Pena que, até hoje, a bossa nova é vista como um ritmo de elite e jamais conseguiu a massificação do samba, por exemplo. Embora sejamos mundialmente conhecidos por causa da bossa nova, pouco damos valor a ela. Quem vai a Argentina respira Tango no meio da rua. Nós cuidamos muito mal dos filhos da terra.

 

Sou mais feliz por causa de poetas geniais como Vinicius e Tom. Não sei explicar, mas não imagino minha vida sem os versos que decorei, sem as palavras que aprendi por causa deles.

 

A música abaixo, uma de minhas preferidas, foi composta por Vinicius, tem a melodia perfeita de Tom e foi interpretada pela voz marcante de Maysa. Perfeita e genial.

 

Eu não existo sem você

 

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim

Que nada nesse mundo levará você de mim

Eu sei e você sabe que a distância não existe

Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver

Não há você sem mim
E eu não existo sem você

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  1. Maysa foi de enorme importância para a Bossa Nova. O aval dela tornou o gênero popular.

    A elitização da Bossa Nova até hoje tem seu motivo. As músicas são complexas estruturalmente falando e estão longe da união de dois acordes dos demais gêneros populares.

    Para quem quer música para consumo rápido a Bossa Nova é um “horror”. Bom, azar de quem pensa assim. 🙂

    Sobre a série, no geral, eu achei que ela foi mediana. Sofre de um mal terrível: é repetitiva. Se não fosse a Larissa Maciel carregando a minissérie nas costas teria se tornado fraca.

  2. Tudo me emociona nesse post. A minisserie, o autor, Maneco, a história de Jayme, que se deixou revelar corajosamente (os olhos desse homem escodem o mundo, é impresionante)! Tom & Vinicius produto nacional de primeira grandeza! Essa canção, que tanto fala ao meu coração!
    Quando preciso de poesia, não deixo de passar por aqui… Porque sei que na fonte do varanda, jorra as de melhor qualidade.

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