Arquivo mensal: janeiro 2010

Desejos consumistas

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Quero, preciso, necessito de um Kindle! Não ligo pra Ipod, Iphone, só quero o Kindle… Alô Papai Noel, Coelhinho da Páscoa?


*Atualização: Ah, entendi. Foi só eu sonhar com o kindle que o Steve Jobs lança o Ipad… confesso que tenho um apego emocional com o primeiro, mas não descarto a possibilidade do segundo, ok? Ouviu, papai noel? 🙂

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Quatro em um

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Esse tempo longe do marido tem me ensinado muitas coisas. É uma mistura de sentimentos intensos, que vou tentar resumir abaixo:

– “Não há você sem mim, eu não existo sem você”. Vinicius, que sempre adivinha meu pensamento, descreve exatamente o que sinto. É doído demais ficar sem ele por perto. O alcance do telefone nunca será o alcance das mãos.

– “A vida sem um amigo seria tão difícil, nem dá pra imaginar”. Não dá nem pra explicar o carinho que tenho recebido dos amigos nesse tempo. São tantas demonstrações de cumplicidade que eu jamais conseguirei retribuir. Guardo meus amigos a sete chaves e deles não abro mão.

– “Os mais belos montes escalei”. A contagem regressiva no trabalho tem sido uma mistura de ansiedade e nostalgia antecipada. Vou sentir muita falta dos almoços, das idas à Maria Filó, das conversas e de tudo o que aprendi nesses cinco anos. Gratidão sem tamanho.

– “Não te mandei eu? Sê forte e corajoso, não temas nem te espantes, porque o Senhor teu Deus é contigo por onde quer que andares”. É assim que começo daqui a algumas semanas uma vida nova. E como é bom ter essa certeza comigo!

Sem chão

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Triste, muito triste essa tragédia no Haiti. E tenho certeza de que nenhuma foto, vídeo ou relato consegue descrever o que restou do país. Penso em cada filho, marido, irmão, esposa, mãe, pai. O preço de uma família desfeita é muito maior do que o de uma casa que foi ao chão.

Enquanto doía pensar nessa gente tão sofrida, lembrei dessa música do Chico e Vinicius. E peço a Deus que não desvie os olhos deles, jamais.

Gente humilde

Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar
Porque parece
Que acontece de repente
Feito um desejo de eu viver
Sem me notar
Igual a como
Quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem
Vindo de trem de algum lugar
E aí me dá
Como uma inveja dessa gente
Que vai em frente
Sem nem ter com quem contar

São casas simples
Com cadeiras na calçada
E na fachada
Escrito em cima que é um lar
Pela varanda
Flores tristes e baldias
Como a alegria
Que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar

O Castelo de Vidro

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Meu primeiro livro de 2010 já começou especial: um presente recebido daquela amiga-prima que sabe seu gosto, que te conhece de verdade. Comecei a ler no avião, uma excelente desculpa pra quem tem pavor de voar. E não é que deu certo? Nem senti o tempo passar, tão boa é a história da vida de Jeannette Walls.

Não é fácil escrever sua própria biografia. Se eu disser que o livro conta a história de uma menina muito pobre que conseguiu vencer na vida, você compraria? Eu, com certeza, jamais. E é por isso que o livro me impressionou tanto. Em nenhum momento eu senti pena de Jeannette, porque ela mesma não se retrata dessa forma.

A narrativa é tão bem contada que eu me transportei para aquela realidade e, assim como ela, não conseguia sentir raiva do pai bêbado ou da mãe negligente. Talvez porque o pai bêbado era também sonhador e apaixonante; e a mãe negligente era também sensível e amava a liberdade.

Poderia me identificar logo de cara com o livro porque sabia que, no final, Jeannette se tornaria uma jornalista de sucesso. Mas como a maior parte do livro se dá na infância dela, abstraí o fato e me encantei com a criança que ela foi. E com o modo como aquela família via a vida.

Abaixo segue um trechinho especial do livro:

“Nunca acreditei em Papai Noel.

Nenhum de meus irmãos acreditava. Mamãe e papai se recusaram a nos deixar acreditar. Eles não tinham condições de comprar presentes caros e não queriam que nós pensássemos que não éramos tão bons como todas as outras crianças que, na manhã de Natal, encontravam todo tipo de brinquedos bacanas debaixo da árvore, que eram, supostamente, deixados lá pelo Papai Noel. Então, eles nos contaram que as outras crianças eram enganadas pelos pais, que os brinquedos que os adultos diziam serem feitos por duendes que usavam chapeuzinhos com guizos em um ateliê no pólo Norte tinham, na verdade, etiquetas onde estava escrito “Made in Japan”.

— Tentem não desprezar essas outras crianças — dizia mamãe.

— Não é culpa delas se elas sofreram uma lavagem cerebral pra acreditar nesses mitos bobos”.

Quanto mais eu me aproximo dos 30 anos, menos dou valor a coisas que não duram e que não merecem ser lembradas daqui a 30 anos. A história de Jeannette não é auto-ajuda, é um sopro de realidade de quem vê a vida com pés calejados e mãos limpas.

Recados do clima

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Gente, deu a louca no clima! Mas bem que ele já estava avisando há tempos… Neve nos EUA e Europa, chuva no Brasil e muitas tragédias. A Natureza mostra sua força frente à tentativa do homem de destruí-la.

Não entendo por que é tão difícil aceitar que, se não fizermos nada, o clima não vai parar de agir contra nós. Afinal, não são mais teses ou previsões: é realidade.

Tirando o sensacionalismo da cobertura jornalística (leia o excelente artigo do Dines aqui), a enchente em Angra dos Reis é um pequeno exemplo de como a ação do homem pode se voltar contra ele próprio. E de como o clima está interferindo até em áreas preservadas (onde, teoricamente, não deveria ter ocorrido deslizamentos).

Parece mais algum tipo de recado da Natureza depois do fracasso de Copenhague. Eu, se fosse a Natureza, daria esse recado também, com certeza. Do tipo: “ah é, vocês acham que é brincadeira, né? Que vocês podem se garantir com essas metas ridículas e achar que vai ficar tudo bem?”.

Uma pena que esse recado custe a vida de tantas pessoas…

Tudo novo de novo

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Feliz ano novo, feliz vida nova! 2009 se foi e com ele se encerra um ciclo importante da minha história. Depois de exatos 10 anos em Niterói/ Rio de Janeiro, estou me preparando para uma nova mudança: Santa Catarina me espera!

Foram muitos aprendizados na faculdade, aprendi a me virar sozinha na “cidade grande”, trabalhei muito, me apaixonei, casei. E como não poderia deixar de ser, mudo de estado pra acompanhar o marido. Feliz da vida.

Mais ou menos, é claro. Não é fácil deixar os amigos tão queridos, sem os quais não posso mais viver. Ainda bem que amizade não conhece distância e eu sei bem disso. Minhas amigas da escola são amigas de verdade até hoje, mesmo sem a convivência diária em Cachoeiro.

Ficarei mais longe ainda da família, e isso dá um aperto danado. Nada que um avião não resolva, mas dói um pouquinho mais. Ninguém se acostuma a sentir saudades.

E eu, a mais ansiosa de todas as pessoas do universo, não sei qual será meu destino daqui a alguns meses. Capital, oeste, litoral… ainda bem que o meu Cartão de Visitas já foi na minha frente, olhou debaixo das camas, encheu a despensa de alimentos. Assim aprendi no livro “Deus trabalha no turno da noite”, de Ron Mehl. Quer certeza melhor?