Pequenos deslizes

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deslizeOntem, descobri que dia 23 de abril é feriado! Mais um neste mês lotado de dias de folga. E perguntei ao meu amigo do trabalho:

 

_Mas é feriado de quê?

Ele respondeu:

_São Jorge.

Aí, um outro amigo disse:

_Eu não ia saber nunca, sou agnóstico.

E o primeiro respondeu:

_A presbiteriana também não ia saber, né?

Foi aí que eu disse:

_Pois é, mas neste caso, sou São Jorge desde pequenininha!

E todos riram.

 

Depois que eu falei isso, me toquei de como tinha sido irônica com a fé dos outros. Acho que só falei porque sei que ninguém no meu trabalho é católico praticante, mas mesmo assim a frase me incomodou muito.

 

Só eu sei o quanto já sofri preconceitos por ser protestante. As pessoas nos vêem como ingênuas e fanáticas, daquelas que não pensam e sempre são enganadas por algum pastor espertinho. E, mesmo assim, eu me peguei sendo tão intolerante quanto a grande maioria. Afinal, tem muita gente, muita gente mesmo, que acredita em São Jorge. Fico impressionada quando vejo a quantidade de carros com aquele adesivo característico.

 

Pensando nisso tudo, a cada dia me convenço mais de que religião não se discute. E a própria Bíblia diz isso, no texto: “Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4:6). Acredito que o exemplo que damos no dia-a-dia vale muito mais do que palavras ditas ao vento. Talvez por isso tenha ficado tão incomodada comigo mesma. Porque canso de me policiar pra ser diferente, pra tentar, de alguma forma, ser mesmo luz. E isso se torna muito mais difícil num meio tão incrédulo quanto o que eu vivo…

 

Por outro lado, foi bom ter essa consciência logo depois que disse a tal frase. Agora, vou ficar ainda mais atenta a esses pequenos deslizes, que acabam fazendo toda a diferença.

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  1. “O que você faz fala tão alto, que não consigo ouvir o que você diz” – nem sei de quem é, mas o Rev Gui lembrou-nos disso no Xá Comigo domingo, com os pais… 😉 achei oportuno lembrar aqui tb… amei esse post, pq é assim q me sinto qdo dou minhas mancadas irônicas por aí…
    Resta-nos ter em memória SÃO Francisco de Assis (somos ecumênicas… né, Bia? protestantes, mas inteligentes e cultas o suficiente para reconhecer os valores de religiosos cristãos como nós, mas que seguiram outra igreja – e daí?) que recomendava: “pregue o Evangelho. se for preciso, use as palavras” 🙂

  2. Outro dia mesmo usamos essa frase num estudo bíblico que fizemos, essa que a Bela comentou. Amei o post também, porque é muito difícil ser luz e tão fácil deslizar nas pequenas coisas…Também sinto isso, sempre fico depois “Pra que eu disse isso???” BJs

  3. Sim, ecumênicas! Temos pessoas que foram exemplos no passado – santos, na concepção mais bíblica que tem a palavra – e que, embora não ofereçamos a elas nossa devoção e veneração, respeitamos e adotamos suas idéias e princípios de vida – e de teologia, por que não?
    Santo Agostinho, São Francisco de Assis, São Cipriano, João Crisóstomo, São Clemente, Santo Inácio, Jerônimo e tantos outros. Vou até ver se acho alguma coisa de São Jorge aqui em casa! Amei o post. Como a Rafa, sempre fico depois: por que eu disse isso? ou porque eu não disse aquilo?
    Bjk

  4. Pois eu acho que nós não deveríamos ter somente feriados católicos. Pq não paramos no Dia da Reforma Protestante? Ou no Chanuka? Tem algum dia especial no espiritismo? Sempre brinco com isso, claro, seria ótimo ter mais feriados (sei isso não fosse quebrar o país). Mas, Lívia, não achei o seu comentário preconceituso, foi apenas uma brincadeira, que até católicos devotos de outros santos poderiam fazer. Relaxa, não foi nada grave. Existem coisas muito piores a se dizer, que soariam muito mais preconceituosas e que tenho certeza de que jamais povoariam sequer seu pensamento. E acho difícil que alguém tenha pensado mal de vc. Realmente, qtas coisas a gente escuta por ser “crente”? Vc se abala com todas? Espero que não. 🙂

  5. Bia, sabe que lá no fundo, eu acabo me abalando com as frases preconceituosas sim… Porque todas as pessoas acham que conhecem tudo sobre religião e saem falando clichê atrás de clichê. Coisas do tipo: “Ai, não sei como você aguenta aquela gritaria na igreja” ou “Não é possível que você acredita em Adão e Eva”, etc… E o pior é que às vezes eu não tenho muita paciência com esse tipo de coisa, sabe? Prefiro ficar quieta porque, se eu explicar que a minha igreja não é assim, vou acabar falando mal de outras igrejas, que também têm seus defeitos e qualidades. Enfim… é uma questão complicada mesmo, que acho que só pode ser resolvida com muito amor! Bjs

  6. Sempre penso nessa questão dos feriado que temos no Brasil, que a Bia Bomfim comentou. Nenhum outro país tem tantos feriados assim. Não quero um feriado da reforma protestante, nem do chanukah, nem de qqr outra espécie. Temos um país em que “há muito o estado e a igreja (católica) se separaram oficialmente”. Isso quer dizer que “cada um pode se manifestar livremente sobre suas crenças. Mas vemos que “a decisão do governo do Estado brasileiro, através do congresso nacional ou em assembléias legislativas estaduais e municipais, em relação a essas questões” não é exatamente de separação oficial. Temos, sim, infelizmente, uma religião oficial “extra-oficial” no Brasil. Acho que evangélicos e cidadãos que professam uma fé diferente da católica não deveriam querem “revidar” pedindo feriados que comemorem eventos da sua crença, mas sim, deveriam combater legalmente todos os feriados que fazem com que a sociedade brasileira oficialize “extra-oficialmente” preceitos de uma determinada religião para o conjunto da sociedade. E concordo com a Bia que mais feriados quebrariam o país, já tão cheio de intervalos que levam a economia e a educação à uma decadência crescente.
    Nossa, fui eloquente, né? hahahahahha!
    bj

  7. Olha, se eu fosse me abalar pelas coisas que escuto… não ia dormir à noite. Não que eu goste de ouvir coisas como “religião é o ópio do povo” (adoooooram essa citação), ou “pastor é tudo ladrão”, entre outras. É claro que me entristece. Qdo isso acontece, oro quietinha no meu coração pra que essas pessoas tenham um dia a oportunidade de conhecer o Deus de amor que eu conheço.

    E é complicada essa questão dos feriados, justamente pq estamos em um Estado laico, mas muitos feriados são católicos. Só que alguns, como Natal e Páscoa se aplicam a nós tb. Mas fica a minha pergunta: será que um judeu tb não deveria ter o direito de parar pelo menos em algumas das suas datas sagradas? E o candomblecista, que tb tem seus rituais? Pq as escolas que tem aula de religião só ensinam a fé católica? Enfim, muitas coisas poderiam ser questionadas no sentido de chegar a uma liberdade religiosa.

    Ia falar mais uma coisa rpa causar polêmica, mas deixa pra lá, como disse a Rafa, ia pensar depois: “Pra que eu disse isso?” Beijinhos!

  8. Bia Bomfim:
    “Ah, e com certeza, acredito que existem pessoas com fé diferentes da nossa que tem coisas interessantes e valiosas a nos ensinar. Tb sou ecumênica, então! hehehe”

    Assino embaixo, apesar de professar uma fé não cristã, acredito em compatibilidade de ensinamentos que são universais, que elevam a matéria e o espírito.

    Mas confesso que não ficaria triste se o mundo inteiro se converte-se, viveriámos uma era de luz… rs

    Bjos e desculpe Lívia por invadir seu espaço novamente

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