Novas palavras

Padrão

solidaoNão gosto de ler críticas a filme, livros, peças e afins antes de provar deles. Por mais que eu tente, não consigo ter a mesma expectativa após ler certos comentários como “esse não é o melhor livro de tal autor” ou “o roteiro peca e o filme se torna longo”. Mesmo quando a crítica é boa, fica uma sensação estranha, é como se eu já começasse a ver/ler com um pré-conceito que em nada me agrada. Seja ele bom ou ruim.

Nem preciso dizer que, por tudo isso, odeio quando alguém teima em contar detalhes sobre “aquele filme maravilhoso” ou “aquele livro imperdível”. Nem a sinopse eu leio. Afinal, vamos combinar que ela de nada adianta, né? Ler ou não ler o resumo do filme/livro/peça dá no mesmo. E tem outra: não é possível que eu não consiga entender o enredo, a trajetória daquela narrativa sem nenhuma ajudinha prévia. Mamãe não me deixou faltar as aulas de interpretação na escola, nisso eu me garanto.

Terminei de ler “Leite derramado”, mais recente livro do Chico Buarque. E neste caso, abri uma rara exceção porque não me contive mesmo. Assisti a um vídeo no Globo Online em que o próprio Chico lia um trecho do livro (até coloquei o link aqui no blog, lembram?). E comprei o livro no dia seguinte, para não ficar pensando naquelas palavras que, até então, não faziam muito sentido.

Se você é como eu e não gosta de ler críticas, pare agora mesmo de ler este post e vá para outro blog (não quero estragar a expectativa de ninguém!).

Para quem ainda me acompanha, saiba que Chico consegue ser ainda mais minucioso, mais zeloso com as palavras do que em Budapeste (que, aliás, vai virar filme). A história contada por um homem transborda uma mistura de sentimentos comuns e, ao mesmo tempo, tão singulares.

Impressionante é também a forma como ele conduz a narrativa, sem se preocupar com a cronologia dos fatos. É como se a gente estivesse mesmo dentro da cabeça de outra pessoa. Afinal, nós não pensamos em ordem cronológica. E essa sacada dele é mesmo incrível.

Um pequeno detalhe: o livro é todo escrito já na nova ortografia, o que em muito facilita a memorização das regras. Por tudo isso e pelo simples fato de ler, “Leite Derramado” é uma obra marcante de um escritor que teima ser genial em tudo o que faz.

Abaixo está uma das frases mais lindas do livro:

Se com a idade a gente dá para repetir casos antigos, palavra por palavra, não é por cansaço da alma, é por esmero. É para si próprio que um velho repete sempre a mesma história, como se assim tirasse cópias dela, para a hipótese de a história se extraviar.

Anúncios

»

  1. Confesso que eu leio críticas, me influenciam bastante! Ainda não li Leite Derramado, estou esperando acabar de ler um outro, que estou impacada. Amei sua crítica e só aumentou minha vontade de ler esse livro.

    Saudades!

    BJs, Rafa

  2. Adoro ler críticas boas, porque elas me fazem comprar o livro na hora. Droga! Onde eu vou achar Chico Buarque aqui?

    Só de falar que é igual a Busdapeste, eu já posso ver a esposa papagaia gravando apaixonada pelo autor que ela não sabe que é o próprio marido, e posso ouvir a professora de húngaro. Chico é mesmo de uma narrativa 4D. Você quase sente o cheiro dos personagens.

    Acho que só leio Leite Derramado em dezembro. Q pena!

    • Se te falar que vi o filme Budapeste essa semana você chora, né? Rsrsr
      É maravilhoso, mas ainda prefiro o livro, por tudo isso que você descreveu.
      Mas não se preocupe: seu Leite Derramado tá guardado comigo até dezembro, tá? Bjo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s