Arquivo da categoria: Bola nos pés

Além da Amarelinha

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Há algo de diferente nesta Seleção Brasileira, que ganhou não só a Copa das Confederações, mas também o troféu de equipe mais disciplinada.

Há algo de diferente nesta Seleção Brasileira, que passou batido pelas edições dos canais de TV e até pelas galerias de foto dos sites.

Há algo de diferente nesta Seleção Brasileira, que faz com que o capitão, após marcar seu gol, olhe para a câmera e diga: “Obrigado, Pai”. E esse algo é tão diferente que confunde até o experiente narrador.

Há algo de diferente nesta Seleção Brasileira, que está embaixo da camisa de diversos jogadores. Uma pequena frase, que foi primeiro estampada no peito do melhor atleta desta mesma Copa das Confederações. E agora virou mania, uma mania bem bonita de se ver.

Há algo de diferente nesta Seleção Brasileira, e só não vê quem não enxerga todo o resto.

copa das confederações

Foto: EFE

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A exceção do óbvio

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flamengoHá tempos não falo sobre futebol aqui no blog. Mas não é por falta de assunto, afinal, meu time é penta-tricampeão Carioca e eu não passo um dia sequer sem assistir a um programa esportivo. Até tento, confesso, mas o marido não deixa.

Impressionante como os homens têm a capacidade de assistir ao mesmo replay de gols do fim de semana 50 vezes. Dá pra decorar com que pé o jogador chutou a bola, se estava impedido, se foi falta. Talvez seja por isso que eles têm uma memória futebolística invejável.

Mas quero falar sobre o jogo de domingo: Flamengo x Cruzeiro e sobre as peculiaridades de um esporte que, por isso mesmo, é tão fascinante. Foi um jogo e tanto, como há tempos não via. Nível técnico excelente, poucas faltas, poucos passes errados. O Flamengo jogou muito melhor durante todo o jogo, estava com um jogador a mais e… perdeu por 2×0.

Aproveitando as poucas oportunidades e não desperdiçando pênaltis, o Cruzeiro chegou a uma vitória não merecida, mas legal. Ganha quem faz mais gols, essa regra é clara. No entanto, por que a bola do Flamengo não entrava de jeito nenhum? Culpa dos atacantes, dos laterais?

Não me sinto habilitada a analisar taticamente o jogo e muito menos a avaliar o técnico Cuca. Meu interesse é justamente em perceber que o futebol é um esporte ingrato, em que nem sempre o melhor vence. Ganha o mais competente, o que aproveita melhor as oportunidades. Daí vem a conclusão: por isso é um esporte apaixonante, por ser imprevisível.

No domingo, a vitória do Flamengo era uma questão de tempo. Júnior, craque do time na década de 80/90, concordava com a superioridade do rubro-negro. Mas não foi o que aconteceu e o placar terminou inquestionável.

Tomara que a maior torcida do mundo consiga perceber que esta derrota, vá lá, ficou com um gostinho de revanche…

Na segundona

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vasco

                                                Foto de Pablo Jacob – Globonline

 

E o Vasco caiu. Meu palpite aqui no blog furou feio, e o Gigante da Colina amanheceu hoje menorzinho. Apesar de Flamenguista, não consigo ver muitos benefícios nesta inédita perda, além, é claro, do riso contido no canto da boca.

 

Contido porque ontem foi um dia triste para o marido. Vascaíno doente, ele ficou visivelmente abalado, mas não admitiu muito. Preferiu lembrar que essa derrota é legado do Eurico e que agora, de repente, as coisas finalmente melhorem.

 

Ter um time carioca na segunda divisão significa ficar com apenas três na primeira, concorrendo com seis paulistas. Essa hegemonia dos times de São Paulo e a arrogância que lhes é característica só somam pontos contra o Rio. Aliás, nosso Estado perde até financeiramente com o rebaixamento do Vasco. Menos público nos estádios (são 12 milhões de torcedores), menos arrecadação.

 

É hora de se falar em limpeza, em ética. Ontem ouvi de uma amiga que o Roberto Dinamite contratou uma empresa de auditoria para fazer uma varredura nas contas do Vasco. E essa empresa está trabalhando de graça, já que o time não tem como pagar. Lamentável.

 

Enquanto isso, o meu Flamengo deu mole o campeonato todo e ficou só com a Sul-Americana, merecidamente. O rubro-negro tinha um dos melhores times do Brasileirão, mas as seguidas escalações ruins, desfalques e goleadas inadmissíveis tiraram o Mengão do páreo. Um aprendizado para 2009.

 

Totalmente o contrário da trajetória do São Paulo, que combinou um excelente técnico com um time focado e deu no que deu. O hexa do tricolor paulista é mais uma derrota para o Flamengo, que desde 1992 não ganha o Campeonato Brasileiro. Mais uma lição para 2009.

 

Quer ler mais sobre a rodada final? Visite o blog Futebol Racional.

Mais um capítulo da novela Dunga x Rede Globo

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dunga1“Dunga está chateado com o pessoal da Globo”, disse José Carlos Araújo, o “verdadeiro Garotinho”. O estopim do descontentamento teve como pivô o experiente repórter Renato Maurício Prado, que disse, no programa “Bem, amigos!” que o jogo contra Portugal seria o último do técnico pela Seleção Brasileira.

 

Coincidentemente, o convidado especial do programa naquele dia foi Muricy Ramalho, técnico do São Paulo, que pode ser tricampeão pelo clube. Não faltaram elogios de Galvão Bueno e companhia ao comandante tricolor. Qualquer pessoa, por mais desatenta que estivesse, perceberia o deslumbramento dos anfitriões pelo discurso de Muricy.

 

Ao chegar na Seleção, Dunga tomou medidas inéditas com a Rede Globo. Uma delas foi acabar com as regalias da emissora: nada de tendas montadas na concentração, muito menos entrevistas com os jogadores às três da madrugada. Seria esta a razão para tal comentário, devidamente blindado pelo sigilo da fonte?

 

As previsões do experiente repórter não se confirmaram – pelo menos por enquanto – e o Brasil ganhou de goleada dos portugueses. Teria acabado o complô contra Dunga? Ele receberia, enfim, alguma menção de competência? Parece que não.

 

A matéria d’O Globo, com título “Apesar da vitória sobre Portugal, Dunga começa 2009 ainda com o fantasma da demissão”, mostra que essa guerra não-declarada está longe do fim. O texto impressiona por diversos motivos: do início ao fim, carrega nas tintas ao sustentar que, apesar dos números a favor de Dunga, o “fantasma da demissão” ainda ronda o técnico. Isso tudo sem ouvir uma fonte sequer. É a opinião do jornal, por si só. Vejam o parágrafo:

 

“Na frieza dos números, a seleção brasileira termina 2008 no lucro, com a segunda colocação nas Eliminatórias e meio caminho andado para a Copa do Mundo da África do Sul. Mas isso não significa tranqüilidade para o técnico Dunga. Apesar de goleada de 6 a 2 no amistoso desta quarta-feira contra Portugal, o técnico sabe que a reta final na briga pela vaga no Mundial 2010 será decisiva para sua permanência no cargo”.

 

O jornalista (a versão online não tem assinatura) começa a matéria informando que o Brasil está em 2º lugar e praticamente classificado. Mas chama essa conquista de “frieza dos números”, emitindo, claramente, um conceito pessoal. Afinal, não há ninguém na reportagem que corrobore essa afirmação.

 

O texto prossegue contando sobre o placar do jogo, mas logo em seguida afirma que Dunga “sabe” que as próximas partidas serão decisivas para que ele continue no cargo. Você está esperando uma aspas do técnico para validar a afirmação do repórter, certo? Errado. Não há uma fala sequer do personagem principal.

 

A matéria termina com uma coleção de achismos, misturada com informações pinceladas, justamente para confundir o leitor. Não posso aferir que existe um complô da Globo contra Dunga, afinal, não cometeria o mesmo erro do repórter. Mas que parece, ah, isso parece.

Torcida 10 x Brasil 0

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Primeiro jogo ao vivo da Seleção Canarinho. Posso dizer que fui “pé-morno”, já que a partida não passou do 0x0. Prefiro não comentar o desempenho apático dos jogadores. Afinal, os episódios mais interessantes definitivamente não estavam no gramado.

Ir ao Maracanã com amigos animados já é certeza de diversão. Como nunca tinha ido a um jogo do Brasil, fiquei surpresa com a cantoria da torcida (foto: Ivo Gonzalez). No começo, até rolou um “Eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor”. Mas o repertório realmente é pequeno e não passou disso. Durante toda a partida, foi um festival de músicas anti-flamenguistas. A torcida arco-íris era, enfim, maioria.

Tudo bem que estávamos no “lugar” da torcida do Vasco, mas o côro era geral contra o Flamengo. Além disso, ouvimos músicas do Fluminense, do Botafogo e dos próprios rubro-negros. O mais surpreendente é que ninguém se irritava com as provocações das músicas. Quem era Flamengo, como eu, apenas ria das músicas nada amáveis. Kaká, Robinho e cia, que dormiam em campo, eram apenas coadjuvantes na festa de todas as torcidas.

É claro que também não faltou o “Adeus Dunga, adeus, Dunga” e também a famosa música sobre a esposa do Júlio César – aliás, coitado, ele vai ouvir essa música pro resto da vida.

Havia muitos gringos no Maracanã, que não paravam de tirar fotos e fazer vídeos. Pra eles, tudo estava bom. No auge do desânimo na partida, começamos a cantar músicas que só nós entendíamos: zoando o gringo de “Leôncio do Pica-pau” ou pedindo para colocarem meu marido no lugar do Dunga. Todos riam à nossa volta, comprovando minha tese de que, em jogo do Brasil, o clima amistoso entre a torcida é o mais bacana. Foi ótimo sair do Maracanã com calma, sem ser arrastada por torcedores inflamados.

Não saiu gol? Quem se importa? Voltei pra casa feliz da vida, pois a noite foi cheia de risadas e uma simples ida ao Maracanã compensa até uma pelada como aquela.

Bola furada

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Noves fora o complô midiático pela saída do Dunga, ele realmente escala mal. Se o Brasil não consegue jogar quando o adversário se fecha, como aconteceu ontem, algo está errado. E a Bolívia ainda ficou com um jogador a menos durante quase todo o segundo tempo.

O que me preocupa nessa Seleção é o excesso: ou eles jogam com raiva, determinação, ou apáticos, desanimados. Juan ontem fez a diferença, mas não fez milagre. Foi chato, ruim, monótono. Tudo o que um jogo da Seleção não pode ser.

O Engenhão vazio foi outra bola fora ontem. E, Rodrigo Paiva, vamos combinar: Madona é uma coisa, Seleção Brasileira é outra bem diferente. Comparar o preço dos dois ingressos foi total infelicidade. Uma pena…

Palpites

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Esta semana os pitacos estão tomando o espaço das lembranças no blog (pra mim isso é ótimo). Mas, para minhas amigas que preferem ler minhas histórias, prometo que semana que vem tudo volta ao normal:

 

É muita cara-de-pau começar a reclamar da Seleção Brasileira depois da derrota para a Argentina. Até ontem, às 20h45, o Brasil era franco favorito, tinha o “quarteto dos sonhos”, blábláblá… O coitado do Galvão Bueno (argh!) começou o jogo tão animado, falando que Brasil e Argentina tinham mais semelhanças que diferenças… até ver o Adriano partir pra cima do Ayala e o Ronaldinho Gaúcho dar na cara do Sorín.

 

O Brasil tem mais time que a Argentina sim, só que eles entraram para ganhar e nós, de salto alto. Eles marcaram o tempo todo e aproveitaram os contra-ataques; mas nós não tínhamos jogadores de marcação no meio de campo. O Emerson ficou praticamente sozinho, já que Ronaldinho Gaúcho, Zé Roberto, Roberto Carlos, Cafu e Kaká raramente voltavam para marcar. Resultado: sobrou tudo para Juan e Roque Junior.

 

Não que o Parreira esteja certo em escalar sempre Edimílson, Gilberto Silva e companhia; mas contra a Argentina deveria ter sido este o time sim. Talvez ele não tenha mudado no intervalo porque era praticamente impossível virar o jogo àquela altura. Preferiu confiar no talento do quarteto, que até foi pra cima no segundo tempo (segundo me falaram, porque não vi), mas sem sorte e sucesso.

 

Outra coisa inaceitável: falar mal do Robinho. Hoje cheguei a ler um comentário no blog do Lédio Carmona, do Globo Online, que dizia que o Robinho é o novo Denílson na seleção. Aí já é sandice demais. Ninguém joga maravilhosamente bem o tempo todo e ontem realmente a Argentina não deixou o Brasil criar nada. Robinho é excelente e não é mais promessa; é real. Preciso enumerar quantas vezes ele provou isso no Santos? Até admito que ele possa ter sentido a pressão do jogo e da torcida, que não parou de cantar um minuto sequer. Mas ele é craque. E ponto final.

 

OBS: Não resisti e publiquei uma foto do Kaká, o colírio da Seleção…

 

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Só pra não dizerem que não falei mais no “mensalão”: Veríssimo, como sempre, matou a pau em sua coluna no O Globo. Vejam:

 

“Não fosse por um detalhe, o que estaria em curso hoje no Brasil seria um clássico golpe conservador, como todo o seu arsenal de moralismo seletivo e denuncismo dirigido, contra um inadmissível governo de esquerda. O detalhe que falta, claro, é o governo de esquerda.
No fim, a explicação que tem de ser dada não é a dos suspeitos para os jornais e as CPIs, é a do PT para os seus militantes e eleitores, para aquele cara acenando sua bandeira vermelha na esquina, sozinho, de graça, porque acreditava e confiava. E o que precisam lhe explicar é por que mágica seu voto no PT deu num Roberto Jefferson com tantos poderes no governo, inclusive o de derrubá-lo.”