Arquivo mensal: fevereiro 2016

Poesia de aniversário

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Um presente lindo que recebi da Amanda, num dia muito especial. Tantas mensagens carinhosas, algumas especiais recebidas na madrugada. Tanta saudade…

Lívia

Tinha tanto dentro dela que nela não cabia. Que dela se espalhava. Que bela ela sorria. Tinha tanto pra mostrar e tanto pra esconder, pra guardar, pra conter.

Mas escolheu não.

Ela sempre escolheu não.

Não ser obviedade, não ser razão. Ser vento, tempestade, ser vulcão.

Tinha dias dentro dela que eram noites. Noites de lua, noites de vida, vida de rua. Porque na noite acordava e adormecia. Pra viver, se espalhar, ser poesia.

Tinha tanto dentro dela, que perdia. Tinha medo, se escondia. Mas num sopro do silêncio se erguia. Se encantava. Sim, vivia.

Se eu pudesse dar a ela um grande presente, escolheria uma fortuna de sóis e cores. Um tanto de paz, outro de amores. Uma vida longa pra que se perdesse e se achasse. Tantas e quantas vezes lhe doesse. Quantas e tantas vezes precisasse.

Faltava pouco pro seu dia, ela sabia. E só ganhava um ano bom quem merecia, quem se jogava, quem se esvaia. Quem se amava, quem se expandia. Quem se lançava, quem não temia.

(A poucas horas de um aniversário, há muitas horas no meu coração).

Gosto

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Gosto
Quando você me faz rir até a barriga doer
Quando fala algo que só nós iremos entender
Quando, mesmo sem querer, me faz esquecer
As coisas ruins daqueles dias antes de te ver.

Gosto
Quando você me olha
Quando você chora
Quando ignora
O que eu tinha dito naquela hora.

Gosto
Quando você aparece de surpresa
Quando faz de mim sua presa
Quando sabe que não sou indefesa
E desperta em nós aquela chama sempre acesa.

Gosto
Quando lembro da nossa cumplicidade
Quando percebo que é de verdade
Quando me dá saudade
E confesso pra ti que tenho vontade.

Gosto
Quando vejo teu cuidado comigo
Quando sinto que és meu amigo
Quando segredos contigo divido
E te conto das dores e amores vividos.

Gosto
Quando te tenho por inteiro
Quando não ligo se é passageiro
Quando não precisamos de mensageiro
E você me lê com teu olhar certeiro.

Gosto
Quando faço pra ti poesia
Quando percebo o tamanho dessa ironia
Quando as palavras que antes continha
Apenas transbordam como uma estranha magia.

Ela só quer paz

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Ela é um filme de ação com vários finais
Ela é política aplicada e conversas banais
Se ela tiver muito a fim, seja perspicaz
Ela nunca vai deixar claro, então entenda sinais.

É o paraíso, suas curvas são cartões postais
Não tem juízo, ou se já teve, hoje não tem mais
Ela é o barco mais bolado que aportou no seu cais
As outras falam, falam, ela chega e faz.

Ela não cansa, não cansa, não cansa jamais
Ela dança, dança, dança demais
Ela já acreditou no amor, mas não sabe mais
Ela é um disco do Nirvana de 20 anos atrás.

Não quer cinco minutos no seu banco de trás
Só quer um jeans rasgado e uns quarenta reais
Ela é uma letra do Caetano com “flow” do Racionais
Hoje pode até chover, porque ela só quer paz.

Hoje ela só quer paz
Hoje ela só quer paz
Hoje ela só quer paz

Hoje ela só quer, notícias boas pra se ler nos jornais
Amores reais, amizades leais
Ela entende de flores, ama os animais
Coisas simples pra ela são as coisas principais.

Sem cantada, ela prefere os originais
Conheceu caras legais, mas nunca sensacionais
Ela não é as suas “nega” rapaz
Pagar bebida é fácil, difícil apresentar pros pais.

Ela vai te enlouquecer pra ver do que é capaz
Vai fazer você sentir inveja de outros casais
E você vai ver que as outras eram todas iguais
Vai querer comprar um sítio lá em Minas Gerais.

Essa mina é uma daquelas fenomenais
Vitamina, é proteína e sais minerais
Ela é a vida, após a vida
Despedida pros seus dias mais normais
Pra que mais?

Ela não cansa, não cansa, não cansa jamais
Ela dança, dança, dança demais
Ela já acreditou no amor, mas não sabe mais
Ela é um disco do Nirvana de 20 anos atrás.

Não quer cinco minutos no seu banco de trás
Só quer um jeans rasgado e uns quarenta reais
Ela é uma letra do Caetano com “flow” do Racionais
Hoje pode até chover porque, ela só quer paz

Hoje ela só quer paz.
(Projota)

Teimosia

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Um livro que insiste em não querer ir para a estante. É dos melhores que ela já leu, apesar do mistério perturbador. Uma obra cuja compreensão não aparece na última página – e talvez nem depois dela.

Cansada de interpretar as intenções daquele autor, ela sabe que é hora de colocar o livro na pilha onde estão outros igualmente lidos. Ela não confia na insistência dele em querer permanecer ao lado da cama dela, ao alcance do olhar numa madrugada de insônia.

As madrugadas são sempre perigosas para quem gosta de ler.

 

Alma gêmea

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Uma dose só dividida em dois copos
Uma alma só dividida em dois corpos
Eu sei o melhor, se você tá, eu topo
Eu colo em teu colo

Trate-as como ladys, não como gagas
Honey baby, boa de afagar
Que eu quis, feliz, sonhei, pensei
Ser feliz é bem melhor que ser rei
Hey, hey, hey, menina
Digo ó, até no signo, viu só, nóiz combina
Teu beijo merlot e o riso de pérola fina
Me ganhou, ilumina a retina
Ai, essa sua boca de açaí, meto a roupa de sair, bala
Invadiria até pesadelos pra salvá-la
Pra ser teu, camafeu, bom malandro ou nerd
Um olhar desse seu, gps se perde

Uma dose só dividida em dois copos
Uma alma só dividida em dois corpos
Eu sei o melhor, se você tá, eu topo
Eu colo em teu colo

Na de ser sua família, teu Hector Bonilha
De fé, ter você, minha Mulher Maravilha
Viver um conto de fada, história encantada
Outros caras querem te ligar, mas você já tá ligada
Casamento é coração, vidas em lua de mel
Se livrar da solidão, devagar aí ao léu
Quero pegar sua mão, depois fazer meu papel
Riscar estrelas no chão pra ti passear no céu

Uma dose só dividida em dois copos
Uma alma só dividida em dois corpos
Eu sei o melhor, se você tá, eu topo
Eu colo em teu colo.

(Emicida)