Soneto de carnaval

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Distante o meu amor, se me afigura
O amor como um patético tormento
Pensar nele é morrer de desventura
Não pensar é matar meu pensamento.

Seu mais doce desejo se amargura
Todo o instante perdido é um sofrimento
Cada beijo lembrado uma tortura
Um ciúme do próprio ciumento.

E vivemos partindo, ela de mim
E eu dela, enquanto breves vão-se os anos
Para a grande partida que há no fim

De toda a vida e todo o amor humanos:
Mas tranqüila ela sabe, e eu sei tranqüilo
Que se um fica o outro parte a redimi-lo.

(Vinicius de Moraes, Oxford, carnaval de 1939)

Foto 'Chico, Tom e Vinicius', de Evandro Teixeira, 1979.

Foto ‘Chico, Tom e Vinicius’, de Evandro Teixeira, 1979.

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