Os Sem-Ética

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vergonhaSabe barriga de grávida aos nove meses de gestação? Pois é, foi deste tamanho a vergonha por que passou a Imprensa brasileira no caso Paula Oliveira.

 

Tudo começou no blog do Noblat, mas logo se pulverizou pela internet e pelos jornalões do país. TODOS, sem exceção, deram a notícia como fato: “Brasileira é alvo de skinheads na Suíça e perde bebês gêmeos”.

 

Afinal, aí estavam todos os ingredientes para uma excelente manchete: desgraça, maus tratos contra brasileiros no exterior, vidas inocentes envolvidas, tudo isso num país da Europa. Bingo!

 

Alguns veículos até se deram ao trabalho de ouvir o pai de Paula Oliveira. Mas ele foi o autor da denúncia, ora bolas! E o tão falado “outro lado”? Será que a Imprensa só errou neste caso ou ele foi o estopim de uma irresponsabilidade que já ocorre há muito tempo?

 

Essa história ainda não terminou, não se sabe ao certo o que realmente aconteceu. Mas todos embarcaram no mesmo argumento, sem refutação. Apuração zero, velocidade mil, como já escrevi aqui no blog. Restou aos veículos a humildade da mea culpa que só posso classificar de risível. Vejam a matéria do site Comunique-se:

 

“Eu acho que a Folha foi mal como todos os outros jornais e veículos de comunicação. Foi precipitada. Compramos a notícia sem confirmação própria”, avalia o ombudsman da Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva.

 

O diretor de conteúdo do Estadão, Ricardo Gandour, afirma que o jornal registrou a informação divulgada pelo Blog do Noblat e foi a campo, com uma entrevista com o pai de Paula Oliveira e informações do Itamaraty. Porém, admite a falta do outro lado da história. “Ficou 24 horas num pé só. Serviu como um aprendizado para o futuro”, diz Gandour.

 

E essa barriga fenomenal quase gera um mal-estar diplomático, pois nossas autoridades também repetiram o discurso único. Microfones para o ministro Celso Amorim e para o presidente Lula, que apenas repetiram a falação.

 

Após a perícia feita na Suíça, e só após ela, a imprensa do país criticou pesado os veículos tupiniquins. Com total razão, com toda propriedade.

 

Aposto minha coleção de canetas que este assunto vai sumir devagarinho das páginas dos jornais e jamais voltará. Vejam quantas linhas serão dadas a ele na próxima semana. 

* Sobre o assunto, vale a pena ler o artigo de Rui Martins, no Observatório da Imprensa.

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