Arquivo mensal: fevereiro 2015

Discurso de paraninfa – Turma de Jornalismo do Bom Jesus IELUSC

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Bom dia a todos! Cumprimento os colegas da mesa, na pessoa do Diretor Geral do Bom Jesus IELUSC, professor Silvio Iung, e também todos os familiares e amigos dos formandos. E, é claro, cumprimento em especial meus 13 alunos de Jornalismo aqui presentes, para os quais dirijo agora algumas palavras.

É um privilégio muito grande, daqueles para nunca esquecer, ser paraninfa de uma turma como essa, que deixa marcas na história dessa instituição. Posso dizer, sem medo de errar, que vocês aproveitaram intensamente a vida universitária. Vocês verdadeiramente OCUPARAM o IELUSC, no melhor sentido dessa palavra. Ocuparam o DCE, o Necom, a AACOM, o Jornal do Paraíso, a biblioteca, a Revi, a CPA, a Câmara de Ensino Superior. Temos aqui alunos-líderes, que para além dos cargos que ocuparam nesses setores do IELUSC, teceram como o mais hábil dos tapeceiros uma trajetória certamente inesquecível.

Hoje, ao ver a obra pronta, vocês podem se orgulhar. Orgulhem-se do caminho que construíram, da sede de conhecimento que fez com que vocês não parassem, não se acomodassem nas cadeiras da sala de aula. E se eu pudesse dar um conselho a vocês, seria esse: não se acomodem nas redações, nas assessorias de imprensa, nas empresas. Não se acomodem na vida. Preservem esse espírito inquietante dos grandes jornalistas. Aqueles que têm curiosidade pelo mundo, que sabem fazer as perguntas certas, as que mais incomodam. O jornalismo de hoje precisa de repórteres com o pé na lama, mais do que nunca. Nenhuma tecnologia substituirá o olhar do jornalista na cena em que o fato acontece. Pelo contrário, a tecnologia deveria servir para facilitar o processo produtivo da notícia, e não para criar uma geração do que alguns autores estão chamando de ‘jornalistas sentados’. Estejam sempre de pé e, quando sentados, preparados para sair. A notícia não espera e o furo é nosso combustível para fazer jornalismo de qualidade.

Eu acompanhei de perto cada um de vocês, desde a quinta fase do curso. Foram no mínimo três disciplinas, pois alguns ainda fizeram optativa, projeto experimental e monografia comigo. Tempo suficiente para enxergar em cada um de vocês um imenso potencial, não só como profissionais, mas como cidadãos. Isso é o que mais me encanta em vocês: a preocupação com os direitos humanos, a sensibilidade, a luta por quebra de padrões acachapantes, a superação das dificuldades pelo caminho.

Não era raro alguns de vocês chegarem apressados na aula, vindos direto do trabalho, né Mateus Formigari e Regiane? Correrias que renderam algumas lágrimas e paçoquinhas no meio da aula. Havia aqueles que faziam perguntas difíceis de responder, né Luis e Patrícia? Quantas vezes cheguei em casa e fui pesquisar, pra poder voltar ao assunto na aula seguinte. Tinha também aquela capaz de grandes gentilezas, como voltar do intervalo com café e pão de queijo pra professora, né, Naiara Larsen? Ou aquela que nunca desviava o foco, de uma responsabilidade persistente, né, Tatiane? Ou a que se descobriu diretora de documentário, a mesma que me chama no facebook quando bate alguma dúvida no trabalho, né Ana Paula?

Há ainda aquela que começou a cursar jornalismo por meio do trabalho incrível que a professora Valdete faz em seu bairro. De moradora a bolsista do Jornal do Paraíso, né, Naiara Melchioretto? Ou aquele menino tímido, que sempre me surpreendia nos exercícios e pelo excelente texto, né, Mateus Pereira? Ou aquelas que me fizeram chorar com o webdocumentário sobre a Comunidade Juquiá, né Nayara Soethe e Oelen? Que lindo produto jornalístico vocês fizeram… Por fim, há aquela de humor inteligente e perspicácia invejável, né Pâmela? E também a que te contagia com seu sorriso e com o compromisso que tem com os que mais sofrem, né Juliane?

Na sala de aula e fora dela, sempre procurei ser parceira de vocês porque realmente acredito que assim deve ser a docência. Arrisco dizer que os melhores momentos, os mais ricos, não acontecem na sala de aula, mas nas conversas informais, nos cafés com bobagem e com debate, nas oportunidades que tivemos ao longo do curso de ultrapassarmos hierarquias formais. Como quando eu e a Naiara Larsen escrevemos juntas um livro sobre blogs escolares, fruto de uma iniciativa dela para um projeto de extensão que desenvolvemos no curso. Vocês me fazem acreditar na educação que transforma, aquela que é asa e não gaiola, como disse Rubem Alves. Vocês me dão esperança de que o jornalismo do futuro pode e deve ser melhor. Mais humano, mais relevante, mais comprometido com as grandes causas.

E pra provar que não sou só eu que acho isso – até porque a paraninfa é sempre suspeita – pedi para que meus colegas professores contassem um pouco sobre a experiência que tiveram com essa turma.

O professor César Santos começa: “Gosto demais deles. Foi minha primeira turma no Ielusc, com quem dividi não só a sala de aula. Eles foram meus parceiros na construção do conhecimento. Ensinamos e aprendemos juntos, embora talvez eles nem saibam o quanto foram importantes nesse processo”.

Com a palavra, a professora Marília Moraes: “Das lembranças que guardo deles, uma das mais recentes e que envolveu praticamente toda a turma foi o episódio da “lista”. Em Redação 6, Jornalismo Literário, distribuí uma lista de livros para que dela escolhessem uma obra para ler até o final do semestre e tomar por base para produzir um ensaio. Só mesmo uma turma como essa para transformar “a lista” em uma saudável e divertida disputa, contribuir com a adição de mais títulos, movimentar sebos e ainda divulgar a relação aos colegas de outras fases. Sem dúvida, eles estão prontos para voar bem alto.”

A professora Amanda Miranda também deu seu depoimento: “Sempre vinculei essa turma ao que vejo de mais especial no jornalismo: o interesse pelo outro. Não só o de contar a história do outro, mas o de vêlo em situação de igualdade. É importante que os jovens profissionais reconheçam o potencial que possuem para transformar o mundo em que vivem a partir da palavra. Uma palavra que comove, que elucida e que age. Tenho certeza de que se depender deles essa tarefa será cumprida com muita determinação e afinco”.

Também a professora Graziela Bianchi, que já lecionou no Ielusc e fez questão de estar aqui hoje, disse: “Muita gente passa por nossas salas de aula e por nossas vidas, por nossos projetos e por nossas histórias, alguns ficam pelo tempo necessário de uma disciplina, de uma atividade, e se vão, cumprem seus papéis, o que se espera deles. Mas alguns vão além da postura disciplinar de estudantes, são aquelas pessoas que gostaríamos de estar perto para sempre, que fazem nossos dias mais felizes e que se tornam mais que nossos alunos, são nossos amigos”.

Do também ex-professor Lúcio Baggio: “O que consigo falar deles remete à lembrança de uma caminhada. São pessoas especiais, comprometidas, instigantes. Que projetam algo além delas mesmas em suas atitudes e escolhas. Digo isso não como elogio, mas como constatação. São jovens e têm realmente o mundo a seus pés. A nós caberá apenas contemplar, certo que nossas vidas ainda se cruzarão”.

Por fim, da professora Maria Elisa Máximo: “Foram arrebatadores. Não foram poucas as vezes que me tiraram da minha zona de conforto para pensar a partir de outros prismas, de temas inesperados, de caminhos não antes trilhados. Saem daqui bons jornalistas porque, cada um ao seu modo, aprenderam a olhar a profissão “de viés”, a questioná-la, a enxergar seus dramas antes de encará-la de frente. Tenho orgulho de têlos em meu currículo e nas memórias mais afetivas da minha jornada”.

Viram como não sou só eu, né? Vocês conseguiram. Agora, mais um desafio começa, mais uma fase na vida de cada um. Não esqueçam do que aprenderam no curso, atualizem-se sempre, estudem e voltem quando quiserem. As portas do Ielusc e do nosso coração estarão sempre abertas para vocês.

Muito obrigada!
Lívia

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