O Castelo de Vidro

Padrão

Meu primeiro livro de 2010 já começou especial: um presente recebido daquela amiga-prima que sabe seu gosto, que te conhece de verdade. Comecei a ler no avião, uma excelente desculpa pra quem tem pavor de voar. E não é que deu certo? Nem senti o tempo passar, tão boa é a história da vida de Jeannette Walls.

Não é fácil escrever sua própria biografia. Se eu disser que o livro conta a história de uma menina muito pobre que conseguiu vencer na vida, você compraria? Eu, com certeza, jamais. E é por isso que o livro me impressionou tanto. Em nenhum momento eu senti pena de Jeannette, porque ela mesma não se retrata dessa forma.

A narrativa é tão bem contada que eu me transportei para aquela realidade e, assim como ela, não conseguia sentir raiva do pai bêbado ou da mãe negligente. Talvez porque o pai bêbado era também sonhador e apaixonante; e a mãe negligente era também sensível e amava a liberdade.

Poderia me identificar logo de cara com o livro porque sabia que, no final, Jeannette se tornaria uma jornalista de sucesso. Mas como a maior parte do livro se dá na infância dela, abstraí o fato e me encantei com a criança que ela foi. E com o modo como aquela família via a vida.

Abaixo segue um trechinho especial do livro:

“Nunca acreditei em Papai Noel.

Nenhum de meus irmãos acreditava. Mamãe e papai se recusaram a nos deixar acreditar. Eles não tinham condições de comprar presentes caros e não queriam que nós pensássemos que não éramos tão bons como todas as outras crianças que, na manhã de Natal, encontravam todo tipo de brinquedos bacanas debaixo da árvore, que eram, supostamente, deixados lá pelo Papai Noel. Então, eles nos contaram que as outras crianças eram enganadas pelos pais, que os brinquedos que os adultos diziam serem feitos por duendes que usavam chapeuzinhos com guizos em um ateliê no pólo Norte tinham, na verdade, etiquetas onde estava escrito “Made in Japan”.

— Tentem não desprezar essas outras crianças — dizia mamãe.

— Não é culpa delas se elas sofreram uma lavagem cerebral pra acreditar nesses mitos bobos”.

Quanto mais eu me aproximo dos 30 anos, menos dou valor a coisas que não duram e que não merecem ser lembradas daqui a 30 anos. A história de Jeannette não é auto-ajuda, é um sopro de realidade de quem vê a vida com pés calejados e mãos limpas.

Anúncios

»

  1. Bom que tenha gostado prima. Não tem como ler um bom livro sem lembrar de pessoas especiais. Juninho em breve ganhará o dele também. rs

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s