Do outro lado da ponte

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niteroi2Ontem fui à Niterói, depois de mais de um ano. Desde que juntei as escovas de dente, não havia voltado à cidade que me acolheu por oito anos. O motivo não foi tão agradável: exame médico para renovar a carteira de motorista. Mas pude reviver várias lembranças, bem no estilo Faustão – “nessa hora, passa um fiiilllme pela cabeça”.

 

A barca está super moderna, mas muito barulhenta. O que mais me encantava na antiga era o silêncio ao atravessar a baía (isso quando não estava lotada, claro). Como as janelas estão mais altas, quase não dá para ver a paisagem que é, sem dúvida, o melhor da travessia. Em compensação, a viagem dura metade do tempo: 10 minutos. Até a voz do comandante, que dava boas vindas aos passageiros, foi substituída por aquelas vozes gravadas de mulher de aeroporto, sabe? Eu até me divertia com os gerúndios excessivos dos comandantes e sempre ficava imaginando como seria o rosto de cada um. Coisas de quem tem imaginação fértil…

 

O Centro de Niterói continua o caos. Até achei o Plaza Shopping com uma pintura feia, meio empoeirado. Tive a impressão de estar na meiuca de São Paulo, argh. Mas bastou olhar para a direita que o visual mudou completamente: tinha esquecido como é linda a vista para a Baía de Guanabara. O campus da UFF no Gragoatá, onde estudei por três períodos, continua super charmoso, bem pertinho da baía.

 

Minha visita foi rápida e rasteira, não podia me atrasar tanto no trabalho. Mas me deu uma vontade imensa de ir até meu antigo bairro. Posso fechar os olhos e lembrar exatamente das manhãs de sábado no Ingá. A sensação de descer até a rua e ver o vento nas árvores, os velhinhos passeando com seus cachorros (sim, lá a terceira idade está em peso) é mesmo inexplicável. Bastavam alguns passos para chegar à praia de Icaraí, ao Museu de Arte Contemporânea. Quantas vezes caminhei com minhas amigas por lá, conversando, divagando, sonhando.

 

Sei que esse tempo não volta mais e agradeço a Deus porque fechei um ciclo muito importante da minha vida. Niterói vai sempre significar liberdade para mim. Descobertas, aprendizado, saber viver só, me virar sem meus pais por perto. Tudo isso com apenas 18 anos.

 

Sou uma mulher mais madura e feliz por causa da Cidade-Sorriso.

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  1. Eu não conhecia Nada de Nikity até bem pouco tempo atrás. A minha história com a cidade resumia-se a caminho para algum lugar e o aniversário da Bia Bacana (de carona e sem olhar pela janela, porque o papo dentro estava perfeito).
    Depoisssssssssss… Eu fui conhecer Nikity. E foi por inteiro, porque a Bia Bug fez um city tour! De verdade, ponto a ponto, step by step. De modo que ainda não sei andar por lá, mas já sei de muitas coisas que vc fala nesse post! Adoro isso!
    Ainda peguei a barca velha, sem tiozinho para dar as coordenadas, mas janelas baixas. Nem deu tempo de embrulhar o estômago, como invariavelmente ocorre. rs
    ShoW

  2. Nasci lá. Cresci lá e foi lá que passei minha vida toda…Cresci e mudei…pra São Paulo! Imagina a saudade disso tudo que voce falou… Aqui, litoral paulista, vive-se ainda uma vida parecida com aquela que voce descreveu. Aqui tem bancos na praça e muitos idosos sentados, botando a conversa em dia. Tem calçadão, à beira-mar… Só não tem a velha barca indo e vindo, e a vista da cidade do Rio de Janeiro do outro lado!!! Fico feliz quando, vez por outra volto lá, mas daqui não saio mais!!!! É um previlégio morar em lugar parecido com Niterói, minha terra natal.

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