Sobre espelhos

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Daí que escrever teses é um ato inocente, menos pelas intenções que porventura as presidam e mais pela mesquinhez da fala presente dos que as escrevem. Todos. Contudo, tentar fazer de uma obrigação escolar uma olhada suspeita sobre a realidade instalada faz um certo bem, a mim e outros. Circular certas considerações e atitudes pode servir pra não somente espairecer mas também para apontar como as coisas estão erradas e como poderiam ser diferentes. E sobretudo que, em última instância, somente enquanto excluídos, nós e eles, é que faremos coisas que mudem o que em certas épocas parece imutável e apto apenas para ser descrito, analisado e acumular títulos acadêmicos. Este palácio de espelhos em que ficam uns lendo, criticando ou elogiando os trabalhos dos outros. Confinamento forçado mas que acaba recebendo nossa adesão. Com o perigo de ficarmos falando indefinidamente dos espelhos e seus sistemas refletores. E a vida se acumula lá fora até que seu peso derruba o palácio e o dia cega a quem se acostumou a olhar seu rosto à medialuz.

Nessas produtivas tardes de janeiro, o texto do inesquecível professor Serra é um alento para mim. Em meio a leituras e pensamentos que mais me atordoam do que esclarecem, posso ainda sentir o cheiro de seu cachimbo na sala de aula da UFF. Serra, quando eu crescer, quero ser como você.

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    • Oi professor! Esse trecho está na introdução do livro “Desvio nosso de cada dia”, do Serra. Tem na biblioteca da UFSC, estava lendo pra minha dissertação 🙂

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