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Entrevista para revista Mercado Brasil: mensagem certeira

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Foi muito bacana participar dessa matéria feita pela minha ex-aluna Kamila, na centésima edição da revista Mercado Brasil. Na mesma reportagem, há também uma entrevista com a Patrícia Fraga, minha gerente na época em que trabalhei na Petrobras.

“Na era da informação, comunicar significa ser visto, ouvido e notado. Tanto dentro, quanto fora das organizações, um plano de comunicação bem feito é o responsável por mostrar a identidade de uma marca e como ela se relaciona com o seu público. No entanto, a exposição tem seu lado negativo: há momentos em que tudo o que se deseja é sair dos holofotes. Mas no caso das organizações, esta não é uma opção.”

Leia aqui a matéria completa.

O preço de um furo

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“O bom repórter é aquele que sabe encontrar quem sabe”. Ouvi essa frase do dono do jornal onde trabalhei e nunca a esqueci. É simples, mas sintetiza bem a arte da apuração precisa, um dos maiores desafios de um jornalista.

A credibilidade da fonte é tão importante quanto o próprio fato. Explico: uma notícia bombástica, com todos os “ingredientes” para a capa de um jornal só pode ser considerada se a fonte que forneceu a pauta é de confiança. Existem várias formas de checar isso e uma das mais simples é a investigação: saber quem é, coletar dados, tirar a prova, questionar, perguntar, perguntar e perguntar. Se a informação não for verdadeira, é batata: a fonte cai em contradição.

A boa apuração, grande prazer dessa profissão tantas vezes injusta, parece estar sendo deixada de lado. Afinal, o Google resolve metade dos problemas de um repórter com deadline estourado e o maravilhoso mundo da internet está aí pra ser explorado . Mas o problema é exatamente esse: a outra metade, que pode comprometer toda a matéria.

Exemplos? Tenho dois. Ivete Sangalo anuncia que está grávida. Imediatamente, o site Ego publica uma matéria cuja fonte é a página no orkut do namorado da cantora (veja foto abaixo da matéria). Eles reproduzem frases inteiras do tal perfil e as consideram como verdade. Resultado: o perfil do rapaz era falso.

O outro exemplo teve conseqüências bem piores. As ações da Apple caíram assim que foi divulgada pela CNN a notícia de que Steve Jobs havia sofrido um ataque cardíaco. Após o desmentido, descobriu-se que um jovem de 18 anos foi o autor do boato. Ele postou a notícia na área colaborativa do site da CNN.

As redes sociais e a web 2.0 trouxeram enormes benefícios à comunicação e promotem ainda mais. O erro não está nas ferramentas, mas sim na falta de apuração por parte dos veículos de imprensa. Uma notícia dada por uma fonte por telefone, pela internet ou pelo orkut deve ser checada com a mesma responsabilidade. Alguns jornalistas só não fazem isso porque preferem apostar no furo a qualquer custo. A velocidade em detrimento da verdade.

Atualização: Este texto está também no Observatório da Imprensa. Tô ficando chique!