Arquivo mensal: maio 2013

Pescaria de barco

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Não é por ser meu conterrâneo, mas sim, por ser genial. Cada frase dessa linda crônica de Rubem Braga é uma aula de texto. Como um texto deve ser, para dizer, sensibilizar, incomodar.

Às seis horas apontamos a proa para a ilha Raza e às doze e meia já estávamos de volta. Foi uma pescaria curta e modesta, pois trouxemos apenas um dourado de dez quilos que o patrão do barco fisgou, eu ajudei a tentear e Chico Brito puxou com o bicheiro.

Não o choreis. Era na verdade lindo, a correr e saltar na água azul, todo verde e dourado e azul; lutou pela vida, foi bravo e morreu. Não o choreis: era um belo animal cruel e, além disso, guloso. Quando foi aberto o seu buxo, havia dentro dele várias sardinhas e vários baiacus, todos abocanhados inteiros, alguns evidentemente há bem pouco tempo. Ele estava, portanto, de barriga cheia, e com uma grande parte da digestão por fazer; se engoliu nossa modesta sardinha não foi por fome e sim por mania predatória. Como somos democráticos e defensores dos fracos e pequenos, choramos as sardinhas e baiacus. Quanto ao dourado o dividimos em postas e o almoçamos tranquilamente, ao som de um vinho branco Santa Rita, devidamente chileno. Após o que deitei-me, na minha branca e cearense rede, cuja varanda é bordada de leões, e cochilei cerca de meia hora, a sonhar vagamente com minha amada e com o mar.

Enfim, tudo isso são prazeres que um intelectual modesto pode usufruir em um país subdesenvolvido a esta altura do século, após trinta anos de labor relativamente honesto. Nos prazeres referidos não vai incluída a amada, que, por desamante, antes seria motivo de melancolia; mas, se sua presença é esquiva, sua lembrança às vezes é doce, principalmente quando servida com peixe, vinho e rede.

Como o leitor está vendo, ao fim de tudo isso deixei a rede e abri a máquina de escrever. Aqui estou. Que poderia contar além da minha pequena experiência pessoal do dia de hoje? Não sou homem de inventar coisas, mas de contá-las. Seria preciso talvez dar-lhes um sentido, mas não encontro nenhum.

As coisas, em geral, não têm sentido algum.

peixe

Minha mãe

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Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Tenho medo da vida, minha mãe.
Canta a doce cantiga que cantavas
Quando eu corria doido ao teu regaço
Com medo dos fantasmas do telhado.
Nina o meu sono cheio de inquietude
Batendo de levinho no meu braço
Que estou com muito medo, minha mãe.
Repousa a luz amiga dos teus olhos
Nos meus olhos sem luz e sem repouso
Dize à dor que me espera eternamente
Para ir embora. Expulsa a angústia imensa
Do meu ser que não quer e que não pode
Dá-me um beijo na fronte dolorida
Que ela arde de febre, minha mãe.

Aninha-me em teu colo como outrora
Dize-me bem baixo assim: – Filho, não temas
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
Dorme. Os que de há muito te esperavam
Cansados já se foram para longe.
Perto de ti está tua mãezinha
Teu irmão, que o estudo adormeceu
Tuas irmãs pisando de levinho
Para não despertar o sono teu.
Dorme, meu filho, dorme no meu peito
Sonha a felicidade. Velo eu.

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Me apavora a renúncia. Dize que eu fique
Dize que eu parta, ó mãe, para a saudade.
Afugenta este espaço que me prende
Afugenta o infinito que me chama
Que eu estou com muito medo, minha mãe. – (Vinicius de Moraes)

A semana

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– 700 quilômetros percorridos de ônibus, entre Joinville e Floripa
– 2 noites longe de casa, mas perto de amigas-anfitriãs maravilhosas
– 2 aulas como professora, 1 como aluna e outra como estagiária de docência
– 1/2 livro lido
– 9 alunos (des) orientados
– 1 pizza de chocolate na madrugada
– 1 vinho, 1 massa e a melhor companhia do mundo
– 0 idas à academia
– 0 dor de cabeça, 0 doença
– muito cansaço e a sensação de dever cumprido.

Artigo na Revista de Estudos da Comunicação (PUC-PR)

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A publicação de erratas no jornalismo online: parâmetros éticos para uma discussão acerca de condutas mais adequadas

Resumo
O presente artigo tem como base o projeto de pesquisa aprovado no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC-2012). A partir da identificação das modalidades de comunicação do erro nos principais webjornais brasileiros e da análise de uma errata selecionada, o artigo pretende levantar reflexões para condutas mais adequadas e eficientes, contemplando princípios éticos do jornalismo, especialmente aqueles que convergem com o jornalismo online. Parte-se do princípio de que há uma deficiência nas modalidades atuais de publicação de erratas e uma necessidade de descobrir uma maneira pela qual o leitor seja informado com precisão sobre os fatos. Nesse contexto, compreende-se a errata como o instrumento que dá visibilidade ao erro jornalístico e deve ser utilizada todas as vezes em que a notícia necessitar de correção. Seu caráter é de prestação de contas com o público leitor, pois, agindo com transparência na admissão de erros, o veículo mantém sua credibilidade.

Palavras-chave : Errata. Jornalismo online. Ética. Leitor. Qualidade jornalística.

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