Entre cordéis, jornalismo e poesia

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Conheci a literatura de cordel há não muito tempo, na faculdade. Apesar de ter estudado em excelentes escolas na minha cidade, nenhuma delas me apresentou este maravilhoso universo.

Quadro cordéis

Minha sala tem dois lindos quadrinhos de xilogravura, comprados em Porto de Galinhas

Rapidamente recuperei o tempo perdido e me apaixonei por esse estilo poético e despojado de fazer jornalismo. Sim, considero o cordel um jornal poético, crítico e irreverente. Afinal, o jornalista precisa ser, em sua essência, um bom contador de histórias.

Minha paixão pelo cordel aumentou ainda mais depois que conheci a Paulinha. Além de amiga do trabalho, ela faz parte da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC) e rala pra caramba por lá. O Jorjão, que poderia só ser um excelente artista plástico, é também marido da Paulinha, membro da ABLC, faz lindas xilogravuras e ainda escreve cordéis!

A peça mais comentada da minha casa: obra de arte do J. Victtor.

A peça mais comentada da casa: obra de arte do J. Victtor.

Sempre achei que a literatura de cordel tivesse nascido no Nordeste do Brasil, mas a Paulinha me explicou que não. Na verdade, o cordel nasceu em Portugal e rapidamente se espalhou pela Europa. Lá, ele não era associado às classes mais pobres e funcionava como um jornal mesmo.

Quando o cordel chegou ao Brasil, foi no Nordeste que ele encontrou seu público mais fiel e logo ficou conhecido como poesia popular. Os grandes cordelistas do nosso país têm, em sua maioria, origem bem humilde e um talento incrível. São uma parte riquíssima da nossa Cultura e é uma pena que muita gente desconheça ou sequer tenha lido um cordel.

Abaixo está um trecho de um cordel escrito pelo Jorjão, que assina J. Victtor. É ou não é uma obra de arte? Uma delícia de ler e de ouvir.

Favela

O amigo aí sentado
apreciando o cordel
no apartamento próprio
ou mesmo de aluguel
tem noção que o nosso lar
é bem melhor que um hotel.

Porém, saia do sofá
e escancare a janela
que você provavelmente
vai fitar uma favela
onde o perigo é mais um
morador de sentinela.

As casas amontoadas
sem pintura ou proteção
bem na ponta dos barrancos
sujeitas a escorregão
são lugares de pessoas
sem direito à ambição.

O ser humano não foi
criado para morar
de tão decadente jeito
num inóspito lugar
que não tenha outro modo
de assim os acomodar.

A sala não estaria completa sem Vinicius de Moraes.

A sala não estaria completa sem Vinicius de Moraes.

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  1. Ai ai ai, pensei eu que hoje teria um pitaco sobre o aniversário da leitora mais assídua e mais especial desse blog e me deparo com cordel??? Nada contra o tal cordel, mas hoje é o meu dia! E pior, você ainda posta a foto do quadro do ônibus que eu tenho medo!!! Aff… hoje realmente não é meu dia… rs rs rs

    • Leilita, com irmã que mora longe a gente fala por telefone, e não por blog, né? Parabéns pra irmã mais paty do mundo! Bjo

  2. Oi, Lívia

    é uma honra ser acolhido em sua varanda e ter uma vista para suas belas palavras de carinho a gente.

    Bjs,
    Mande um abraço pro maridão e diga pra ele que com a Eletrobras o Vasco finalmente vê uma luz no fim do tunel. Espero.

  3. É porque ele dá a impressão de que o ônibus vai tombar! rs rs! E o pior, sempre que eu olho, o ônibus parece estar em outra posição…

    Mas concordo, é lindo, muito bem pintado e a paisagem é ótima.

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