Meu divã

Padrão

diva

Não gosto de senso comum. Sabe aquelas frases ou pensamentos que têm o consenso de 100% da população? Pois é, estou com Nelson Rodrigues na certeza de que a unanimidade é burra.

 

Nos últimos dias, fui bombardeada com a propaganda do filme “Divã”, que tem como protagonista a atriz Lilia Cabral. De diferentes formas, em canais distintos, ouvi o mesmo discurso: “Toda mulher se redescobre após os 40 anos”.

 

Para quem não leu ou ouviu falar, o filme conta, em linhas gerais, a história de uma mulher que, após se separar do marido, descobre quem realmente é. Atrai a atenção de homens mais jovens e faz coisas que nunca tinha feito antes.

 

Não sei o final do filme, talvez a personagem até volte para o marido. Mas o que me chamou atenção não foi isso. Foi o fato de que a separação conjugal seguida de uma mudança estética e interna seja o pontapé inicial para a felicidade de uma mulher.

 

Vou remar contra a maré. Sabe o que eu acho que está acontecendo com as mulheres após os 40? Elas não conseguem aceitar que estão envelhecendo. E não suportam a ideia de ficar a vida toda ao lado daquele marido que não é o exemplo de perfeição. Junte baixa autoestima com falta de personalidade e: Bingo! Está montada a ilusão da vida nova, do recomeço.

 

Ontem, juro que senti tristeza ao ver no Fantástico os depoimentos de mulheres comuns, que realmente passaram pela situação de que trata o filme. Uma delas gabou-se ao dizer que, após uma “recauchutada” no visual, começou a atrair homens mais novos. A outra disse não quer outra vida porque “beijar na boca é muito bom”.

 

Pra mim, o grande barato do casamento é ter coragem de recomeçar todos os dias ao lado da mesma pessoa. É como diz a música “Por você eu desejaria todo o dia a mesma mulher”. Esse é o grande desafio. Juntar interesses muitas vezes opostos, driblar a impaciência, exercitar a tolerância.

 

E sabe o que é fácil? Dizer que “preciso de um tempo para mim mesma”, que “quero a minha liberdade de volta”, e sair à caça. Fingir que uma plástica no corpo todo vai apagar a frustração que não sai com bisturi.

 

Não falo isso por acreditar que todo casamento precisa dar certo. Não! Há relacionamentos que terminam por diversas razões. O problema é o fator que decide, é a falsa ilusão imposta pelo senso comum de que uma mulher divorciada e profissionalmente estabelecida é uma mulher feliz. Não é. A felicidade não está no que você aparenta ser ou nas noites ao lado de rapazes fortões.

 

Serei a mais feliz de todas as mulheres quando olhar para o lado e reconhecer, atrás dos cabelos brancos e da pele enrugada, o homem pelo qual me apaixonei.

Anúncios

»

  1. Livia, não é fácil largar o cara que está ao seu lado para mudar também não! Muitas se descobrem aos 30, aos 40, aos 50. Não tem idade.
    Acho que essa virada vem, mas não necessariamente tem que ser fruto de uma separação. O mais gostoso seria chegar ao fim da jornada com o cara pelo qual a gente se apaixonou. Mas também se não acontece, é bom ir à luta e se redescobrir. Acho que não tem fórmula e nem saída mais fácil. O lance é ser fiel ao seu sentimento e respeitar a aliança com o cara que você escolheu. Ser fiel a si mesma talvez seja ainda mais difícil com tantas negociações que se faz pela vida.
    O bom é saber que nunca é tarde para se amar e se respeitar!

  2. Pois é, Bia, é justamente esse “largar o cara que está ao seu lado para mudar” que eu não concordo. E acho que a gente se descobre todos os dias, e não aos 30, 40 ou 50. A virada é a de sempre, todas as pequenas coisas que nos fazem contruir a nossa bagagem, a nossa vida. O que eu questiono é a banalidade disso tudo. É o vazio, sabe? Bjs!

  3. Nossa, encontrei seu blog absurdamente ao acaso e não poderia deixar de comentar. Ao ler o texto até fiquei emocionada, verdadeiramente comovida por “ler-me” nas palavras do outro.

    Compartilho da mesma paixão e vontade, talvez por alguns vistas como idealismo ou até mesmo utopia, mas que, de muitas diferentes maneiras, incentiva-nos e dá-nos forças para querer mudar e descubrir-se a cada dia, de agregar e viver experiências impassíveis de banalização e questionamentos…

    Vou adicionar aos favoritos, pode?

    Beijos,
    Rê.

  4. Acho que são casos e casos.
    Mas, porém, contudo, se você escolheu alguém para viver contigo até o fim da sua vida {que é a essencia do casamento, não!?} acho que deveria sim continuar ao lado desta contornando os problemas e revivendo o amor!

    É difícil ambas as situações, mas quando eu estiver casada, terei tido tempo {creio eu!} para conhecer, escolher e amar àquele que me disposa, e não pretendo desistir do meu marido nem aos trinta, nem aos quarenta, nem nunca!

    É necessário ter coragem para continuar.
    É necessário ter coragem também pra mudar.

    Gostei dos seu espaço!
    Já cheguei invadindo e dando opinião! Rs rs rs.
    Mas saiba que és bem-vinda no meu Palácio Lilás.

    Tenha uma boa semana {que é curtinha e já está no fim!}!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s