Arquivo mensal: julho 2010

Cidade da dança

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Espetáculo Giselle. Foto: Jessé Giotti

Desde que cheguei em Joinville, ouço falar do Festival de Dança. Na verdade, já tinha até editado os releases para o site da Petrobras, mas não fazia ideia da dimensão do evento.

A cidade respira dança durante dez dias, literalmente. Há palcos em diversos lugares, bailarinos andando pelas ruas, hotéis lotados, taxistas felizes. Segundo o Guinessbook, é o maior evento de dança do mundo.

E fomos nós para a Noite de Gala. Umas 5 mil pessoas no centro de eventos, pra ver a apresentação do famoso balé Giselle. Confesso que nunca tinha assistido a um espetáculo de balé clássico, e me surpreendi com a beleza. Os bailarinos parecem flutuar no palco, lindo demais de ver.

O clima do evento é muito diferente também. Não tô falando do frio – esse nem preciso mencionar – mas da alegria das pessoas. Não há protocolos com palmas e afins. Eu vi olas antes do espetáculo, luzes de celulares que pareciam velas acesas no escuro. Tudo espontâneo e, por isso mesmo, tão especial.

Ontem, fomos de novo, desta vez pra assistir jazz. Não achei tão bom quanto o balé, mas fico impressionada com a capacidade que eles têm de decorar as coreografias, algumas duram uma eternidade! Eu não conseguiria nem os dois primeiros passos…

Aos poucos, e cada dia mais, vou descobrindo muitos cartões de visita por aqui.

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Caminhando e cantando

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Eu cresci. Tá, não é muita novidade, mas acho que a ficha só caiu pra mim há um mês…

Tenho aprendido muita coisa em Joinville, desde o exato dia em que colocamos os pés aqui. Os amigos que fizemos, o trabalho que consegui tão rápido, as conquistas do Raphael em pouquíssimo tempo. Muito mais do que a gente esperava e merecia.

E quanto mais longe dos amigos e da família, mais crescida eu fico. Tantas responsabilidades, planos, dificuldades a superar. Parece que a vida está mais intensa e exigente. O que não é ruim, apenas diferente. Seria uma prévia da crise dos 30?

No trabalho, me assustei ao saber que sou uma das mais velhas. Por ser meio precoce desde pequena, estive sempre rodeada de pessoas com mais idade que eu. No inglês, no piano, na faculdade e nos dois outros trabalhos. Agora, tenho uma equipe a coordenar, que precisa dos meus conhecimentos e da minha experiência.

Aí, pensei: e eu lá tenho experiência? Pode ser patético, mas eu nunca havia parado pra pensar nisso. É claro que eu tinha a consciência de ter aprendido muito do jornalismo nesses seis anos de formada. Mas daí a ensinar alguma coisa a alguém…

E até nisso Deus tem sido Pai com P maiúsculo. Os estagiários que trabalham comigo são os mais fofos do universo. Eles têm me ensinado a desenvolver essa liderança que andava meio adormecida em mim. No entanto, ser canal de aprendizado pra alguém é uma baita responsabilidade e eu lembro disso todos os dias. Quero marcar a vida profissional deles da melhor forma possível, assim como tanta gente marcou a minha.

Vivendo e aprendendo, não é assim?

Crônica de uma despedida triste

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Então…

Parecia que o Varanda estava mesmo à espera desse post de despedida da Copa. Chegava em casa com mil pensamentos para escrever e, não sei por que, não conseguia. E assim passaram os jogos do Brasil com Costa do Marfim, Portugal e Chile.

Mas hoje é diferente. Preciso escrever – e que bom que aqui posso me expressar como bem entender – que estou muito triste com essa derrota. Tanto quanto em 98 e 2006. Gosto do Dunga, nunca escondi isso, e admiro especialmente os jogadores. Mas a vitória resolveu escolher outro caminho.

Coisas que a gente não sabe explicar. E não venham me dizer que a Holanda jogou melhor. Todos eram unânimes no primeiro tempo: o Brasil marcava com eficiência e poderia ter aumentado o placar, não fosse a qualidade técnica do goleiro laranja.

Desta vez, não houve grandes erros da arbitragem, mas o juiz foi um dos grandes responsáveis pelo desfecho no segundo tempo. Parando o jogo a cada faltinha, o Brasil foi ficando nervoso, inquieto. E o jogo passou a ser favorável para quem tivesse mais frieza. Nós todos sabemos que o Brasil não é um país frio. E a Holanda?

A Holanda amou o jogo truncado, feio de ver. Apitar zilhões de faltas era parar o contra-ataque do Brasil, a arrancada do Kaká. Frios, eles souberam aproveitar as oportunidades. Bom futebol? Longe disso.

O Brasil perdeu pra si mesmo, emocionalmente. Apesar de unido, coeso, comprometido, não estava preparado para uma guerra de nervos. Deveria estar? Sim. Mas dá pra culpá-los disso? Não.

Pensar em 2014 é um alívio e uma angústia, ao mesmo tempo. Por isso, prefiro tirar férias do futebol, um período de descanso mental. Dane-se Argentina, Alemanha e afins. Como flamenguista, não tenho o costume de torcer contra nenhum outro time. Sou Brasil e ponto final.