Arquivo mensal: maio 2009

Coríntios 13

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Amo essa música do Stênio e prometo procurá-la no You Tube mais tarde. Vale a pena ouvir a melodia também, é linda!

Quisera eu falar as línguas das nações
E aos povos irmanar em puras intenções
Deve ser doce, enfim, a língua angelical
Clamar com os serafins o Nome sem igual.

E se eu profetizar, mistérios desvendar
Saber qual a razão de estrelas na amplidão
Se eu não tiver amor, de nada valerá
Eu viverei só pra saber o que é viver em vão
.

Quisera fé maior pra que eu vencesse o mal
E ao Pai servir melhor, pureza mais real
Oferecer os bens a quem mais precisar
Ir longe, muito além, a vida entregar.

E eu que nada sou, não tenho muito a dar
Mas se eu tiver amor na vida que eu levar
Eu saberei , então, que o pouco que eu fiz
Não foi em vão, valeu a pena sentir meu Deus feliz.

Pinceladas

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tempo* “Maio já está no final, é hora de se mover pra viver mil vezes mais”. Lembrei agora dessa música do Kid Abelha e faço a primeira constatação óbvia: o ano está mesmo voando.

* Alguém pode me explicar como Renan Calheiros consegue ressurgir das cinzas e voltar ainda mais forte? Perdi alguma coisa ou era para ele estar preso?

* É claro que a maioria das empresas de telefonia merece ser processada pelo desrespeito com o consumidor. Mas tem gente que se aproveita disso pra levar vantagem indevida. Está surgindo uma nova profissão bem característica do “jeitinho brasileiro”: o caçador de processos. Em nome do famoso “dano moral”, essas figuras peculiares agem com extrema má fé. Triste.

* Kleberson, rubro-negro convocado para a Seleção Brasileira ontem, é um jogador exemplar. Aspas para ele: “Quando soube não consegui me conter e comecei a pular pela casa inteira. Estou eufórico e muito feliz, eu diria que é um dos dias mais felizes da minha vida. Voltar à Seleção era um sonho e posso sentir o gosto de uma Copa do Mundo novamente de perto. Agradeço a todos no Flamengo, pois me deram muita força e me ajudaram bastante nesta minha volta ao Brasil”.

* Não existe nada melhor do que trabalhar com quem tem alegria. E quando é para as coisas de Deus, isso se torna mais importante ainda. Impossível lidar com burocratas de igreja, que acham que “tempo de casa” é justificativa para ganhar no grito. Falta amor nas igrejas e sobra arrogância. Affe, será que eles nunca vão entender isso?

* Tem gente fazendo coisas muitas legais na internet. Essa campanha da LG me impressionou pra caramba. O essencial é sempre o conteúdo, mas ele pode ser trabalhado das mais diversas formas, tudo para prender a atenção do público. Os meninos da Colmeia entenderam isso e estão arrebentando. Vejam no blog deles.

Não é uma questão de merecimento

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bomba

A bomba de Hiroshima e Nagasaki não foi lançada por norte-coreanos

Acho muito louco esse alarde mundial em torno da Coreia do Norte. Enquanto assistia a entrevista cheia de pânico de Bonner e Fátima com o correspondente em Nova York, pensava: como repetem o mesmo discurso. Sabe aquela coisa de não refletir nunca? Confesso que estou cada vez mais impaciente com essas coisas.

OK, a Coreia do Norte vive uma ditadura comunista há anos e o fato de estarem testando bombas atômicas pode significar a iminência de uma guerra. Mas este poder, igualzinho, está nas mãos de diversos outros países. Só para citar alguns: EUA, Paquistão, Israel, Rússia… Por que só os norte-coreanos não podem?

Engraçado que o repórter do Jornal Nacional disse que a bomba testada tem o mesmo alcance da que atingiu Hiroshima e Nagasaki. Só que este fato aconteceu em 1945! Imagina o poder das bombas produzidas pelos EUA desde então. Imagina o arsenal americano, russo, paquistanês…

Sou completamente contra qualquer tipo de guerra, mas é muita hipocrisia achar que uns países merecem ter bombas nucleares e outros não. Quem disse que a democracia é mais justa? Alguém já se esqueceu do Bush?

É claro que há outros pontos a serem analisados nessa história. Li que, na verdade, o que o líder da Coreia do Norte quer é impressionar o mundo para obter vantagens internacionais. Mas é hora de deixar o cinismo de lado e conciliar os interesses de todos numa mesa de negociação. O que não pode é despejar discursos pavorosos ao vento, sempre respaldados pela imprensa mundial.

Esse rio sem fim

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Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre –
Esse rio sem fim.

Fernando Pessoa

Recortes

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caminhar

Segunda-feira, vou caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento. Peço um pouco mais de calma, afinal, a vida é tão rara. Sigo pensando e reflito sobre o meu caminhar. Você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui. Percorri milhas e milhas antes de dormir.

Descobri sábado que sou D, de dominante. Este é meu perfil, complicada e perfeitinha. De acordo com o estudo, sou persistente, determinada. E ataco sob pressão. Parecia inofensiva, mas te dominou.

Engraçado que “meiga” é um adjetivo que costumo sempre ouvir a meu respeito. E confesso que não gosto muito dele. Talvez por não falar alto e não me irritar com tanta facilidade, as pessoas acabam associando as duas coisas. Aceito. É melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração.

Vivo um dia após o outro, com olhos no porvir. E não pedalo sozinha não, quem foi que disse que eu controlo o meu guidom? Quem me guia é quem me fez, eu vivo um dia de cada vez. Muitos sonhos por realizar, mas ainda temos pouca idade e vivemos sem vaidade.

Quanto mais eu tenho, mais quero ser. Quanto mais dinheiro eu ganho, menos dou importância a ele. A verdadeira felicidade está no que você se torna ao longo da vida. Suas experiências são a maior riqueza, preciosidade. Digo ao mundo inteiro, não quero dinheiro, eu só quero amar.

Lembranças. Pois não há melhor remédio para a saudade. Fechar os olhos e reviver momentos que apenas passaram, não morreram. Tristeza não tem fim, felicidade sim. Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será, mas isso não impede que eu repita: é bonita, é bonita e é bonita.

Olho pra frente e vejo um horizonte tranqüilo. Não gosto de incertezas, fujo delas a todo custo. Preciso saber onde estou pisando e só ouso depois de analisar todas as possibilidades. Nem sempre dá certo. Para os erros há perdão, para os fracassos, chance.

Nunca deixe de usar filtro solar. Dedique-se a conhecer seus pais. É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez. Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.

Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons. Esforce-se para diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar, mais você vai precisar das pessoas que você conheceu quando jovem.

Todo dia, enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade. Cante.

Poeta que canta o melhor dos Poetas

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stênio_

Acabei de acrescentar na seção “Estou sempre aqui” o blog do Stênio Marcius. Gosto da definição que meu amigo-padrinho-afilhado Felipex sempre dá a ele: Cantor e poeta cristão.

Stênio tem a incrível capacidade de recontar histórias da Bíblia em forma de poesia melódica. Não bastasse todo o seu talento, ele é de uma simplicidade contagiante e rara no meio musical cristão.

Uma vez, conversando na casa do Felipex sobre música, Stênio me disse algo que nunca esqueço: “Há certas músicas cristãs que parecem ter sido feitas para falar da relação de um casal. É um tal de ‘estou apaixonado’, de ‘vem me abraçar’, que você não entende se a letra está se referindo mesmo a Deus. Isso quando falam de Deus”.

Sou super crítica quando se trata de música cristã. Não adianta vir com letras que juntam unção + poder + milagre. Não ouço mesmo e sou bastante radical nesse sentido. Aliás, corro para o lado oposto dos cantores cristãos que estão nas paradas de sucesso.

Sabe o que eu acho que falta? Conteúdo. Essa palavrinha tão falada hoje em dia, que é o segredo para tantas das inovações que estão por aí. Stênio é diferente porque suas músicas têm conteúdo. Não basta rimar, tem que ter profundidade, inspiração que só pode vir mesmo de Deus.

A música abaixo fala sobre a parábola do Filho Pródigo, tão conhecida entre cristãos e não-cristãos. Vejam como Stênio consegue descrever de forma tão única essa linda história.

Fim de tarde no portão
A cabeça branca ao relento
Teimosia de paixão
Faz das cinzas renascer alento

Na estrada o seu olhar
Procurando um vulto conhecido
Espera um dia abraçar
Quem diziam já estar perdido

O seu amor é tão forte
Mais que o inferno e a morte
São torrentes que arrebentam o chão
Mais fácil secar os mares
Apagar a estrela Antares
Que arrancar o amor de seu coração
Fim de tarde se debruça no portão

Mas um dia aconteceu
E o moço retornou mendigo
O pai depressa correu
E abraçou o filho tão querido

Tragam roupas e o anel
Calcem logo os seus pés, milagre!
Vinho do melhor tonel
Tanta alegria em mim não cabe

O seu amor é tão forte
Mais que o inferno e a morte
São torrentes que arrebentam o chão
Mais fácil secar os mares
Apagar a estrela Antares
Que arrancar o amor de seu coração
Fim de tarde está deserto o portão

Novas palavras

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solidaoNão gosto de ler críticas a filme, livros, peças e afins antes de provar deles. Por mais que eu tente, não consigo ter a mesma expectativa após ler certos comentários como “esse não é o melhor livro de tal autor” ou “o roteiro peca e o filme se torna longo”. Mesmo quando a crítica é boa, fica uma sensação estranha, é como se eu já começasse a ver/ler com um pré-conceito que em nada me agrada. Seja ele bom ou ruim.

Nem preciso dizer que, por tudo isso, odeio quando alguém teima em contar detalhes sobre “aquele filme maravilhoso” ou “aquele livro imperdível”. Nem a sinopse eu leio. Afinal, vamos combinar que ela de nada adianta, né? Ler ou não ler o resumo do filme/livro/peça dá no mesmo. E tem outra: não é possível que eu não consiga entender o enredo, a trajetória daquela narrativa sem nenhuma ajudinha prévia. Mamãe não me deixou faltar as aulas de interpretação na escola, nisso eu me garanto.

Terminei de ler “Leite derramado”, mais recente livro do Chico Buarque. E neste caso, abri uma rara exceção porque não me contive mesmo. Assisti a um vídeo no Globo Online em que o próprio Chico lia um trecho do livro (até coloquei o link aqui no blog, lembram?). E comprei o livro no dia seguinte, para não ficar pensando naquelas palavras que, até então, não faziam muito sentido.

Se você é como eu e não gosta de ler críticas, pare agora mesmo de ler este post e vá para outro blog (não quero estragar a expectativa de ninguém!).

Para quem ainda me acompanha, saiba que Chico consegue ser ainda mais minucioso, mais zeloso com as palavras do que em Budapeste (que, aliás, vai virar filme). A história contada por um homem transborda uma mistura de sentimentos comuns e, ao mesmo tempo, tão singulares.

Impressionante é também a forma como ele conduz a narrativa, sem se preocupar com a cronologia dos fatos. É como se a gente estivesse mesmo dentro da cabeça de outra pessoa. Afinal, nós não pensamos em ordem cronológica. E essa sacada dele é mesmo incrível.

Um pequeno detalhe: o livro é todo escrito já na nova ortografia, o que em muito facilita a memorização das regras. Por tudo isso e pelo simples fato de ler, “Leite Derramado” é uma obra marcante de um escritor que teima ser genial em tudo o que faz.

Abaixo está uma das frases mais lindas do livro:

Se com a idade a gente dá para repetir casos antigos, palavra por palavra, não é por cansaço da alma, é por esmero. É para si próprio que um velho repete sempre a mesma história, como se assim tirasse cópias dela, para a hipótese de a história se extraviar.