Sobre a morte

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É raro, mas às vezes alunos se tornam amigos. Raro porque não sou de me abrir facilmente e tenho extrema lealdade aos amigos de toda a vida.

Mas em Joinville eu precisei muito de amigos verdadeiros. E ela estava lá, de braços e coração abertos, quando isso aconteceu. Não foram poucas as vezes em que me ouviu, me aconselhou, me tranquilizou. “É assim mesmo, Lívia, vai passar”. E hoje, com outras histórias, damos risada lendo o horóscopo do dia, debatemos as colunas do Ivan Martins, compartilhamos ansiedades do amor moderno.

Por tudo isso, hoje é um dia muito triste. Ela perdeu seu irmão. Acompanhei de perto esses dois meses de luta, de fé e de esperança. Na capela, diante daquela cena tão triste, conversamos sobre o sopro da vida. Sobre a importância de valorizar os pequenos momentos, sobre dizer que se ama, sobre estar perto da família.

Nunca vou esquecer o olhar do pai chorando pelo filho. Com seu chapéu Panamá, fazia carinho no rosto dele e dizia: “Que surpresa, filho, que pena”… Pais não deveriam nunca enterrar seus filhos. É cruel demais.

Tudo o que pude dar foi meu abraço, minha companhia. Mas foi tão pouco diante da grandeza daquela dor. Nada será grande demais para amenizar a tristeza de perder um irmão.

Nesse dia tão chuvoso e triste, eu aprendi muito sobre a vida e sobre a morte. E quis estar perto de quem amo.

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