Arquivo mensal: abril 2015

RIP Galeano

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Há poucos dias publiquei aqui um lindo poema de Eduardo Galeano e na mesma semana ele se foi. Mas nunca irão morrer suas obras, seus pensamentos de esquerda, sedentos por igualdade, com uma lupa precisa para os que mais sofrem. 

Descanse em paz, Galeano. Por aqui, continuaremos a lutar.

“Na luta do bem contra o mal, é sempre o povo que morre”.

“Não consigo dormir.
Tenho uma mulher atravessada entre minhas pálpebras.
Se pudesse, diria a ela que fosse embora;
mas tenho uma mulher atravessada na garganta.”

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De nuestros miedos

nacen nuestros corajes
y en nuestras dudas
viven nuestras certezas.
Los sueños anuncian
otra realidad posible
y los delirios otra razón.
En los extravios 
nos esperan hallazgos,
porque es preciso perderse
para volver a encontrarse.

Eduardo Galeano

Sempre passa

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Do blog da minha querida amiga Amanda. Porque acontece com todo mundo. Porque passa.

A dor passa
Um dia eu sofri por amor.
Dói a cabeça. Os olhos. A pele. A boca. O peito.
Sempre que eu vejo alguém com o coração partido perto de mim, tenho vontade de dar a mão para a pessoa e dizer baixinho, naquele sussurro que só se anuncia aos mais atentos, que passa. Sempre passa.
Eu sou daquelas que perde noites em claro. Passa mal do estômago. Chora com filme triste e com filme alegre, mas vive intensamente o processo da cura. Processo esse que exige um pote de lágrimas, de descobertas, de redescobertas e, principalmente, de amor. Cura-se a doença com a própria causa da dor.
Quem já viu um amor (ou mesmo um projeto dele) ir embora, sabe de verdade que esses momentos são delicados, provocam marcas, apertam o peito. Mas também sabe que o que vem depois pode ser ainda melhor. Que a alegria de se sentir forte, ainda que só na estrada, é um prato cheio para novas conquistas. E um dia aquela dor, aquela lágrima persistente e aquele retrato escondido no quarto passam a ser uma marca sua, mas tão sua, que você percebe que se transformou. Geralmente, para melhor.
Nunca tenho vergonha de dizer que sofri muito mais do que uma vez. Mas foram sofrimentos bons, na medida em que me fizeram outra. O sentimento de se recompor é o melhor presente que o fim de uma história pode te dar.
Assim, se por uma coincidência tola do destino você veio me ler e está sofrendo deste mal, entenda que passa, sempre passa. Um dia você acorda sorrindo e dançando como uma criança. No outro você percebe que o mundo é grande e bom. No outro, pronto, a vida voltou. Perca um dia, um mês ou seis meses chorando. Permita-se rasgar algumas fotos. Reflita. Mas não esquece: é por pouco tempo. Confia em mim.