Arquivo mensal: abril 2010

Bem, amigos…

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Há tempos queria escrever este post, e confesso que assistir ao “Bem, amigos” de ontem acelerou o processo. O assunto hoje é… seleção brasileira de futebol e Copa do Mundo 2010.

Não, não quero que o Dunga leve o Neymar. Me digam o que o time do Santos fez ano passado? Tudo o que eles têm até agora é a iminência da conquista de um campeonato estadual. Ele está jogando muito, mas há pouquíssimo tempo! E nunca, eu disse, nunca vestiu a Amarelinha. Se você fosse treinador, realmente levaria o Neymar? Depois de 3 anos e meio de trabalho, aparece um craque (sim, ele é craque), mas ainda muito inexperiente. Ele não pode pegar a vaga de quem tem sido sempre convocado, com todos os méritos. Não é justo.

Galvão ontem estava mais irritante que o de costume. Tentava convencer a todos de que o Dunga “deve levar os meninos e ver o que acontece”. Alôô, como assim ver o que acontece? E a responsabilidade do técnico, onde fica?

Com relação ao Ganso, aí a história muda de figura. Porque a seleção não precisa de um atacante de imediato. Adriano e Luís Fabiano matam a pau. Já o Ganso poderia ser um bom reserva do Kaká e o Brasil realmente está com carência nessa posição. Além do mais, o Kaká preocupa fisicamente. Então, a convocação do Ganso é plausível, até porque, na minha opinião, ele é mais inteligente tecnicamente que o Neymar.

Galvão disse que não existe “campanha” pela convocação deles, existe “clamor”. Ah, faz-me rir. O Paulo Cesar Vasconcelos era o único coerente entre Renato Mauricio Prado, Caio, etc. Ele e o Romário, que falou super bem sobre o assunto.

A seleção do Dunga pode não ser a de jogadas mais bonitas, como a de 70. Pode não ser a mais carismática, como a de 2006. Mas tem tudo para ser guerreira como a de 94. Se o Dunga conseguir formar um time, com tudo o que essa palavra significa, leva o título. E ele tem feito tudo para que esse time se mantenha unido e tenha a mesma filosofia e comportamento. Por isso não leva o Gaúcho. Destoaria.

Sabe os meninos do vôlei? Que são conhecidos por serem super família, por levarem as esposas aos jogos? Pois é, pode ser piegas, mas isso faz toda a diferença. A seleção do Dunga é a seleção do compromisso, da força de vontade, da valorização da família e do bom exemplo. É a seleção dos atletas de Cristo.

Por isso me irritei tanto com o Galvão ontem. OK, sempre me irrito, mas ontem foi demais. Ele foi infeliz em todo o programa, batendo nessa tecla da convocação e tentando arrancar do Romário, a todo custo, a manchete do dia seguinte: “Romário pede convocação dos garotos do Santos”. Mas Romário não deu a manchete! Ponto pro Baixinho.

Então, resumindo a história: Não ao Neymar, talvez ao Ganso e a certeza de que veremos uma seleção unida, coesa e determinada a jogar um futebol eficiente. E, quem sabe, com alguns lances de genialidade. Não duvidem do Luís Fabiano e do Adriano.

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Nada e tudo a ver

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Sexta à noite, computador, suco de maracujá. Enquanto espero o marido chegar do trabalho, faço uma boa ação ao resumir um texto de 117 páginas para a pós da minha irmã. OK, ficar em casa tem seu ônus, agora já sei, rsrs.

Eis que, entre a leitura sobre sociedade do consumo e algumas escapadelas no Twitter, me deparo com duas frases muito instigantes. Confesso que gosto mais da profundidade da segunda, mas a primeira me fez refletir, o que também vale muito.

Ao customizarmos uma roupa, ao adotarmos determinado tipo de dieta alimentar, ao ouvirmos determinado tipo de música, podemos estar tanto consumindo, no sentido de uma experiência, quanto construindo, por meio de produtos, uma determinada identidade. (Lívia Barbosa e Colin Campbell)

Um lugar deve existir, uma espécie de bazar, onde os sonhos extraviados vão parar. (Chico Buarque)

Ainda no computador, olhando mais pra cima, não resisti aos clicks abaixo. Porque qualquer hora é de saudade:

O senhor, a mocinha e a Unimed

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Acordei bem cedo, antes das oito. Tava um friozinho bom, o quarto bem escuro. Mas tínhamos que sair logo, ver os últimos detalhes do plano de saúde antes do marido ir pro trabalho.

Pegamos o carro, mas nem precisava, porque a Unimed fica bem pertinho de casa. Chegando lá, fomos muito bem atendidos. Com a documentação em mãos, foi fácil preencher a ficha e ser incluídos na lista de sortudos que têm um plano de saúde particular.

Enquanto o marido tirava as últimas dúvidas, um senhor me chamou atenção. Chegando com duas muletas, ouviu da mocinha: “Espere só um minuto que já venho lhe atender”. Não demorou, é verdade. Ela prosseguiu: “O senhor não quer sentar?”. Ele disse: “Não sei se dá”. Não entendi muito bem até olhar para a cadeira, eram aquelas de braço, que dificultam bastante a vida de um deficiente físico. Mas ele conseguiu.

Foi pessoalmente à Unimed porque tomou um grande susto ao ver o boleto de pagamento, cujo valor tinha dobrado: R$ 1.500. Foi informado pelo filho, e logo disse: “Com certeza é um engano, eles devem ter errado”. A mocinha virou-se para o computador e voltou com a pergunta: “O senhor tem 60 anos?”.

“Sim, completei mês passado”, disse, sem entender. “Ah, então é isso! O plano foi reajustado, mas esse será o último reajuste que o senhor terá”. Como se isso fosse uma boa notícia. Pra mim soou mais como um aviso do tipo “o senhor não tem mais muito tempo de vida para reajustes”.

Quase sem acreditar, ele perguntou: “mas o valor dobrou, como pode? Ninguém me avisou nada!”. De pronto, a mocinha respondeu, no estilo clássico: “Isso estava previsto no contrato, senhor”.

Ainda não sendo suficiente, ela perguntou: “a sua esposa vai fazer 60 anos quando?”. “Em agosto. Acontecerá o mesmo com o plano dela, é isso?”. “Sim, também será reajustado pela última vez”.

“Mas como vou pagar R$ 3 mil de plano de saúde? Vou ficar sem ter o que comer ou terei que acabar com o meu plano e o da minha esposa”. Com a mesma cara de paisagem, a mocinha disse: “sinto muito, senhor”.

Ele pegou o boleto da mesa, guardou no bolso e, com muita dificuldade, conseguiu se levantar. Ao sair da sala, ainda tentou fechar a porta, quando a mocinha falou: “pode deixar aberta, senhor”.

E eu, que acabava de receber da outra mocinha o Guia Médico e as boas vindas à Unimed, engoli seco. Com o coração muito apertado, pensei no quanto eu, aquele senhor e as mocinhas da Unimed somos parecidos. E ao mesmo tempo tão diferentes. Um abismo chamado desigualdade social nos separa. É isso que define quem terá uma assistência decente à saúde, que deveria ser de graça e para todos.

Meu coração carioca

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Difícil ver Niterói e o Rio nessa situação tão triste… impossível não pensar onde eu estaria naquela segunda à noitinha. Provavelmente teria pegado todo o trânsito da Praça da Bandeira, 28 de Setembro e afins. Lugares que ficaram completamente debaixo d’água.

Não há palavra que descreva a dor das pessoas que perderam seus queridos, que estão vivendo um pesadelo sem fim. E, na boa, nessa hora de tanta dor, não consigo ser tão crítica com o Eduardo Paes, Sergio Cabral e cia. Li muitos comentários ácidos a respeito das declarações deles e não morro de amores por nenhum dos dois. Mas não dá pra condená-los por um problema que se arrasta há anos e não será resolvido amanhã. Infelizmente.

Prefiro aplaudir o trabalho dos Bombeiros e da Defesa Civil, que têm homens com verdadeira vocação para salvar vidas. Pessoas que se arriscam de dia e à noite em busca de sobreviventes desconhecidos. É por causa de pessoas assim que ainda podemos pensar em esperança.

O morro do Estado, em Niterói, um dos mais atingidos pela chuva, ficava bem perto de onde eu morava. Apesar de ser um lugar perigoso, fiquei lembrando das inúmeras vezes em que passei por lá, pra ir no shoppping ou na casa de amigos que moravam no prédio bem em frente. Gostaria de ter o poder de voltar no tempo, exatamente naquela caminhada à tarde. Pudera eu devolver a alegria a quem não sabe mais onde ela ficou.