Arquivo da categoria: Jornalismo

A semana

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– 700 quilômetros percorridos de ônibus, entre Joinville e Floripa
– 2 noites longe de casa, mas perto de amigas-anfitriãs maravilhosas
– 2 aulas como professora, 1 como aluna e outra como estagiária de docência
– 1/2 livro lido
– 9 alunos (des) orientados
– 1 pizza de chocolate na madrugada
– 1 vinho, 1 massa e a melhor companhia do mundo
– 0 idas à academia
– 0 dor de cabeça, 0 doença
– muito cansaço e a sensação de dever cumprido.

Reflexões de uma mestranda

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Hoje foi publicado meu primeiro texto no ObjEthos, projeto do Departamento de Jornalismo e POSJOR/UFSC, com apoio da ProEx. É um privilégio enorme fazer parte dessa equipe que admiro há muito tempo, incluindo, claro, meu orientador Rogério Christofoletti.

O artigo é resultado das muitas reflexões que tenho feito para minha dissertação de mestrado. Leia aqui!

objethos

Discurso de paraninfa para uma turma inesquecível

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livia

Bom dia a todos! Cumprimento os colegas da mesa na pessoa do Diretor Geral do Bom Jesus IELUSC, professor Silvio Iung, e também todos os familiares e amigos dos formandos. E, é claro, cumprimento em especial meus 13 alunos de Jornalismo aqui presentes, para os quais dirijo agora algumas palavras.

Hoje é um dia muito especial. Difícil fugir do clichê de lembrar que, com esse tão suado diploma nas mãos, começa uma nova fase na vida de vocês. Mais difícil ainda é prever o futuro e, por isso, vou me deter a uma pequena volta a um passado recente.

O primeiro dia de aula na faculdade. Com seus 18, 19 anos, chegavam tímidos ao Bom Jesus-IELUSC. Tantas dúvidas, será que fiz a escolha certa, será que vou gostar do curso? Vocês chegaram com vontade de mudar o mundo com suas palavras e se encontraram. Ficaram amigos. Uma amizade que perduraria pelos 4 anos e quem sabe por quantos mais? Juntos, vocês se qualificaram e qualificaram uns aos outros, inclusive a mim. É realmente um privilégio nessa minha curta carreira docente ser paraninfa de uma turma que marcou minha trajetória pessoal e profissional. Mais do que alunos – e aí vai outro clichê – vocês se tornaram meus amigos.

E foi nesse clima de amizade que vocês deram inúmeras contribuições aos campos da Comunicação e do Jornalismo – campos esses ainda carentes de sólidas reflexões teóricas. Uma delas – e talvez a mais importante – foi o trabalho de conclusão de curso, a tão temida monografia. Para que os presentes aqui saibam, a produção acadêmica desses alunos foi avaliada com notas expressivas por diversas bancas de professores.

Ana Paula analisou as percepções de usuários e não usuários de drogas sobre o discurso da descriminalização. Augusta estudou o discurso ambiental do Jornal A Notícia. A Rio + 20 foi o tema da Bárbara, que refletiu sobre a temática ambiental na cobertura do Folha.com e da Agência Envolverde.

Diego abordou a regionalização do Globo Esporte Santa Catarina, enquanto Edinei fez uma análise da comunicação impressa e governamental na campanha eleitoral 2012 em Rio Negrinho. Os Nerds na TV foi o tema da Emanoele, que estudou os esteriótipos e identificação no seriado The Big Bang Theory.

Francine mergulhou no universo musical e analisou as possibilidades da internet para a difusão e o compartilhamento de produções. Maila pesquisou sobre os webdocumentários, uma nova narrativa jornalística de grande potencial.

O paradigma da felicidade no mundo pós-moderno foi o tema da Marjorie, que escolheu como estudo de caso os carteiros. Matheus investigou as duas faces do jornalismo literário no esporte e fez uma comparação entre a obra de Nelson Rodrigues e o jornalismo esportivo argentino.

Patrícia estudou Capitu na atualidade e Polianna, a rádio educativa 107,5 FM, sob o viés da apropriação de um meio público para a difusão do Evangelho. Por fim, a literatura, investigação e compromisso social no jornalismo de Caco Barcellos foi o tema da Tiffany.

A pluralidade de abordagens e a profundidade das reflexões construídas por esses alunos constituem um legado importante pra eles, pro Bom Jesus-IELUSC e também pro país. Como disse o jornalista Alberto Dines em discurso no Prêmio Vladimir Herzog 2012 – que lhe rendeu homenagens, “o Senhor Mercado imagina que o mundo é movido por gadgets, mas o Senhor Mercado engana-se mais uma vez: o mundo é movido por ideias, por gente. Sócrates, pai da filosofia, não conhecia as tecnologias de informação, não sabia ler nem escrever, estava apenas conectado com a condição humana e inventou o diálogo. Parafraseando Kant, nossa missão é interminável. Com ou sem papel, nosso papel é intransferível”.

Vocês sabem que sou uma entusiasta e pesquisadora do jornalismo digital, mas não posso deixar de concordar com as palavras de Dines. Além de ser um exemplo de jornalista que, com seus 80 anos, é fiel defensor da ética em nossa profissão; ele usa sua sabedoria para pinçar a essência de todas as transformações que vivenciamos num piscar de olhos. Ele nos alerta para a importância das ideias.

Vocês, que agora são meus colegas de profissão, nunca esqueçam disso: valorizem suas ideias, pois elas são a moeda de maior valor em nosso tempo. Não se rendam ao lead automático, à objetividade que cega, ao dealine que sufoca. A jornalista Sylvia Moretzshon, que foi minha professora na universidade, diz em seu livro Pensando contra os fatos que “Pensar contra os fatos não é desconsiderá-los na sua objetividade, mas apreendê-los em sua complexidade, contrariando o processo de naturalização que nos faz aceitá-los sem considerandos, pois é essa inconformidade em aceitar o mundo ‘tal qual é’ que conduz à formulação de perspectivas capazes de modificá-lo”.

E foi essa mesma inconformidade que fez de Rubem Braga, meu conterrâneo de Cachoeiro de Itapemirim, um dos maiores cronistas do nosso país. Repórter, correspondente de guerra, editor e autor de mais de 15 mil crônicas, ele jamais perdeu de vista seu grande ideal: o de escrever uma boa história. Assim ele diz: “Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse — “ai meu Deus, que história mais engraçada!”. E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria — “mas essa história é mesmo muito engraçada!”.

O que Rubem Braga queria, que é o mesmo que eu almejo e que igualmente gostaria de desejar a vocês é que escrevam histórias que sensibilizem, que façam diferença. Histórias que sejam fruto de ideias originais, distribuídas em qualquer plataforma. Estejam atentos às transformações tecnológicas e constantemente conectados, mas não se limitem a isso. Olhem para as mudanças em nossa sociedade porque o jornalismo se faz importante quando é mediador singular da realidade, aquela que é relevante para toda e qualquer pessoa.

Voltem constantemente ao passado, lembrem da sala de aula, das conversas nos banquinhos do IELUSC e vejam o quanto vocês mudaram em 4 anos e o que podem fazer nos próximos 40. Depende somente – e aí vai o último clichê – de vocês mesmos. Por fim, inspirem-se em Gabriel Garcia Marquez e façam do jornalismo – hoje e também no futuro – a melhor profissão do mundo. Obrigada!

Sobre espelhos

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Daí que escrever teses é um ato inocente, menos pelas intenções que porventura as presidam e mais pela mesquinhez da fala presente dos que as escrevem. Todos. Contudo, tentar fazer de uma obrigação escolar uma olhada suspeita sobre a realidade instalada faz um certo bem, a mim e outros. Circular certas considerações e atitudes pode servir pra não somente espairecer mas também para apontar como as coisas estão erradas e como poderiam ser diferentes. E sobretudo que, em última instância, somente enquanto excluídos, nós e eles, é que faremos coisas que mudem o que em certas épocas parece imutável e apto apenas para ser descrito, analisado e acumular títulos acadêmicos. Este palácio de espelhos em que ficam uns lendo, criticando ou elogiando os trabalhos dos outros. Confinamento forçado mas que acaba recebendo nossa adesão. Com o perigo de ficarmos falando indefinidamente dos espelhos e seus sistemas refletores. E a vida se acumula lá fora até que seu peso derruba o palácio e o dia cega a quem se acostumou a olhar seu rosto à medialuz.

Nessas produtivas tardes de janeiro, o texto do inesquecível professor Serra é um alento para mim. Em meio a leituras e pensamentos que mais me atordoam do que esclarecem, posso ainda sentir o cheiro de seu cachimbo na sala de aula da UFF. Serra, quando eu crescer, quero ser como você.