Arquivo mensal: janeiro 2013

Expedição Rio da Prata

Padrão

Tem gente que passa a vida sem viver uma aventura de verdade e vive feliz.
Tem gente que passa a vida querendo viver uma aventura de verdade e, quando vive, é muito mais feliz.

Se eu não tivesse ido, não teria contemplado o amanhecer mais lindo que já vi
Não teria visto o cuidado de Deus quando tudo parecia dar errado
Não teria aprendido a confiar em pessoas desconhecidas.

Se eu não tivesse ido, não teria falado espanhol
Não teria conhecido Tacuarembó
Não teria dado tantos sorrisos em tão boa companhia.

Tem gente que quer chegar logo pra conhecer muitos lugares.
E tem gente que quer conhecer muitos lugares antes de chegar.

rua

Anúncios

Sobre espelhos

Padrão

Daí que escrever teses é um ato inocente, menos pelas intenções que porventura as presidam e mais pela mesquinhez da fala presente dos que as escrevem. Todos. Contudo, tentar fazer de uma obrigação escolar uma olhada suspeita sobre a realidade instalada faz um certo bem, a mim e outros. Circular certas considerações e atitudes pode servir pra não somente espairecer mas também para apontar como as coisas estão erradas e como poderiam ser diferentes. E sobretudo que, em última instância, somente enquanto excluídos, nós e eles, é que faremos coisas que mudem o que em certas épocas parece imutável e apto apenas para ser descrito, analisado e acumular títulos acadêmicos. Este palácio de espelhos em que ficam uns lendo, criticando ou elogiando os trabalhos dos outros. Confinamento forçado mas que acaba recebendo nossa adesão. Com o perigo de ficarmos falando indefinidamente dos espelhos e seus sistemas refletores. E a vida se acumula lá fora até que seu peso derruba o palácio e o dia cega a quem se acostumou a olhar seu rosto à medialuz.

Nessas produtivas tardes de janeiro, o texto do inesquecível professor Serra é um alento para mim. Em meio a leituras e pensamentos que mais me atordoam do que esclarecem, posso ainda sentir o cheiro de seu cachimbo na sala de aula da UFF. Serra, quando eu crescer, quero ser como você.