Arquivo mensal: abril 2009

Vi

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livia_rafael_12912Vivemos tantas coisas juntas

Vimos alegrias e tristezas passarem por nós

Vida que faz mais sentido quando se tem amigos

Vá feliz, volte assim que puder

Vivi

Vi

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“Não priemos cânico”

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gripeTudo bem que a gripe suína não é uma doença qualquer. Mas, após dois dias de bombardeio midiático, recheado de palavras como “pânico”, “pandemia” e “contágio mundial”, eis que surge uma informação importante:

“A taxa de letalidade da gripe suína gira em torno de 6% a 7%. Ou seja, a maioria das pessoas contagiadas não morrem.”

Curiosamente, esta frase está no pé da matéria do Globo. A manchete, em tom bem diferente, fala em vários possíveis casos no Brasil, embora nenhum deles tenha sido confirmado.

Resumindo: nada como uma suposta catástrofe para alinhar o discurso de uma imprensa que pouco reflete, mas vive de manchetes.

Uma noite para não esquecer

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Roberto Carlos fez um show inesquecível no pequeno Cachoeiro. Um dos momentos mais emocionantes foi a hora de cortar o bolo. Ele distribuiu entre os filhos e familiares, comeu uma fatia e disse que estava uma delícia.

Mesmo a muitos quilômetros de distância, eu, de certa forma, fiz parte desse momento: O bolo do Rei foi feito pela minha mãe pelas minhas tias. Não é um luxo?

Elas não têm nenhum contato com a produção do Roberto Carlos, sequer poderiam imaginar que isso seria possível. Até receber um telefonema de São Paulo encomendando o bolo do aniversário do Roberto Carlos. Três irmãs admiráveis, que trabalham tanto e tão unidas, fizeram parte de um dos momentos mais marcantes da carreira do cantor.

Orgulho sem tamanho dessas mulheres de fibra, que trabalham diariamente com muito amor, realizando sonhos de noivas e reis.

Fotos: Agência O Globorc-12

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Meu pequeno Cachoeiro

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roberto

Quando digo a alguém que nasci em Cachoeiro de Itapemirim, é certo ouvir em seguida: “Terra do Rei Roberto Carlos”. Sempre tive implicância com isso e retruco: “Terra de Rubem Braga também!”. 

Apesar de me identificar mais com o grande cronista brasileiro, não há como negar que Roberto Carlos é o cara. Com 50 anos de carreira, ele ainda consegue manter o título de Rei, mesmo não tendo emplacado um grande sucesso há bastante tempo. 

Domingo é seu aniversário e, para comemorar, Roberto fará um show em Cachoeiro, após 14 anos sem visitar a cidade-natal. Minha mãe disse que as pessoas estão eufóricas com a data: lojas decoradas em azul e branco, hotéis lotados, reforma no estádio que será palco do show. Tudo para receber o filho querido. 

Assisti ao show do Rei quando era pequena, devia ter uns 10 anos, no mesmo estádio de futebol. Lembro exatamente da emoção que senti (são tantas emoções…) ao vê-lo entrar cantando “Meu pequeno Cachoeiro”. Não sou nada supersticiosa mas, sempre que chego em minha cidade, olho o Morro do Itabira e canto essa música. Faço isso há dez anos e realmente sinto tudo o que a música diz. 

Cachoeiro é também conhecida como a “capital secreta do mundo”. Não me pergunte o porquê, mas todos os cachoeirenses sabem desse título. Talvez seja porque a cidade não tem nada demais: sem praia, sem belas paisagens, e com muito calor. Mas ela guarda em si um amor inexplicável, que só quem já vive ou viveu nesse vale entre as montanhas consegue decifrar. Secretamente. 

A declaração de amor de Roberto Carlos à Cachoeiro de Itapemirim é também a minha: 

Meu pequeno Cachoeiro 

Eu passo a vida recordando
de tudo quanto aí deixei
Cachoeiro, Cachoeiro
vim ao Rio de Janeiro
pra voltar e não voltei.

Mas te confesso na saudade
as dores que arranjei pra mim
pois todo o pranto destas mágoas
ainda irei juntar nas águas
do teu Itapemirim.

Meu pequeno Cachoeiro
vivo só pensando em ti
ai que saudade dessas terras
entre as serras
doce Terra onde eu nasci.

Recordo a casa onde eu morava
o muro alto, o laranjal
meu flambuaiã na primavera
que bonito que ele era
dando sombra no quintal

A minha escola, a minha rua
os meus primeiros madrigais
ai como o pensamento voa
ao lembrar a Terra boa
coisas que não voltam mais.

Meu pequeno Cachoeiro
vivo só pensando em ti
ai que saudade dessas terras
entre as serras
doce Terra onde eu nasci.

Sabe meu Cachoeiro,
eu trouxe muita coisa de você
e todas essas coisas me fizeram saber crescer
e hoje eu me lembro de você,
me lembro e me sinto criança outra vez.

Curtas

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noticias

– “Profissão Repórter” voltou ontem ainda melhor. Excelente reportagem sobre os desafios da balança. Fiquei emocionada com depoimentos de meninas anorexas e de uma jovem bulímica. Os jornalistas ficaram meses fazendo o programa e isso faz toda a diferença. Aspas para Caco Barcellos: “Fazer uma entrevista é rápido e fácil. Mas fazer uma reportagem dá trabalho”. 

 

– Frase que ouvi da minha afilhada no domingo, após passar o fim de semana na sua casa: “Dindinha, fica só mais quatro dias!”. É ou não é de cortar o coração? 

 

– Ontem comecei a ler “Leite Derramado”. Tudo bem que moro longe, mas só no caminho pra casa li 70 páginas. Impossível não ficar vidrada na história do Chico. Deixo aqui só um dos trechinhos que me encantou:

“Com o tempo aprendi que o ciúme é um sentimento para proclamar de peito aberto, no instante mesmo de sua origem. Porque ao nascer, ele é realmente um sentimento cortês, deve ser logo oferecido à mulher como uma rosa. Senão, no instante seguinte ele se fecha em repolho, e dentro dele todo o mal fermenta. O ciúme é então a espécie mais introvertida das invejas, e mordendo-se todo, põe nos outros a culpa da sua feiura”.

 

– Papo-cabeça com o marido:

Ele: _ A imprensa acha que é polícia.

Eu: _ A polícia chama a imprensa para dar exclusiva.

Ele: _ Pois é, isso é absurdo.

Eu: _ A tal Operação Satiagraha está recheada dessa promiscuidade entre imprensa e polícia. E a imprensa não noticia isso, não fala de si mesma.

Ele: _ É verdade, a imprensa está mais preocupada com os holofotes no delegado Protógenes que, propositalmente, desvia o olhar do que realmente importa.

Conclusão: Como é bom ter um marido inteligente!

Meu divã

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diva

Não gosto de senso comum. Sabe aquelas frases ou pensamentos que têm o consenso de 100% da população? Pois é, estou com Nelson Rodrigues na certeza de que a unanimidade é burra.

 

Nos últimos dias, fui bombardeada com a propaganda do filme “Divã”, que tem como protagonista a atriz Lilia Cabral. De diferentes formas, em canais distintos, ouvi o mesmo discurso: “Toda mulher se redescobre após os 40 anos”.

 

Para quem não leu ou ouviu falar, o filme conta, em linhas gerais, a história de uma mulher que, após se separar do marido, descobre quem realmente é. Atrai a atenção de homens mais jovens e faz coisas que nunca tinha feito antes.

 

Não sei o final do filme, talvez a personagem até volte para o marido. Mas o que me chamou atenção não foi isso. Foi o fato de que a separação conjugal seguida de uma mudança estética e interna seja o pontapé inicial para a felicidade de uma mulher.

 

Vou remar contra a maré. Sabe o que eu acho que está acontecendo com as mulheres após os 40? Elas não conseguem aceitar que estão envelhecendo. E não suportam a ideia de ficar a vida toda ao lado daquele marido que não é o exemplo de perfeição. Junte baixa autoestima com falta de personalidade e: Bingo! Está montada a ilusão da vida nova, do recomeço.

 

Ontem, juro que senti tristeza ao ver no Fantástico os depoimentos de mulheres comuns, que realmente passaram pela situação de que trata o filme. Uma delas gabou-se ao dizer que, após uma “recauchutada” no visual, começou a atrair homens mais novos. A outra disse não quer outra vida porque “beijar na boca é muito bom”.

 

Pra mim, o grande barato do casamento é ter coragem de recomeçar todos os dias ao lado da mesma pessoa. É como diz a música “Por você eu desejaria todo o dia a mesma mulher”. Esse é o grande desafio. Juntar interesses muitas vezes opostos, driblar a impaciência, exercitar a tolerância.

 

E sabe o que é fácil? Dizer que “preciso de um tempo para mim mesma”, que “quero a minha liberdade de volta”, e sair à caça. Fingir que uma plástica no corpo todo vai apagar a frustração que não sai com bisturi.

 

Não falo isso por acreditar que todo casamento precisa dar certo. Não! Há relacionamentos que terminam por diversas razões. O problema é o fator que decide, é a falsa ilusão imposta pelo senso comum de que uma mulher divorciada e profissionalmente estabelecida é uma mulher feliz. Não é. A felicidade não está no que você aparenta ser ou nas noites ao lado de rapazes fortões.

 

Serei a mais feliz de todas as mulheres quando olhar para o lado e reconhecer, atrás dos cabelos brancos e da pele enrugada, o homem pelo qual me apaixonei.